Força Naval de El Salvador freia narcotráfico

Restam poucas possibilidades aos narcotraficantes de navegar por águas territoriais salvadorenhas sem serem detidos.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 11 julho 2018

Ameaças Transnacionais

El Salvador, através da Força-Tarefa Naval Tridente, golpeou as organizações do narcotráfico ao apreender mais de 17 toneladas de cocaína desde 2016. (Foto: Força Armada de El Salvador)

A Força-Tarefa Naval Tridente da Força Naval de El Salvador (FNES) localizou e interceptou, no início de maio de 2018, uma embarcação a 290 milhas náuticas de Punta Remedios, no estado de Sonsonate, com 33 pacotes que continham 947 quilos de cocaína avaliada em US$ 25 milhões. Com informações obtidas por aeronaves da Guarda Costeira dos Estados Unidos, a FNES utilizou uma patrulha marítima e duas lanchas com motores externos para realizar a operação de interdição, como parte dos acordos de cooperação em segurança entre ambos os países. A informação permitiu às autoridades navais encontrar a lancha suspeita e o carregamento de drogas.

“A participação e a cooperação são primordiais para levar as operações a um final feliz”, assegurou à Diálogo o 2º Tenente da FNES Raúl Edgardo Romero, chefe da Equipe de Assalto. “A apreensão foi possível graças ao esforço combinado, conjunto e interagências que temos com diferentes [agências] de segurança dos EUA e sua Guarda Costeira, bem como com a equipe de trabalho da Procuradoria Geral da República e da Direção Antinarcóticos da Polícia Nacional Civil de El Salvador.”

Durante a operação marítima, prenderam uma pessoa de nacionalidade equatoriana e outra colombiana, tripulantes de uma embarcação de pesca artesanal com dois motores externos. “O carregamento de drogas confiscado é a maior apreensão realizada pela Força-Tarefa Naval Tridente no decorrer de 2018”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra René Francis Merino, chefe do Estado-Maior da FNES.

O trabalho combinado e conjunto possibilitou a apreensão de 1,6 tonelada de cocaína até agora, em 2018. No período de 2016 a 2017, as autoridades confiscaram quase 16 toneladas de cocaína. “Nós nos sentimos orgulhosos porque atingimos um recorde de apreensões de drogas nos últimos anos”, declarou o CMG Merino. “Nossas águas territoriais deixaram de ser utilizadas pelo narcotráfico para o transporte de drogas, o qual foi reduzido em 90 por cento”, enfatizou.

Abrir os olhos

El Salvador é um dos países centro-americanos que os grupos do narcotráfico internacional exploram como ponto de transporte logístico de drogas entre a América do Sul e os Estados Unidos e outros países. “A ajuda dos EUA se tornou importante tanto dentro da área de operações como na logística e no adestramento especializado contínuo para nosso pessoal”, destacou o 2º Ten Romero. “Graças à cooperação do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), nosso pessoal passou a ter um adestramento melhor e a realizar apreensões significativas a partir de 2015”, acrescentou o CMG Merino.

A Força Naval de El Salvador consegue reduzir a passagem de embarcações ilegais no mar territorial salvadorenho, em um esforço para combater o narcotráfico. (Foto: Força Armada de El Salvador)

O 2º Ten Romero comentou que a cooperação com as Forças Armadas dos EUA lhes permite “abrir os olhos” para as atividades das organizações criminosas no momento de entrar em operação. Graças ao SOUTHCOM, eles aprendem novas técnicas e táticas de interdição, abordagem e identificação de embarcações, com estrita observância aos direitos humanos.

“As operações de interdição e captura de pessoas ligadas ao narcotráfico também melhoraram as capacidades dos membros da Força-Tarefa Tridente”, disse o CMG Merino. “As capacitações e o treinamento ditados pelos militares norte-americanos cumprem os requisitos solicitados pela instituição naval salvadorenha, para garantir o êxito e a segurança das operações.”

Além das 200 milhas

As apreensões deixaram de ocorrer na costa salvadorenha desde 2016, devido à eficiência da FNES. “Os narcotraficantes decidiram distanciar-se mais da costa ao perceberem que navegar pelas águas territoriais salvadorenhas seria um perigo para eles”, disse o CMG Merino. “Nós adaptamos nossa Força [-Tarefa] Naval Tridente para operar além das 200 milhas marinhas territoriais.”

O narcotráfico utiliza rotas distintas para transportar os entorpecentes. As Ilhas Galápagos são um ponto estratégico para o transporte da cocaína que sai do Equador, do Peru e da Colômbia até a Guatemala ou a fronteira entre o México e a Guatemala e, em alguns casos, diretamente ao México.

O trabalho nas águas não termina com a interdição. Em seguida vem a participação da Promotoria ao apresentar as denúncias e cuidar de processar cada um dos casos. A Polícia Civil apoia nos aspectos técnicos e no processamento de todos os dados e o pessoal naval dá assistência aos juizados, ao prestar declarações sobre os fatos.

“Quase 99 por cento dos casos vão a julgamento. Sem essas declarações, os casos não teriam êxito”, enfatizou o CMG Merino. “Aqui se pode ver o trabalho de três instituições [FNES, Procuradoria e Polícia Civil] que lutam contra o narcotráfico e o crime organizado.”

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 1
Carregando conversa