Pesquisa e história vindas do fundo do mar

O Centro de Estudos Estratégicos da Marinha do Chile conta com vários campos de pesquisa que permitem preparar a Marinha para os novos desafios sociais.
Geraldine Cook/Diálogo | 22 janeiro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

O grupo de pesquisa do Centro de Estudos Estratégicos da Marinha do Chile tem diferentes campos de pesquisa como a sociologia militar e a história naval, que permitem preparar a Marinha para os novos desafios sociais. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

A missão do Centro de Estudos Estratégicos da Marinha do Chile (CEDESTRA) é muito particular: desenvolver pesquisas e análises, principalmente em caráter prospectivo, relacionados com as áreas estratégicas da Marinha do Chile. Temas como segurança e defesa, sociologia militar e direito internacional marítimo fazem parte da linha de pesquisa que a instituição lidera dentro do âmbito militar há mais de duas décadas.

O trabalho do CEDESTRA é orientado para assessorar o Estado-Maior Geral da Marinha com o objetivo de posicionar a instituição diante dos cenários futuros com o planejamento estratégico. “É um desafio enorme liderar o CEDESTRA, pelos vários temas trabalhados”, disse o Vice-Almirante da Marinha do Chile (R) Jorge Ibarra Rodríguez, diretor executivo do CEDESTRA. “O desafio é o de ser um organismo com o qual a Marinha do Chile possa contar para suas pesquisas em diferentes campos.”

Desde a sua criação em 1991, o centro passou por diferentes instalações, mas hoje está localizado no Estado-Maior Geral da Marinha em Valparaíso, no Chile. Além dos temas de pesquisa que lidera, o CEDESTRA contribui para a geração de espaços de discussão, intercâmbio e conhecimentos nas áreas de segurança e defesa, entre outros temas.

O centro

O CEDESTRA concentra-se em duas áreas específicas de trabalho: pesquisa e extensão institucional. A área de pesquisa é orientada para o desenvolvimento de estudos estratégicos sobre segurança e defesa nacional, estudos históricos marítimos, sociologia militar, direito internacional marítimo e interesses marítimos, entre outros.

A área de extensão coordena atividades com os centros de estudos das Forças Armadas do Chile, entre as quais estão a Academia Nacional de Estudos Políticos e Estratégicos, conhecida como ANEPE, o Centro de Estudos Estratégicos e Aeroespaciais, a Força Aérea do Chile e o Centro de Estudos e Pesquisas Militares do Estado-Maior Geral do Exército. Além disso, ele realiza atividades e mantém convênios com universidades públicas e privadas e intercâmbios internacionais com países da região.

O Vice-Almirante da Marinha do Chile (R) Jorge Ibarra Rodríguez, diretor executivo do Centro de Estudos Estratégicos da Marinha do Chile, disse que é um desafio enorme oferecer diferentes campos de pesquisa para permitir que a Marinha do Chile esteja na vanguarda dos desafios sociais. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

O CEDESTRA orienta suas atividades acadêmicas segundo as diretrizes do plano de desenvolvimento estratégico da Marinha do Chile, conhecido como Diretiva Oceano. Este plano permite trabalhar os temas de pesquisa habitual e iniciar novos âmbitos de pesquisa, como a política de inclusão, a Antártida, o meio ambiente etc.

Âmbitos especiais de pesquisa

“Já não se aborda a história naval apenas da perspectiva do combate naval”, disse Susana Iduya Guerrero, historiadora e investigadora do CEDESTRA. “Atualmente, isso é feito com um olhar mais completo, incluindo pontos de vista estratégicos, políticos e sociais.” A história naval no Chile não está muito desenvolvida, disse Iduya e, portanto, os campos da história naval e da sociologia militar tornaram-se uma disciplina nova.

“A sociologia militar como disciplina não é muito habitual no campo militar”, disse o Capitão-de-Mar-e-Guerra da Marinha do Chile (R) Omar Gutiérrez Valdebenito, especialista em sociologia militar. “Minha responsabilidade é a de seguir os processos de transformações sociais que têm efeito na sociedade e como eles afetam a instituição militar.”

“As transformações sociais são tantas e tão aceleradas que é difícil dizer rapidamente qual é a que mais afetou as forças militares nos últimos anos no Chile”, disse o CMG Gutiérrez. “Talvez a mais relevante para a Marinha do Chile tenha sido a incorporação das mulheres.” A Marinha do Chile tem cerca de 25.000 membros, dos quais 10 por cento são mulheres. A Marinha conta com a presença feminina desde 1936, quando as primeiras enfermeiras e funcionárias administrativas foram incorporadas. Mas foi em 2003 que se regulamentou o uso do uniforme que contemplou os distintivos de grau e especialidade.

De acordo com o CMG Gutiérrez, a sociologia militar estuda como a força naval preparou e adaptou sua cultura organizacional frente à incorporação das mulheres e seu desempenho nas filas militares em aspectos como a vida a bordo de um navio militar, a participação em combate e a liderança dentro da instituição, entre outros. “Pela sociologia militar, temos a possibilidade de alertar a instituição sobre as mudanças e os desafios que se aproximam”, concluiu o CMG Gutiérrez.

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