Corpo de paz do Peru aprende a prevenir doenças tropicais

O novo curso do Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru ensina estratégias para prevenir a propagação de doenças infecciosas.
Gonzalo Silva Infante/Diálogo | 17 janeiro 2019

Capacitação e Desenvolvimento

Militares observam o sangue de um paciente com um microscópio para detectar a malária, como parte do Curso de Doenças Tropicais do Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru. (Foto: Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru)

O Comando Conjunto das Forças Armadas (CCFFAA) do Peru encerrou 2018 com a inauguração de um curso de educação sanitária e prevenção para integrantes de missões de paz. O Curso de Doenças Tropicais, realizado com o apoio da Embaixada dos EUA em Lima, reuniu 60 unidades das forças armadas do Peru, da Colômbia e de El Salvador.

O objetivo do curso foi analisar as doenças tropicais que ameaçam os militares destacados em missões de paz. Além disso, o curso buscou transmitir um melhor conhecimento das medidas preventivas para evitar doenças infecciosas endêmicas como a dengue, a zika, a febre amarela, as febres hemorrágicas e a varíola do macaco, entre outras, com maior ênfase na malária.

O curso foi realizado graças ao apoio do Grupo Consultivo de Ajuda Militar dos EUA e do Instituto de Defesa para Operações Médicas (DIMO, em inglês) do Departamento de Defesa dos EUA. Quatro instrutores ministraram o curso sob a liderança da Tenente-Coronel da Força Aérea dos EUA Jessica Cowden, chefe de programas de doenças infecciosas. A perda de um boina azul peruano destacado na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA, em francês) motivou a criação do curso.

“Foi uma lição aprendida muito dura que nos advertiu quanto aos riscos e, sobretudo, quanto à maneira como a questão foi tratada”, disse à Diálogo o Suboficial da Marinha de Guerra do Peru Edson Evaristo Alvarado, analista em temas de operações de paz do CCFFAA e organizador do curso. “O fato ocorreu em 2014, na África, durante a epidemia de ebola, motivo pelo qual [o boina azul] foi tratado como se tivesse essa enfermidade. Ele foi isolado e, ao invés de receber tratamento contra a malária, foi tratado contra o ebola e faleceu.”

Prevenir as enfermidades

O curso de cinco dias foi dividido em duas fases. Na fase inicial teórica, os instrutores do DIMO compartilharam seus conhecimentos e experiências.  Elesse focaram na prevenção da malária, a quimioprofilaxia – utilização de medicamentos para prevenir uma enfermidade –, na malária severa, nos programas de vigilância da malária; na história do virus do Ebola, sua transmissão e detecção; e também na varíola do macaco.

Além disso, abordaram as enfermidades transmitidas através dos alimentos e as medidas sanitárias nos refeitórios. Com os temas abordados, os instrutores buscaram fomentar a prevenção entre os militares destacados em missões de paz.

Um militar peruano colhe uma amostra de sangue do seu companheiro com o auxílio de um instrutor do Instituto de Defesa para Operações Médicas dos EUA. (Foto: Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru)

“A ideia é prevenir as enfermidades, pois antes de partir para uma missão [de paz] é preciso estudar”, disse à Diálogo a Suboficial da Força Aérea do Peru Jacqueline Galarza López, que participou do curso antes de seu destacamento na MINUSCA. “No Centro de Treinamento e Capacitação para Operações de Paz do Peru nos dão palestras, mas nesse seminário vimos as instruções, as experiências e os procedimentos médicos que realizam quando regressam.”

A segunda fase, a parte prática, requereu a participação dos alunos e incluiu a realização de testes para diagnóstico de malária e a observação de exames de sangue com microscópio, entre outras demonstrações. “Os americanos nos ensinaram como realizar os testes, como imunizar os uniformes, e nos forneceram roupas para o contingente que ia viajar”, destacou a SO Galarza.

Benefício para a região

Além das unidades peruanas previstas para serem destacadas em janeiro ou fevereiro de 2019 para se juntarem à missão de paz na República Centro-Africana, o curso contou com a participação de membros dos corpos militares de saúde. Segundo o SO Alvarado, o pessoal da Colômbia e de El Salvador foi convidado não apenas para aprender, mas também para compartilhar suas experiências.

“Entre as instituições armadas, convidamos as equipes médicas ligadas às questões de saúde do pessoal que participa de operações de paz, a enfermeira encarregada de vacinar, o médico que emite os certificados médicos, aqueles que lidam com as questões epidemiológicas de cada instituição, entre outros”, explicou o SO Alvarado. “Participou o pessoal que colocamos à disposição da ONU e que já havia sido aceito.”

Com sua própria experiência no terreno e com o apoio de especialistas dos Estados Unidos, o CCFFAA do Peru busca melhorar os destacamentos e proteger a saúde das suas unidades nas missões de paz. Além disso, quando o curso se repetir, será benéfico para as forças parceiras da região que queiram aumentar sua participação nas missões de paz nos países sujeitos a doenças infecciosas.

“Ressaltamos que percebemos, no decorrer do curso, que somos os pioneiros a ministrá-lo na América do Sul”, concluiu o SO Alvarado. “Aprendemos e projetamos coisas novas, e esperamos abranger mais no âmbito do país. O militar é aquele que parte, mas quem regressa é um ser humano que pode trazer um fator epidêmico.”

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