Polícia Nacional do Equador inaugura laboratório para combater Cartel de Sinaloa e Los Rastrojos

Nova instalação ajudará a desenvolver investigações e a tornar sistema judiciário mais eficiente.
Holger Alava | 28 fevereiro 2014

Ameaças Transnacionais

Analistas de cenas de crime: Peritos forenses, com a Polícia Nacional do Equador, simulam uma investigação para demonstrar seu equipamento e conhecimento. A Polícia Nacional inaugurou um novo laboratório de criminalística em Quito, em 8 de janeiro de 2014. [Foto: Ministério do Interior do Equador / YouTube]

A Polícia Nacional do Equador inaugurou um novo laboratório de criminalística em Quito, que permitirá aos investigadores ter acesso a tecnologia de ponta para solucionar crimes.

Inaugurado em 8 de janeiro de 2014, o novo laboratório permite à polícia verificar digitais rapidamente, realizar testes de DNA e análises toxicológicas em vítimas de homicídios para determinar se ingeriram alguma droga antes de serem assassinadas.

O novo laboratório ajudará a desenvolver investigações e a tornar o sistema judiciário mais eficiente, diz Juan Vizueta, professor de direito penal da Universidade Católica de Guayaquil.

“Com este laboratório, tanto a polícia quanto os tribunais equatorianos poderão contar com investigações realizadas em um centro especializado”, diz Vizueta. “Antes, as provas médicas eram enviadas para instituições médicas do Estado, cujo foco era direcionado à saúde pública e não a investigações criminais.”

“Com esse novo laboratório, as investigações serão realizadas desde uma abordagem tradicional até a técnica e a científica, nas quais as provas podem ser processadas e as respectivas cadeias de procedimentos podem ser mantidas”, explica Vizueta.

O novo laboratório custou mais de US$ 11 milhões e tem cerca de 340 funcionários, entre policiais e analistas civis.

A implementação do laboratório coincide com a nova e abrangente lei penal aprovada pelo Congresso equatoriano em dezembro de 2013. A legislação contempla novos delitos, como femicídio, etnocídio, tortura, crimes contra o meio ambiente e enriquecimento pessoal não justificado.

A lei deve entrar em vigor em junho de 2014, ou 180 dias após a sua publicação.

Autoridades planejam construir mais laboratórios

As autoridades estão construindo outro laboratório de criminalística em Guayaquil, a cidade mais populosa do Equador, com 2,3 milhões de habitantes. Quando concluída, a unidade ajudará a melhorar investigações da polícia local, afirma Vizueta. Outros laboratórios do tipo deverão ser implantados em todo o país, de acordo com o professor.

“Agora, o que falta é construir mais laboratórios criminalísticos no país, para que as investigações sejam agilizadas”, ressalta Vizueta. “A proximidade do laboratório é importante quando se trabalha com provas como impressões digitais, que precisam ser investigadas imediatamente antes que desapareçam ou sejam contaminadas.”

De acordo com o ministro do Interior, José Serrano, os novos laboratórios são uma importante ferramenta para a permanente luta contra os grupos do crime organizado.

“Essa nova infraestrutura fornecerá apoio científico para um enfrentamento direto e transparente contra a violência criminosa e a impunidade”, disse Serrano durante a cerimônia de inauguração do laboratório.

Segundo as autoridades, em 2013, as forças de segurança equatorianas apreenderam mais de 56 toneladas de drogas.

Luta contra o crime organizado

As autoridades equatorianas estão lutando contra as organizações criminosas transnacionais que usam o país como ponto de transbordo para drogas ilícitas.

O Cartel de Sinaloa é uma das maiores organizações criminosas transnacionais que operam no Equador. Em 22 de fevereiro de 2014, as forças de segurança mexicanas capturaram o chefão do cartel, Joaquín “El Chapo” Guzmán, em Mazatlán. Dois outros importantes grupos do narcotráfico da Colômbia, Los Rastrojos e Los Urabeños, também operam no Equador.

