RIMPAC 2018: Marinha do Chile lidera componente marítimo

Pela primeira vez, uma marinha não anglófona estará na liderança do componente marítimo do exercício multinacional.
Felipe Lagos/Diálogo | 17 maio 2018

Relações Internacionais

A Fragata FF-07 Almirante Lynch da Marinha do Chile participará do exercício RIMPAC 2018. O Chile assumirá o comando do componente marítimo das forças combinadas. (Foto: Marinha do Chile)

A Marinha do Chile assumirá o papel de comandante do componente marítimo das forças combinadas (CFMCC, em inglês) da 26ª edição do exercício Rim of the Pacific 2018 (RIMPAC, em inglês). O maior exercício marítimo multinacional do mundo, patrocinado pela Frota do Pacífico da Marinha dos EUA, será realizado entre 27 de junho e 2 de agosto, em águas e territórios das ilhas do Havaí.

Com a sua nomeação como CFMCC, a Marinha do Chile se torna a primeira marinha não anglófona a liderar um componente das forças-tarefa combinadas do RIMPAC, o que é um importante feito para o país e para a América Latina. Previamente, as marinhas dos EUA, do Canadá e da Austrália desempenharam essa função.

“Liderar o RIMPAC 2018 é fazer parte do conjunto de oficiais com responsabilidade de comandar os grupos de tarefa que compõem a força multinacional”, disse à Diálogo o Contra-Almirante da Marinha do Chile Pablo Niemann Figari, chefe do Centro de Treinamento da Marinha, localizado em Valparaíso. “No meu caso, ser comandante do componente marítimo [do RIMPAC] impõe a tarefa de responder, de maneira adequada, ao Vice-Almirante [da Marinha dos EUA] John Alexander [comandante da Força-Tarefa Combinada], na direção das atividades de treinamento e operações militares no ambiente marítimo, durante a realização do exercício.”

Exercício em grande escala

O exercício bianual, iniciado em 1971, visa melhorar a interoperabilidade entre as forças armadas dos países da bacia do Pacífico – e outros além da região –, com o objetivo de promover a estabilidade na imensa extensão de água. Além disso, o exercício estimula a cooperação entre os países participantes, fortalece suas capacidades e consolida a confiança e a amizade, a fim de garantir a segurança das rotas marítimas.

Os cenários simulados em grande escala incluem operações de interceptação marítima, abordagem e inspeção de embarcações, além de exercícios antissubmarinos e de defesa aérea. Os participantes também fortalecem capacidades de mergulho, tarefas de salvamento e operações humanitárias de auxílio em caso de desastres. Também são realizadas manobras com fogo real, de desembarque e ataque anfíbio, salto livre de paraquedismo e testes de equipamentos de última tecnologia, entre muitas outras atividades.

“O RIMPAC é um exercício amadurecido”, assinalou o C Alte Niemann. “Nesse contexto, a preparação para o exercício acontece sob um programa de atividades de planejamento bastante extenso e complexo, levando em consideração a magnitude e a multiplicidade dos participantes.”

Equipes e tropas

A Fragata FF-07 Almirante Lynch da Marinha do Chile participará do exercício e integrará o grupo de tarefas do porta-aviões nuclear americano USS Carl Vinson. A tripulação da Fragata Almirante Lynch – com 133 metros de comprimento e largura de 16,1 metros, e capacidade antissubmarino e antissuperfície – representará a maior parte das centenas de membros da Marinha do Chile a serem mobilizados para o RIMPAC 2018.

“Participarão mais de 300 homens e mulheres da Marinha do Chile”, detalhou o C Alte Niemann. “Haverá ainda um pelotão de fuzileiros navais realizando operações anfíbias e 52 integrantes do Estado-Maior do CFMCC. Também contaremos com a participação de 12 homens do Exército e dois da Força Aérea.”

Fuzileiros navais da Marinha do Chile participarão do RIMPAC juntamente com seus homólogos americanos. Os fuzileiros navais dos EUA realizaram assaltos anfíbios, entre outros, no RIMPAC 2016. (Foto: Terceiro-Sargento da Marinha dos EUA Katarzyna Kobiljak)

Sob o comando do 2º Tenente do Corpo de Fuzileiros Navais do Chile Ernesto Iribarne, 36 efetivos do Batalhão IM Nº 21 Miller integrarão as forças de desembarque do RIMPAC. Pela primeira vez, os fuzileiros navais chilenos, que anteriormente participaram como observadores, desempenharão um papel ativo no exercício.

“Ter a oportunidade de operar com os marines [dos EUA] significou cumprir um intenso processo de treinamento para contar com a capacidade de realizar as ações necessárias, que envolvem combate terrestre e anfíbio em operações de guerra e não guerra”, disse o 2º Ten Iribarne. “Isto nos enche de orgulho.”

Desempenho profissional

Os membros da Marinha do Chile que serão destacados para o RIMPAC foram selecionados com base em seu perfil profissional e domínio do inglês. Os militares testarão as capacidades adquiridas durante os treinamentos regulares e incrementarão sua interoperabilidade com marinhas de potências mundiais.

O desejo dos militares chilenos é quase palpável, talvez mais para aqueles que participam do exercício pela primeira vez. É o caso do Capitão-Tenente da Marinha do Chile Cristian Rodríguez, oficial da Fragata Lynch, que disse à revista da Marinha do Chile, Vigía, sentir surgir “o anseio de nos destacar perante outros países”.

Para a Cabo da Marinha do Chile Danysa Ortiz, encarregada das transmissões na Fragata Lynch, a otimização do seu nível de inglês é essencial. A oficial se preparou estudando os manuais de procedimentos do navio, que estão redigidos em inglês. “Também durante meu tempo livre, assisto filmes sem legendas”, disse a CB Ortiz.

Grande orgulho e responsabilidade

O Chile iniciou sua participação no RIMPAC em 1996 e, a partir de então, somente se absteve em 2010. O país serviu como segundo no comando do componente marítimo nas edições de 2014, liderada pela Marinha Real do Canadá, e de 2016, liderada pela Marinha Real da Austrália.

“Em 2016, ao finalizar a versão número 25 do RIMPAC, a Marinha do Chile propôs ao comitê organizador seu interesse em assumir o papel de CFMCC para o ano 2018”, finalizou o C Alte Niemann. “A Marinha do Chile recebe essa nomeação com grande orgulho e responsabilidade. Estivemos nos preparando com antecipação e profissionalismo, entendendo que o sucesso do exercício dependerá, em grande medida, de nossa gestão na liderança das operações.”

Mais de 25.000 elementos navais de 29 países participarão do RIMPAC 2018. O exercício contará com cerca de 50 navios, cinco submarinos, mais de 200 aeronaves e aproximadamente 17 agrupamentos terrestres. O RIMPAC 2018 incluirá, pela primeira vez, participantes do Brasil, de Israel, Sri Lanka e Vietnã.

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