Seminário sobre drogas reúne civis e militares na FIU

A distribuição gratuita de drogas a viciados em clínicas especializadas do governo foi apenas uma das várias sugestões apresentadas durante uma conferência realizada no dia 21 de setembro de 2012 no campus sul da Universidade Internacional da Flórida (FIU), em Miami, para tentar impedir o crescimento e o fortalecimento das Organizações Criminosas Transnacionais (OCT). O seminário serviu como fórum de debates e discussões pare se obter um melhor entendimento sobre o problema das drogas e de como combatê-lo.
WRITER-ID | 26 setembro 2012

Membros do painel sul-americano durante uma apresentação no seminário Perspectivas Regionais sobre o Crime Organizado Transnacional na América do Sul, Central e no Caribe, organizado pela FIU e o SOCOM. (Photo: Marcos Ommati/Diálogo)

A distribuição gratuita de drogas a viciados em clínicas especializadas do governo foi apenas uma das várias sugestões apresentadas durante uma conferência realizada no dia 21 de setembro de 2012 no campus sul da Universidade Internacional da Flórida (FIU), em Miami, para tentar impedir o crescimento e o fortalecimento das Organizações Criminosas Transnacionais (OCT). O seminário serviu como fórum de debates e discussões pare se obter um melhor entendimento sobre o problema das drogas e de como combatê-lo.

A sugestão da distribuição gratuita de drogas partiu de Francisco Dall’Anese, representante da Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala, um organismo internacional, criado em 2006 sob os auspícios da Organização das Nações Unidas, com o intuito de investigar crimes sérios naquele país. Ele explicou que “só diminuindo o poderio financeiro e consequentemente a força corruptora das organizações criminosas é que haveria uma queda nos preços das drogas e da criminalidade”.

O evento, intitulado Perspectivas Regionais sobre o Crime Organizado Transnacional na América do Sul, Central e no Caribe, e que foi organizado pelo Centro para a Administração de Justiça da FIU e pelo Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos, reuniu líderes de diversos setores da sociedade civil no campo da segurança e militares de vários países, entre eles, Colômbia, Costa Rica, México, Estados Unidos e Trinidad e Tobago.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Miami, Bruce Bagley, não apenas os Estados Unidos, mas todos os países deveriam se esforçar mais para diminuir a demanda e também o tráfico interno de armas de pequeno porte. Para ele, a guerra contra as drogas só será vencida “se houver uma plena consciência de que este é um problema de co-responsibilidade não só regional, mas global”.

Já o Coronel do Exército colombiano Jorge H. Romero preferiu fazer uma explanação de como surgiram os movimentos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e do Exército de Libertação Nacional (ELN). Segundo o oficial de ligação para a Colômbia no Comando Sul dos Estados Unidos, apesar de ter havido uma diminuição substancial de seus quadros nos últimos anos – de 16.000 para cerca de 8.000 nas FARC e de 7.000 para 3.000 no ELN –, estes grupos ainda representam uma séria ameaça ao país e seus vizinhos. No entanto, o Coronel Romero acredita que as conversações de paz que estão sendo organizadas pelo governo Santos e a liderança das FARC irão ajudar a minimizar o problema das guerrilhas na Colômbia.

O representante de Trinidad e Tobago, Dr. Anthony Bryan, que já realizou pesquisas extensivas sobre segurança regional nos países do Caribe e outros das Américas, mostrou preocupação com as armas que estão sendo “deixadas para trás pelos narco-traficantes”, que usam a região como área de trânsito de drogas. Ele afirmou, porém, que o Caribe está trabalhando de forma conjunta para combater as OCT e que iniciativas regionais como a CARICOM IMPACS, programa dedicado à diminuição dos crimes que envolvem armas de fogo principalmente, deveriam ser implementadas em outros países.

O consenso foi de que apenas com uma redução substancial da criminalidade no Caribe e nas Américas do Sul e Central é que poderá se promover um desenvolvimento sustentável e uma mudança nas normas culturais na região. Para os participantes, ficou claro que as OCT são uma ameaça às democracias e demais sistemas de governo nas Américas e que nenhum esforço deve ser poupado para tentar destruí-las.

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