Reunião regional destaca a importância do trabalho conjunto

Os países da América Central aliam seus esforços para combater as organizações criminosas transnacionais.
Geraldine Cook/Diálogo | 29 maio 2018

Relações Internacionais

Líderes das forças armadas e de segurança da América Central se reuniram na Conferência Centro-Americana de Segurança 2018, realizada em San Salvador, em 9 e 10 de maio de 2018. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

O sucesso contra essas redes criminosas transnacionais é um “sucesso compartilhado”, afirmou o Almirante-de-Esquadra da Marinha dos EUA Kurt W. Tidd, comandante do Comando Sul (SOUTHCOM), durante seu discurso de abertura a ministros da defesa, chefes de Estado-Maior e outros participantes da Conferência Centro-Americana de Segurança (CENTSEC, em inglês) 2018, realizada em San Salvador, em 9 e 10 de maio de 2018. “[O sucesso] somos todos nós, trabalhando como uma equipe ao longo do tempo, do espaço e da geografia, unidos em nosso propósito e fazendo valer nossas diferentes capacidades. É trabalhar como uma entidade.”

Da esquerda para a direita: o Almirante-de-Esquadra da Marinha dos EUA Kurt W. Tidd, comandante do Comando Sul; David Munguía Payes, ministro da Defesa Nacional de El Salvador; e o General-de-Brigada do Exército Félix Edgardo Núñez Escobar, chefe do Estado-Maior Conjunto da Força Armada de El Salvador, participam da Conferência Centro-Americana de Segurança 2018. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

“O CENTSEC marcará um ponto de partida para aprofundar a cooperação entre nossos países, a fim de combater as ameaças que o crime organizado transnacional representa para a segurança da nossa região”, disse David Munguía Payes, ministro da Defesa Nacional de El Salvador, ao dar as boas-vindas ao seu país, aos líderes militares e de defesa. “O crime organizado transnacional é uma atividade interconectada, que representa uma grave ameaça para os interesses da segurança de nossas nações. Devemos manter e desenvolver nossas relações de cooperação e intercâmbio de informações com nossos aliados”, acrescentou o ministro.

Sob o tema “Aproveitando as redes regionais para combater as ameaças compartilhadas”, participantes de Belize, El Salvador, Guatemala, Honduras, Estados Unidos, Nicarágua e Panamá analisaram as ameaças à segurança centro-americana, visando a consolidação de alianças bilaterais e regionais que permitam o desenvolvimento de novos mecanismos de colaboração para compartilhamento de informações em tempo real. Canadá, Chile, Colômbia, México, República Dominicana, a Conferência Centro-Americana das Forças Armadas, a Conferência de Defesa dos Ministros das Américas e a Junta Interamericana de Defesa assistiram como observadores.

O SOUTHCOM patrocina o fórum anual de segurança centro-americana, com o objetivo de promover o diálogo entre os líderes de defesa e segurança, para examinar as ameaças à estabilidade regional, especialmente em relação às quadrilhas e ao tráfico de drogas. Ao mesmo tempo, busca gerar novos mecanismos de cooperação regional. Esta é a terceira vez que El Salvador se tornou anfitrião do CENTSEC.

Mecanismo regional de cooperação

“A importância do CENTSEC é vital, devido aos problemas existentes e que estão se tornando ameaças comuns na região, em especial no Triângulo Norte, como o narcotráfico, o tráfico de pessoas e de armas, a imigração irregular, entre outras”, disse o Coronel de Artilharia DEM Alejandro Valentín Chang Barrios, da direção de Inteligência do Estado-Maior da Defesa Nacional da Guatemala. “Devemos estar conscientes de que o trabalho executado por nossos comandos militares terá repercussões nas novas gerações, porque as ameaças se fortalecem e têm recursos mais importantes, como é o caso do dinheiro. Essa tomada de consciência possibilitará que, de forma conjunta, integral e interagências, as ameaças sejam enfrentadas para minimizar seus efeitos futuros.”

Os subtenentes das forças armadas centro-americanas participaram pela primeira vez da Conferência Centro-Americana de Segurança 2018, para analisar seu papel no combate à criminalidade. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

O CENTSEC demonstrou o interesse dos países participantes em compartilhar informações, aprimorar a colaboração e a participação na luta contra a criminalidade. A edição de 2018 apresentou um esquema que prioriza as ameaças de segurança com impacto na região, por meio das informações compartilhadas entre as nações participantes. O esquema servirá como referência para nortear as iniciativas, a fim de melhorar a colaboração conjunta e interagências para o combate às organizações criminosas transnacionais.

“O CENTSEC é um mecanismo regional para entender e pensar na problemática que se registra nesta região do continente, que é de importância essencial para os países que nela confluem”, disse o General-de-Brigada do Exército do México David Rivera Medina, secretário geral da XIII Conferência de Ministros de Defesa das Américas. “É importante trabalharmos juntos, porque do mesmo modo que compartilhamos fronteiras e regiões, compartilhamos também os problemas que são comuns a cada um de nós. Precisamos continuar fomentando esse tipo de eventos, que permitem o intercâmbio de experiências para poder fortalecer-nos mutuamente e, assim, obter melhores resultados”, disse o Gen Bda Rivera.

Os suboficiais se integram

A edição de 2018 organizou pela primeira vez um seminário simultâneo de subtenentes centro-americanos, para analisar as ameaças à segurança e o papel deles no combate à criminalidade. Os subtenentes de forças armadas parceiras participaram de eventos conjuntos durante o CENTSEC, mas também tiveram a oportunidade de compartilhar experiências, trocar conhecimentos e enfatizar a importância de contar com um corpo de suboficiais altamente capacitado.

“O CENTSEC é importante, porque possibilita o intercâmbio de conhecimentos e de experiências. É necessário intercambiar informações da região, porque as ameaças são as mesmas”, disse o Subtenente Marco Tulio Alfaro Gerónimo, da chefatura do Estado-Maior Conjunto da Força Armada de El Salvador. “Os suboficiais vivemos, a cada momento e em primeira mão, a situação real que os países vivenciam em relação às ameaças. Ao conhecermos a problemática das ameaças em um nível estratégico e sermos os comandos diretos das tropas, poderemos explicar melhor a missão e aumentar bastante a capacidade para combater as ameaças.”

O CENTSEC concluiu com o sentimento coletivo quanto à criação de iniciativas conjuntas e interagências para alcançar a segurança regional e derrotar as organizações criminosas transnacionais. “Juntos, podemos”, reafirmou o Alte Esq Tidd durante o encerramento. “Estamos unidos por esperanças comuns e pela visão compartilhada de um futuro melhor. Amanhã, através de um trabalho conjunto, faremos com que essa visão se torne realidade.”

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