Apreensão recorde de cocaína no Caribe colombiano

A Marinha Nacional da Colômbia apreendeu mais de 27 toneladas de cocaína em quatro meses.
Myriam Ortega/Diálogo | 31 maio 2018

Ameaças Transnacionais

Na Ilha de Tierra Bomba, território insular de Cartagena, autoridades colombianas encontram um carregamento com 697 pacotes que continham 700 quilos de cocaína. (Foto: Força Naval do Caribe, Marinha Nacional da Colômbia)

A Marinha Nacional da Colômbia continua na batalha frontal contra o narcotráfico no Caribe colombiano. “Apreendemos 27.419 quilos de cocaína, cifra recorde dos últimos três anos para a Força Naval do Caribe, [de janeiro a abril de 2018]”, informou à Diálogo o Capitão-de-Fragata Jorge Enrique Herrera, supervisor operacional da Força Naval do Caribe.

As autoridades apreenderam 50 por cento do total em águas internacionais e em coordenação com diferentes nações parceiras da América Central e do Norte. “Podemos falar diretamente com os EUA, o México, o Panamá, a Jamaica, a Guatemala e Honduras. Em tempo real, eles enviam meios aéreos e de superfície para mitigar essas ameaças que circulam no mar”, detalhou o CF Herrera. “Obtivemos resultados importantes dentro dos acordos marítimos e com a cooperação internacional que temos com esses países.”

No âmbito nacional também existe um trabalho coordenado. “Na Colômbia, integramos e compartilhamos esforços entre as diferentes entidades, incluindo a força pública e outras agências do Estado que têm responsabilidades com relação a esse fenômeno”, disse à Diálogo o Capitão-de-Fragata Julián Cuartas López, comandante da Estação de Guarda Costeira de Cartagena. “Isso nos torna mais eficientes, permitindo-nos ser mais contundentes e impactar a logística dessas organizações.”

Apenas entre março e abril de 2018, a Marinha liderou diferentes operações, resultando na apreensão de mais de 1,5 tonelada de cocaína . As três últimas apreensões foram feitas em águas da Guajira, da ilha de Tierra Bomba e de Cartagena.

No mar

No dia 29 de abril de 2018, uma operação conjunta interagências entre a Marinha Nacional, a Força Aérea e a Procuradoria Geral da Colômbiaapreendeu um carregamento de mais de 500 kg de cocaína em Alta Guajira. Uma aeronave de vigilância e reconhecimento SR-560 do Comando Aéreo de Combate Nº 3 detectou uma lancha do tipo go-fast com possíveis substâncias ilícitas a bordo.

“Em cooperação com o pessoal da Estação de Guarda Costeira de Ballenas, [interceptamos] uma lancha que possuía três motores e que ia em alta velocidade”, assinalou o CF Herrera. A lancha foi imobilizada a 6 milhas náuticas da praia. No interior, foram encontradas cinco pessoas, como também 25 volumes que continham 500 kg de cocaína.

A Marinha informou que a droga apreendida pertencia ao grupo criminoso Los Pachencha. O carregamento, que tinha um valor superior a US$ 16 milhões, partiria para a América Central e, dali, para os Estados Unidos.

Contêiner em Tierra Bomba

Autoridades colombianas interceptam uma lancha go-fast em La Guajira, Colômbia, onde cinco tripulantes pretendiam transportar 500 quilos de cocaína. A Força Aérea e a Marinha da Colômbia evitaram a fuga dos delinquentes. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

No dia 16 de abril de 2018, unidades da Marinha Nacional apreenderam um contêiner com 700 kg de cloridrato de cocaína em Tierra Bomba, uma ilha localizada a oeste do mar do Caribe, perto de Cartagena. A droga se encontrava em 25 mochilas que continham 679 pacotes retangulares.

Durante uma semana, a inteligência naval realizou monitoramentos. Depois, tropas do Batalhão do Corpo de Fuzileiros Navais Nº 12, sediado em Cartagena, foi destacado para o setor com o apoio do Corpo da Guarda Costeira, para iniciar a busca da droga.

“Antes de anoitecer, em um setor abandonado perto do cemitério da ilha de Tierra Bomba, conseguimos [apreender] quase 700 kg de cloridrato de cocaína”, assinalou o CF Herrera. A droga, pertencente ao grupo criminoso Clã do Golfo, estava armazenada em um contêiner que os narcotraficantes usavam como ponto de retirada. Tinham como destino a Europa, onde seu valor alcançaria US$ 42 milhões.

Os narcotraficantes têm colaboradores na ilha para carregar a droga nos navios de convés alto que têm rotas para os EUA e a Europa. “Eles fazem isso com uma lancha rápida”, explicou o CF Herrera. “Quando saem para o canal de navegação, encostam a lancha [no navio] e, com ganchos e escadas de alumínio, sobem duas ou três pessoas; depois, com ganchos e cabos de amarração, içam a droga e a ocultam nos contêineres selecionados de antemão.”

Contêiner em Cartagena

Em outra operação, a inteligência naval da Marinha Nacional acompanhou durante três meses um possível carregamento de droga ilegal pertencente ao Clã do Golfo, que chegaria em Cartagena em um contêiner procedente do Porto de Barranquilla, na Colômbia. Seu destino seria Santo Tomás de los Castillos, na Guatemala.

No início de março, as autoridades receberam confirmação de que a carga estava no Complexo Portuário Muelle del Bosque, em Cartagena. “Ainda não havia sido embarcada; conseguiu-se retirar o contêiner para submetê-lo a uma inspeção especial e foi encontrado todo o material [a cocaína]”, explicou o CF Cuartas.

A operação coordenada entre a Marinha e a Polícia Nacional da Colômbia apreendeu 413 kg de cloridrato de cocaína, encontrados depois de remover a carga durante duas horas. A droga se encontrava em 407 pacotes retangulares. O carregamento tinha como destino a Europa, onde seu valor alcançaria US$ 30 milhões, segundo um comunicado da Marinha.

Os narcotraficantes desafiam as autoridades com suas estratégias. “Eles têm uma grande quantidade de modalidades que utilizam em toda a extensão do Caribe. O desafio sempre será o de atacar de forma contundente todas as diferentes modalidades que essas organizações utilizam para levar as drogas ilícitas até o exterior”, concluiu o CF Cuartas.

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