RIMPAC 2018 termina com sucesso

A 26ª edição do exercício multinacional ofereceu um treinamento intenso e deu início a várias novidades.
Felipe Lagos/Diálogo | 28 agosto 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Mais de 200 aeronaves e 45 navios de superfície de 25 países participaram do exercício multinacional Rim of the Pacific 2018, entre os dias 27 de junho e 2 de agosto. (Foto: Marinha do Chile)

O maior exercício marítimo multinacional mundial, realizado entre os dias 27 de junho e 2 de agosto, concluiu depois de mais de um mês de treinamento rigoroso em águas e territórios das ilhas do Havaí. Patrocinado pela Frota do Pacífico da Marinha dos EUA, o Rim of the Pacific 2018 (RIMPAC) reuniu mais de 25.000 militares, 45 navios de superfície, cinco submarinos e mais de 200 aeronaves de 25 países.

Sob o tema Parceiros Capazes e Adaptáveis, o RIMPAC 2018 se concentrou em operações em casos de desastres naturais, de segurança marítima e de controle do mar, bem como em exercícios de guerra complexa. Os militares internacionais demonstraram suas capacidades em treinamentos que incluíram artilharia, mísseis, exercícios antissubmarinos e de defesa aérea, missões contra a pirataria, remoção de minas, eliminação de artefatos explosivos e operações anfíbias, entre outros.

Membros da Alemanha, Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Japão, México, Nova Zelândia, Peru e Reino Unido, entre outros, uniram seus esforços no RIMPAC 2018. Israel, Sri Lanka e Vietnã participaram pela primeira vez.

Outra novidade do exercício foi a designação da Marinha do Chile como líder do Componente Marítimo das Forças Combinadas (CFMCC, em inglês), sob o comando do Contra-Almirante da Marinha do Chile Pablo Niemann Figari. Pela primeira vez nos mais de 40 anos do RIMPAC, uma marinha não anglofalante liderou o CFMCC.

“Quase todos os objetivos nacionais apresentados por cada país participante foram cumpridos”, disse o C Alte Niemann. “Da mesma forma, foram cumpridas as orientações ou requisitos do comando [Vice-Almirante da Marinha dos EUA John Alexander, comandante da Força-Tarefa Combinada do RIMPAC 2018].”

Resposta a desastres e guerra naval

Entre os exercícios realizados, os participantes do RIMPAC 2018 responderam a um desastre natural simulado na Base Conjunta Pearl Harbor-Hickham, localizada na ilha de Oahu, no Havaí. Segundo o cenário, um terremoto e um tsunami de grande impacto arrasaram a ilha, causando um grande número de vítimas e danos à infraestrutura que suscitaram um pedido de ajuda militar internacional por parte do governo dos EUA.

Militares de 10 países participaram da simulação de ajuda humanitária para resgatar centenas de pacientes – 300 voluntários civis –, prestar os primeiros socorros e transportar as vítimas em helicóptero e ambulância para vários hospitais das ilhas do Havaí. O exercício cívico-militar também teve a participação de organizações como a Federação Internacional da Cruz Vermelha e da Meia Lua Vermelha, o Gabinete da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, entre outras.

Outros exercícios consistiram em operações realizadas pelos cinco submarinos participantes, o USS Hawaii, o USS Illinois e o USS Olympia da Marinha dos EUA, além do HMAS Rankin da Marinha Real da Austrália e do ROKS Park Wi da Marinha da Coréia do Sul. Os submarinos cumpriram três missões: anfíbias, de guerra antissubmarina e de apoio às forças de operações especiais.

Unidades do Corpo de Fuzileiros Navais do Chile participaram do exercício RIMPAC 2018 pela primeira vez. (Foto: Marinha do Chile)

Os submarinos apoiaram uma força multinacional de operações especiais, formada por membros de sete países, para executar um desembarque anfíbio na costa de Oahu. Os tripulantes dos submarinos também participaram de exercícios de detecção e evasão com os navios de superfície e várias aeronaves. Houve um tiro real de míssil de cruzeiro antinavios Harpoon, realizado pelo USS Olympia, que atingiu com sucesso um navio fora de atividade que havia sido afundado para esse fim. Os exercícios demonstraram as capacidades de manobras táticas dos participantes e a interoperacionalidade entre os países presentes.

“As operações multinacionais são complicadas”, disse o V Alte Alexander. “É preciso ter habilidade para montar uma equipe internacional e que ela tenha sucesso [...]. Essa equipe demonstrou que trabalha muito bem em conjunto e pode se adaptar rapidamente a um ambiente dinâmico.”

Alianças duradouras

A Feira da Inovação, realizada em 29 e 30 de junho, foi outra novidade do RIMPAC 2018. Patrocinada pela Terceira Frota da Marinha dos EUA (C3F, em inglês), a exibição teve a participação de 22 países e expôs equipamentos sonares, veículos submarinos não-tripulados, tecnologia de realidade virtual, além de progressos no âmbito médico e espacial, entre outros.

A feira serviu como plataforma de intercâmbio de tecnologia entre nações parceiras. A C3F pretende aumentar o alcance da feira no RIMPAC 2020.

A participação de unidades do Corpo de Fuzileiros Navais do Chile foi inédita também, com a integração de 25 militares nas forças de desembarque do RIMPAC 2018. Os fuzileiros navais chilenos treinaram junto com seus homólogos internacionais e cumpriram suas tarefas com sucesso.

“Representar nosso Corpo de Fuzileiros Navais em seus 200 anos de história foi uma honra para nós”, disse o 2º Tenente (FN) do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile Ernesto Iribarne. “Parte da nossa equipe esperava encontrar unidades muito superiores em equipamentos e capacidade e, na realidade, sinto que nós somos os que estamos causando a surpresa. Muitos fuzileiros navais de diversos países se surpreenderam com nossos equipamentos e nosso preparo.”

O exercício bianual realizado desde 1971 busca fortalecer a interoperacionalidade entre as forças armadas dos países da bacia do Pacífico – e de outros países – com o objetivo de aumentar a estabilidade e garantir a segurança das vias marítimas da região. O exercício contribui para consolidar os laços de amizade entre as nações parceiras.

“Eu não poderia estar mais orgulhoso da capacidade de nossa equipe internacional para completar com sucesso um exercício dessa natureza”, concluiu o V Alte Alexander. “Concluímos o exercício de forma segura e ao mesmo tempo atingimos os objetivos nacionais de capacitação. É um testemunho do talento e das alianças duradouras que construímos através do RIMPAC.”

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