Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Uma só força aérea de cooperação

A Força Aérea do Peru projeta-se como instituição para ajudar a cidadania no atendimento aos desastres naturais.
Geraldine Cook/Diálogo | 1 dezembro 2017

O Tenente-Brigadeiro-do-Ar Javier Ramírez, comandante geral da Força Aérea do Peru, considera que a integração das forças aéreas da região permitirá combater as ameaças comuns. (Foto: FAP)

“Os desastres naturais tornaram-se uma grande ameaça regional”, disse o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Javier Ramírez Guillén, comandante geral da Força Aérea do Peru (FAP), durante sua apresentação na Conferência de Chefes das Forças Aéreas Sul-Americanas. “Devemos nos unir para estarmos preparados e podermos enfrentar com eficácia os desastres naturais”, acrescentou. A conferência aconteceu na base aérea Davis-Monthan em Tucson, no Arizona, entre 31 de outubro e 3 de novembro de 2017, com o objetivo de analisar o papel das forças aéreas regionais no atendimento aos desastres naturais.

Durante uma entrevista com a Diálogo, o Ten Brig Ar Ramírez disse que as alianças de cooperação interinstitucional e internacional sobre capacitação, treinamento e coordenação são importantes para fortalecer as capacidades das forças aéreas no resgate de pessoas e atendimento em desastres, para a integração regional e para os desafios da FAP para 2018.

Diálogo: Por que é importante para a FAP participar da Conferência de Chefes das Forças Aéreas Sul-Americanas 2017?

Tenente-Brigadeiro-do-Ar Javier Ramírez Guillén, comandante geral da FAP: A conferência é um espaço onde unificamos critérios e conhecemos as lições aprendidas com as diferentes atividades que ocorrem ou com os desastres naturais na região. Cada um de nós teve a oportunidade de participar e expor a realidade de sua força aérea. Com todo este conjunto de exposições, podemos obter lições aprendidas e melhorar nossas ações no Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA) com respeito a como lidar com os desastres naturais.

Diálogo: Por que é importante que as forças aéreas estejam mais bem preparadas para ajudar na resposta aos desastres naturais?

Ten Brig Ar Ramírez: Temos ameaças diferentes neste mundo globalizado. Já não se trata apenas de defender a soberania e a integridade de cada um dos países, mas também de lutar contra as novas ameaças, como as que estamos vendo, que são os riscos de terremotos, inundações e incêndios florestais, entre outros. Isso mudou nossa realidade, aumentando e melhorando a capacidade de cada uma das forças aéreas para poder lidar com essas situações.

Diálogo: Quer dizer que os desastres naturais também são um fenômeno que ameaça a segurança?

Ten Brig Ar Ramírez: Claro. Há muitos mortos e afetados em cada um desses acontecimentos e a força aérea, que é muito flexível, rápida e que não descuida de sua missão principal, muda toda a ação para o atendimento em caso de desastres.

Diálogo: O ano de 2017 foi muito crítico para o Peru com respeito aos desastres naturais. Qual foi a participação da FAP no atendimento aos afetados?

Ten Brig Ar Ramírez: A FAP esteve muito ativa. Infelizmente para o Peru e para nossos cidadãos do norte, muitas pessoas sofreram com inundações, ficaram isoladas e perderam suas casas. Tivemos a iniciativa e, mais ou menos uma hora depois das tragédias, já estávamos nas áreas afetadas, levando alimentos e transportando pessoas. Transportamos mais de 38.000 pessoas nesse período. Transportamos mais de 15.000 toneladas de carga. Fizemos um grande esforço para ajudar e o fizemos com muito prazer, porque nossas forças armadas, em particular a FAP, tem uma grande vocação de serviço.

Diálogo: Como está a cooperação regional das forças aéreas?

