Reserva estratégica da Força Armada de El Salvador

O Comando das Forças Especiais reúne as unidades de elite do país.
Geraldine Cook/ Diálogo | 16 abril 2019

Capacitação e Desenvolvimento

O Batalhão Paraquedista realiza um salto de combate a 5.000 pés de altura como parte de seu adestramento de rotina. (Foto: Comando de Forças Especiais, Força Armada de El Salvador).

“Quando fomos atacados de emboscada, minha reação foi a de protegê-los”, disse o Subtenente do Exército de El Salvador Fredy Adolfo Castro Urbina, membro do Comando Especial Antiterrorista (CEAT), unidade do Comando de Forças Especiais (CFE) da Força Armada de El Salvador (FAES). “Eu os retirei da caminhonete, os empurrei em uma vala e coloquei um veículo atravessado no meio para protegê-los das balas.” Estavam sendo atacados por insurgentes iraquianos.

Os mergulhadores de combate do Grupo de Operações Especiais realizam uma simulação de tomada de cabeça-de-praia. (Foto: Comando de Forças Especiais, Força Armada de El Salvador)

O S Ten Castro relatou a Diálogo a sua experiência como parte de um contingente de 360 militares do Batalhão Cuscatlán da FAES, que participou da Operação Liberdade no Iraque (2003-2011). No dia 5 de março de 2004, ele comandava um comboio de três veículos que transportavam membros da Coalizão Multinacional do Iraque. Por seu ato heroico, seus cinco soldados e ele receberam a Medalha Estrela de Bronze dos Estados Unidos – condecoração outorgada a membros das Forças Armadas dos EUA que se destacam por uma conquista e/ou um serviço heroico e/ou meritório nas zonas de combate –, no dia 12 de novembro de 2004.

Atualmente o S Ten Castro é instrutor do CEAT e transmite às novas gerações lições sobre o que representa o valor, a disciplina e a responsabilidade de pertencer às forças especiais. O CEAT é uma das três unidades de forças especiais do CFE da FAES.

Trabalho interagências

“Somos a reserva estratégica da FAES para o cumprimento dos objetivos relativos à defesa nacional”, disse o Coronel do Exército de El Salvador Jorge Miranda Martínez, comandante do CFE. “Devemos estar prontos para sermos destacados a qualquer momento, sob quaisquer que sejam as condições e com a máxima capacidade operacional.”

O CFE foi criado como comando em 1992, reunindo as já existentes unidades de elite: o CEAT, o Batalhão de Paraquedista e o Grupo de Operações Especiais (GOE).  Ainda que sua prioridade seja preparar-se para defender a soberania nacional, seus integrantes também realizam operações de apoio à segurança pública, em obras de benefício público, e à população, em casos de desastres naturais e em missões de paz. O CFE trabalha em conjunto com as demais forças e de maneira interagencial com a Polícia Nacional Civil e com outras instituições do Estado.

Os integrantes do CFE realizam um programa de adestramento regular de 24 semanas. Após concluí-lo com êxito, os militares passam para uma das 10 especializações oferecidas, como paraquedismo de combate e queda livre, equipes de assalto e franco-atiradores, entre outras.

Origens do CEAT

Antes da criação do CFE, o CEAT foi instaurado em 1985 para realizar tarefas de contraterrorismo, resgate de reféns e proteção de autoridades. “Temos um pessoal altamente qualificado para cumprir diferentes missões, especialmente com as nossas capacidades de resgate de reféns ou no caso de um ataque terrorista”, disse o Tenente-Coronel do Exército de El Salvador José Carlos Estrada Villafuerte, comandante do CEAT.

O oficial explicou que o treinamento, a disciplina, o espírito de camaradagem e companheirismo, somado às experiências do comando no país e no Iraque, são parte fundamental do prestígio da unidade. “O Destacamento Operacional Alfa (ODA, em inglês) das Forças Especiais do Exército dos EUA se integra ao adestramento e nos apoia com aspectos logísticos e conhecimentos. Realizamos os treinamentos de forma combinada”, acrescentou.

O ODA é a principal força de combate dos Boinas Verdes. Esta força utiliza sua formação e sua experiência para treinar com as nações parceiras, com o objetivo de melhorar a interoperacionalidade das suas forças.

