Marinha de Guerra do Peru e MARFORSOUTH planejam operações

Durante o sexto Comitê Naval de Operações do Corpo de Fuzileiros Navais, as duas instituições definiram seu plano de cinco anos de trabalhos combinados.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 9 setembro 2018

Relações Internacionais

O Capitão-de-Mar-e-Guerra Daniel Valencia Jáuregui, chefe do Estado-Maior da Força de Fuzileiros Navais da Marinha de Guerra do Peru (esq.) e o Capitão-de-Mar-e-Guerra Michael Farrell, chefe do Estado-Maior da Força do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Sul, planejaram tarefas de cooperação entre ambas as instituições. (Foto: Marinha de Guerra do Peru)

Uma delegação de oficiais da Marinha de Guerra do Peru, em coordenação com oficiais da Força do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Sul (MARFORSOUTH, em inglês), trabalharam juntos para determinar seus objetivos e metas de médio prazo em relação à cooperação entre ambas as instituições. A reunião foi realizada no quartel-general do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), na Flórida, durante o sexto Comitê Naval de Operações do Corpo de Fuzileiros Navais, na primeira semana de junho.

“O principal objetivo do comitê foi ampliar o âmbito do planejamento estabelecido nos anteriores Comitês Operacionais dos Corpos de Fuzileiros Navais, para permitir a direção, o desenvolvimento, a execução e o acompanhamento das iniciativas de cooperação nos próximos cinco anos”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra Daniel Valencia Jáuregui, chefe do Estado-Maior da Força de Fuzileiros Navais da Marinha de Guerra do Peru. “As iniciativas têm sido projetadas para incrementar o nível de interoperacionalidade nas missões e tarefas de nossas organizações.”

A visão estratégica da MARFORSOUTH para a região da América Latina e do Caribe está voltada para a cooperação multinacional em segurança hemisférica, para criar em âmbito regional uma potência multinacional anfíbia de resposta a situações de crises ou ajuda humanitária, com suporte principal em sua organização da Força-Tarefa Marinha Aeroterrestre de Propósito Especial. A força-tarefa está treinada e equipada com tudo o que é necessário para realizar as operações designadas na região latino-americana.

Compromissos alcançados

Entre os compromissos acordados na reunião está o incremento da capacidade anfíbia e a integração dos recursos navais do Peru para a realização de exercícios anfíbios multinacionais. “A meta traçada é que em 2021 o exercício multinacional anfíbio UNITAS seja realizado no Peru, conduzido e planejado em um cenário de ajuda humanitária”, disse o CMG Valencia. “A partir de 2022, queremos realizar operações reais como parte de uma força multinacional, com uma força-tarefa anfíbia que envolva meios de superfície, de fuzileiros navais, aeronavais e logísticos.”

Os representantes militares também concordaram em fortalecer a capacidade para a execução de exercícios contra ameaças não convencionais. A missão é desenvolver a doutrina de manobras mecanizadas ou motorizadas em terrenos urbanos contra ameaças irregulares e em cenários mutantes, como também em ambientes permissivos e hostis, e planejar a execução de operações civis-militares e de informação e inteligência.

“As ameaças transnacionais [como o narcotráfico e o terrorismo] já não são um problema de um só Estado, são problemas globais”, disse à Diálogo o Capitão-de-Fragata Eduardo Díaz, integrante das Forças Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha de Guerra do Peru. “Temos que compartilhar informações e empreender esforços combinados multinacionais para atacar essas ameaças.”

Oficiais da Marinha de Guerra do Peru participaram do sexto Comitê Operacional do Corpo de Fuzileiros Navais 2018 no quartel-general do Comando Sul dos Estados Unidos. (Foto: Marinha de Guerra do Peru)

As duas delegações concordaram que o intercâmbio de treinamento e capacitação dos próximos anos será voltado para a integração dos processos de planejamento, comando e controle e de logística, com ênfase nas operações anfíbias com navios, aeronaves e fuzileiros navais. Em médio prazo, pretendem estar em condições de formar uma força-tarefa anfíbia multinacional. 

Força-tarefa anfíbia

O conceito operacional é ser a coluna vertebral de um destacamento anfíbio. Seus membros deverão ter capacidade expedicionária, com poder suficiente para organizar a missão contra a ameaça a ser enfrentada, e que ela seja formada totalmente por contingentes navais.

“O interesse comum na criação da força multinacional ajuda a orientar o esforço da Marinha de Guerra do Peru para sua própria força-tarefa anfíbia, com capacidade expedicionária, que esteja em condições de fazer parte da força multinacional”, garantiu o CMG Valencia. Essa é uma força-tarefa anfíbia polivalente, flexível e móvel, de emprego imediato e capaz de ser deslocada [com recursos] navais e aéreos, para projetar o poder naval do mar até a terra, em resposta a situações de crise ou ajuda humanitária. 

Capacidades e missões estratégicas

“O Peru e os Estados Unidos fortalecem as capacidades e a integração através do assessoramento de procedimentos operacionais e protocolos na interação de navios, aeronaves e forças anfíbias, bem como de um maior intercâmbio de oficiais peruanos nas unidades expedicionárias do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e de capacitação em suas escolas de guerra”, disse o CMG Valencia. “O nível acadêmico militar [americano] é alto e os instrutores são pessoas muito experientes”, acrescentou o CF Díaz.

“Eventos como o Comitê Operacional do Corpo de Fuzileiros Navais contribuem para as relações de conhecimento entre as marinhas dos dois países. O intercâmbio de treinamento e capacitação deve ser posto em prática na execução de operações reais na área do Valle dos rios Apurímac, Ene e Mantaro, no Peru”, concluiu o CMG Valencia.

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