As forças de segurança do Equador e de outros países marcaram importantes vitórias contra os membros do crime organizado equatoriano nos últimos anos:

Laboratório da polícia: peritos criminais da Polícia Nacional do Equador fizeram demonstração de seus equipamentos durante a inauguração do laboratório de ciência criminalística em Quito, em 8 de janeiro de 2014. [Foto: Ministério do Interior do Equador / YouTube]

• Em abril de 2012, a polícia Nacional do Equador capturou César Demar Vernaza Quiñónez, conhecido como “O Empresário” e líder da gangue “Os Corajosos”. A gangue trabalhava para El Chapo no Equador, fornecendo segurança para grandes carregamentos de drogas. Em fevereiro de 2013, O Empresário e outros 18 detentos fugiram de um presídio em Guayaquil. As forças de segurança colombianas o recapturaram em abril de 2013. Ele foi extraditado para o Equador, onde está sendo julgado por tráfico de drogas.

• Em junho de 2012, as forças de segurança equatorianas apreenderam um submarino em construção, um avião leve, uma lancha e 1 tonelada de cocaína. Os narcotraficantes estavam usando o avião e a lancha para transportar cocaína, e o submarino seria utilizado para o mesmo propósito, disse Richard Camacho Zeas, analista de segurança equatoriano.

• Em outubro de 2013, a Polícia Nacional do Equador capturou 10 suspeitos de pertencerem ao Los Urabeños. Alguns eram cidadãos equatorianos que trabalhavam com o grupo colombiano de narcotráfico, informaram as autoridades.

Novo laboratório tem tecnologia inovadora

De acordo com as autoridades, o novo laboratório, localizado em um prédio de sete andares, está equipado com tecnologia de ponta. É um dos mais modernos laboratórios de ciência forense da América Latina.

O novo laboratório tem sistemas automatizados de rápida identificação de impressões digitais e vozes; um sistema de verificação de armas de fogo, que permite aos investigadores associar projéteis disparados a armas específicas; e câmeras avançadas que permitirão à polícia tirar fotos de alta resolução em cenas de crimes.

Ao aplicar métodos toxicológicos, os investigadores poderão analisar drogas, venenos e substâncias que não podem ser identificadas em quantidades mínimas.

O laboratório abriga uma unidade de antropologia. Antropólogos forenses identificam pessoas ao examinar restos humanos e DNA. A partir da análise de tecidos e ossos, também podem determinar a causa da morte.

Segundo as autoridades, a polícia também irá armazenar provas no laboratório criminalístico. Cada prova está sendo cuidadosamente inventariada. Os funcionários do laboratório estão registrando o recebimento e a entrega de provas, para garantir que sejam confiáveis em julgamentos e audiências em tribunais.

Redução da violência

O novo laboratório pode ajudar as forças de segurança a melhorar os resultados obtidos nos últimos anos na redução da violência no Equador.

Houve uma queda de 27% nos homicídios entre 2008 e 2012, de acordo com a Polícia Nacional.

Em 2008, o Equador registrou 2.638 assassinatos, com 21 homicídios a cada 100.000 habitantes, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Em 2012, houve 1.884 homicídios. Foi o número mais baixo no Equador desde 2000.

Novos veículos policiais

O governo do Equador também entregou recentemente oito novas motocicletas à Polícia Nacional, para dar apoio às investigações e reforçar a segurança pública.

Entre as melhorias para as investigações criminais, está a implementação de um novo sistema de provas periciais. O sistema permite que se mantenha um inventário das provas que entram e saem dos laboratórios, além de um registro da pessoa que as entrega ou retira. O processo é automático, baseado na utilização de um chip para cada prova pericial. O novo sistema permitirá o acesso a informações mais confiáveis e seguras relacionadas a provas coletadas em cenas de crimes, diz o coronel Roberto Moreno, subdiretor técnico e científico da Polícia Judicial.

Mais de US$ 11 milhões foram investidos no desenvolvimento do laboratório, que emprega 340 funcionários, entre civis e policiais.

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