Batalhão Paraquedista

Integrantes do CEAT realizam um treinamento para melhorar suas técnicas de proteção a autoridades. (Foto: Comando de Forças Especiais, Força Armada de El Salvador)

O Batalhão Paraquedista foi criado em 1963 com três esquadrões de manobra, um de apoio de combate e outro de comando. A unidade é especializada em paraquedismo de combate, de acopladores e de queda livre de precisão.

“Realizamos operações de transporte e de mobilização aérea sob as ordens do Estado-Maior Conjunto”, afirmou o Tenente-Coronel do Exército de El Salvador Óscar René Velásquez, comandante do batalhão. “Somos uma unidade estratégica e podemos cumprir missões de um batalhão de fuzileiros navais.”

A trajetória de 55 anos do batalhão é reconhecida, entre outros, pelo trabalho integrado entre as unidades de elite do CFE, suas tarefas humanitárias e seu trabalho no Iraque. “Nós nos integramos para trabalhar em equipe como comando”, afirmou o Ten Cel Velásquez. “Temos um pessoal altamente qualificado. Muitas vezes eles precisam agir sozinhos no terreno e devem conhecer as normas relativas ao que terão que enfrentar”, ressaltou. 

Grupo de Operações Especiais

O GOE, criado em 1983, é reconhecido pelos seus comandos Hacha e PRAL (Patrulhas de Reconhecimento de Alcance Longo), ambos especializados em operações especiais específicas. Além disso, conta com nadadores e mergulhadores de combate.

O Comando Hacha prepara os soldados para realizar emboscadas, golpes de mão, operações de interdição e de franco-atiradores e adestramento em visão noturna. O Comando PRAL baseia seu treinamento na execução de missões subaquáticas, terrestres e aéreas.

“Realizamos operações de ação direta, de interdição, missões de apoio a outras unidades, como o adestramento, missões de emboscadas e golpes de mão”, disse o Major do Exército de El Salvador Hugo Alexander Campos Bonilla, comandante do GOE. “Esses comandos são importantes por seu adestramento e equipamento. Eles podem fazer uma incursão na retaguarda do inimigo”, disse o Maj Campos.

“Nosso próprio treinamento é muito importante, mas também é importante o treinamento que os ODA nos oferecem, já que ele nos permite aperfeiçoar os nossos cursos e interagir na doutrina”, afirmou o Maj Campos. “Trata-se de apoio e suporte; eles trazem novos equipamentos, técnicas, formas de adestramento, e nós assimilamos tudo isso e o incluímos nos nossos planos, para que a nossa preparação se torne mais profissional”, acrescentou. 

Contribuição para a paz

A experiência da FAES no Iraque marcou sua história e ao mesmo tempo estreitou os laços de cooperação com os EUA. O país centro-americano é um dos quatro na América Central e no Caribe, entre os 12 ao redor do mundo, que enviaram tropas para a coalizão internacional liderada pelos EUA para pacificar o país do sudoeste asiático e resgatá-lo da insurgência e do terrorismo.

Junto com soldados espanhóis e polacos, Honduras, Nicarágua, República Dominicana e El Salvador formaram a Brigada Plus Ultra da Divisão Centro-Sul, uma das quatro divisões operacionais que formaram a força multinacional de pacificação para cobrir o território iraquiano. Entre os 2.500 militares da divisão, 360 eram do Batalhão Cuscatlán de El Salvador.

Com um grande número de operações, desde a missão no Iraque até o apoio ao combate às quadrilhas e ao narcotráfico, o GOE, o Batalhão de Paraquedistas e o CEAT evidenciam a sua versatilidade, efetividade e alta capacidade para realizar missões de combate de ação direta e indireta. A missão no Iraque deixou um legado sem precedente para os seus integrantes.

“O pessoal pode se adestrar em situações reais de combate. Sentimos o calor das balas e do combate e ao mesmo tempo contribuímos para a reconstrução do Iraque”, afirmou o Cel Miranda. “Isso serviu para nos posicionarmos e sermos reconhecidos não apenas na América Latina, mas em todo o mundo, como um exército muito profissional, que acompanha o fortalecimento das democracias nos outros países.”

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