Exército do Peru recebe Colégio Interamericano de Defesa

Os visitantes aprenderam sobre os esforços peruanos para combater a mineração ilegal e crimes correlatos.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 13 julho 2018

Relações Internacionais

Alunos da Classe 57 do Colégio Interamericano de Defesa visitaram o Peru para consolidar seus conceitos das matérias que estudaram no curso de Mestrado em Defesa e Segurança Interamericana. (Foto: Colégio Interamericano de Defesa)

O Exército do Peru compartilhou seus conhecimentos e experiências em questões de segurança e defesa com um grupo de 140 alunos do Colégio Interamericano de Defesa (CID), uma instituição acadêmica de alto nível pertencente à Organização dos Estados Americanos, através da Junta Interamericana de Defesa. Durante a primeira semana de maio, os participantes tiveram a oportunidade de ampliar seus conhecimentos para combater a mineração ilegal e os crimes correlatos e reforçar os laços de cooperação e fraternidade.

“As causas da mineração ilegal estão na mineração artesanal ilegal que acontece nos estados de Madre de Dios, Cusco e Puno. Ela traz consigo crimes correlatos como o tráfico de pessoas, a lavagem de dinheiro, desaparecimentos, homicídios e evasão de tributos”, disse à Diálogo o Coronel do Exército do Peru José Antonio Calderón, assessor e facilitador da Classe 57 do CID. “É uma ameaça, uma preocupação, um desafio à segurança e um risco para a sociedade e o meio-ambiente.”

Laços acadêmicos

Como parte do plano de estudos de Mestrado em Defesa e Segurança Interamericana do CID, com duração de um ano, os alunos da Classe 57 conheceram a realidade peruana desde os aspectos militares até as questões culturais. Oficiais das forças armadas, da polícia e representantes civis que trabalham nos ministérios da Defesa e do Interior de 16 países integraram o grupo de oficiais que viajou ao Peru. Os alunos, originários da Argentina, do Brasil, do Canadá, do Chile, da Colômbia, de El Salvador, da Espanha, dos Estados Unidos, da Guatemala, do Haiti, de Honduras, do México, do Panamá, do Paraguai, do Peru e da República Dominicana, entre outros, se formaram no CID, em Washington, D.C., no dia 5 de junho de 2018.

Depois de visitar a capital inca de Machu Picchu, os alunos e o pessoal do CID assistiram a uma conferência oferecida em Cusco pelo General-de-Brigada do Exército do Peru Ricardo Bustamante Zuñiga, comandante da 5ª Brigada de Montanha. A conferência “Ações das Forças Armadas para combater a mineração ilegal e crimes correlatos” se aprofundou na problemática do flagelo.

“O Peru tem a política de lutar contra a mineração ilegal através de ações de formalização, interdição e recuperação ambiental [para] reduzir o crime por meio de operações de interdição articuladas com ações de controle, fiscalização e sanção dos infratores”, garantiu o Cel Calderón. “Desde 2013, mais de 4.500 hectares já foram desmatados em zonas não permitidas, áreas naturais protegidas ou terras de comunidades nativas, rurais ou indígenas.”

O General-de-Brigada do Exército do Peru Ricardo Bustamante Zuñiga, comandante geral da 5ª Brigada de Montanha, explica a integrantes do Colégio Interamericano de Defesa as operações do Peru para combater a mineração ilegal e seus crimes correlatos. (Foto: Colégio Interamericano de Defesa)

O público que assistiu à conferência conheceu as causas que motivam a mineração ilegal, como a falta de emprego na área rural, o elevado preço dos metais e a existência de organizações que estão por trás das atividades e que aproveitam a ausência do Estado para operar. “Com base na identidade compartilhada, aprendi como é fundamental a integração regional das forças armadas para superar o que a ONU denominou ‘liberdade com respeito ao medo’ e ‘liberdade com respeito à necessidade’, disse à Diálogo o Coronel do Exército do Peru Ricardo Benavides Febres, membro da Classe 57. “A visita do CID ao Exército do Peru foi proveitosa devido ao intercâmbio de experiências e de conhecimentos acadêmicos de alto nível em defesa e segurança”, acrescentou o Cel Calderón.

A visita ao Centro de Altos Estudos Nacionais, em Lima, foi outra das atividades acadêmicas realizadas. Os alunos puderam conhecer a situação da luta contra o terrorismo e o tráfico ilícito de drogas no Peru, bem como as lições aprendidas sobre o fenômeno El Niño Costeiro, o sistema nacional de planejamento estratégico, a política de defesa, as relações cívico-militares e as ameaças e desafios do país.

Líderes estratégicos

O CID forma líderes estratégicos que contribuirão para os processos de tomadas de decisões determinantes em seus respectivos países e que, por sua vez, ajudarão a responder a um ambiente de defesa e segurança hemisférica cada vez mais complexo e diversificado. Desde o início, em outubro de 1962, mais de 2.699 alunos de 26 países se formaram na instituição acadêmica. Mais de 40 por cento dos egressos ascenderam à patente de general, almirante ou o equivalente civil, informa o CID em sua página na internet. O colégio está localizado no Forte Lesley J. McNair, em Washington, D.C.

“Um dos objetivos mais relevantes para o Exército do Peru é melhorar a capacidade operacional do componente terrestre através da educação militar no âmbito estratégico, priorizando a participação de oficiais em cursos de mestrado em instituições de renome regional e mundial. O perfil de líder e assessor estratégico em defesa e segurança hemisférica do egresso do CID é benéfico e compatível com os futuros líderes do Exército e em sua capacitação para empregar a força em ambientes voláteis, incertos, complexos e ambíguos, típicos de um ambiente multipolar”, destacou o Cel Benavides.

Os alunos do CID se encontram imersos em um dos programas mais rigorosos de suas carreiras. O plano de estudos é estruturado para aumentar a participação no intercâmbio de ideias, no pensamento crítico e no desenvolvimento dos assuntos de investigações relacionados com a defesa e a segurança hemisférica, bem como na análise de ambientes possíveis que os obrigarão a analisar e responder a uma infinidade de desafios.

“Um dos principais desafios que um aluno enfrenta ao estudar no CID é ampliar o pensamento. Ele [deve] expandir seu horizonte do campo puramente militar nos níveis tático e operacional, incluindo outros campos em âmbito estratégico [para] formular políticas de Estado que possam contribuir para que sejam atingidos objetivos nacionais [com] componente de defesa e segurança”, finalizou o Cel Benavides.

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