Ten Brig Ar Ramírez: Muito boa, especialmente nos últimos anos. A partir de 2010, vi uma força maior na união das forças aéreas com o SICOFAA. Há mais integração e comitês e os participantes se interessam mais. Felizmente, com o exercício de cooperação que simula uma catástrofe natural e a mobilização das forças aéreas com a ajuda humanitária aos afetados, nos integramos mais. Os desastres naturais são cíclicos; sempre haverá terremotos, inundações e outros. Acredito sinceramente no SICOFAA. Conheço-o há mais de 38 anos e vejo que ele aumenta nossa força cada vez mais.

Diálogo: O senhor fala do SICOFAA como uma ferramenta vital de cooperação internacional. Como tem sido a experiência do Peru nessa organização?

Ten Brig Ar Ramírez: O SICOFAA foi produto de uma necessidade inicial do Peru e é por isso que em 1964 a FAP propôs a criação de uma organização voluntária de mútua relação profissional e apresentou o documento intitulado “Bases e Procedimentos para um Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas”. Este documento foi aceito na Conferência de Chefes das Forças Aéreas Americanas de 1965 e tornou-se a Primeira Carta Constitutiva do SICOFAA. Com o passar dos anos, por meio de comitês e dos exercícios denominados Cooperação, melhoramos muito dentro do SICOFAA. Temos mais integração, estamos frente a frente e trocamos ideias com mais de 18 forças aéreas. Isso nos fortalece ainda mais, não apenas com relação ao companheirismo entre as forças aéreas, mas também às suas operações.

Diálogo: O senhor poderia falar mais sobre a relação da FAP com a cidadania?

Ten Brig Ar Ramírez: É uma relação de muito compromisso social. A FAP, como o nome indica, pertence a todos os peruanos e está orientada a cobrir as grandes demandas do Estado e dos cidadãos. Se há algum cidadão afetado em Huascarán [região montanhosa do departamento de Ancash, a oeste do Peru], aí estaremos. Se houver uma cidade que está isolada por qualquer motivo, a Força Aérea estará lá. Se há um necessitado em qualquer parte de uma selva, a Força Aérea precisa estar lá, porque nós integramos nosso Peru.

Diálogo: Quais são os problemas de segurança mais importantes que seu país enfrenta?

Ten Brig Ar Ramírez: Temos ameaças internas, como o narcotráfico, o desmatamento e o garimpo ilegal. Estamos trabalhando conjuntamente contra isso com as outras forças armadas do Peru e com a Polícia Nacional.

Diálogo: Como a FAP trabalha com as outras forças militares do seu país?

Ten Brig Ar Ramírez: Trabalhamos juntos por meio do Comando Conjunto das Forças Armadas, que pertence ao Ministério da Defesa, uma entidade do poder executivo de nosso governo, e aí temos as três instituições básicas, que são o Exército, a Marinha e a Força Aérea. Como instituições, fazemos operações independentes e conjuntas.

Diálogo: O senhor foi promovido em dezembro de 2016. Como foi sua experiência no comando da FAP?

Ten Brig Ar Ramírez: Estou emocionado e feliz. Todos os dias estou muito feliz em comandar essa instituição, onde há pessoas maravilhosas. Temos um excelente presidente [Pedro Pablo Kuczynski], um excelente ministro de defesa [Jorge Nieto], que nos apoia muito, não somente a Força Aérea, mas também todas as entidades do Estado. Nesse sentido, estamos em coordenação permanente. Faço uma projeção de que não somente em 2018, mas também em outros anos no futuro, vamos fortalecer e aumentar nossas capacidades para atender às grandes demandas do Estado.

Diálogo: Qual é seu principal desafio para 2018?

Ten Brig Ar Ramírez: Que meu pessoal se capacite e treine mais, porque podemos adquirir os meios, mas a capacitação e o treinamento duram anos. É importante motivar o pessoal, pois assim há uma motivação ainda maior em amar a Força Aérea e o seu país.

Diálogo: Qual é sua mensagem para as nações parceiras?

Ten Brig Ar Ramírez: Vamos continuar nos conhecendo, colaborando e nos integrando no SICOFAA, que considero ser o caminho e a ferramenta adequada para suportar as grandes demandas e combater as ameaças comuns que a região tem.

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