Exército do Peru está pronto para enfrentar ataques cibernéticos

A instituição peruana conta com um novíssimo Comando de Ciberdefesa.
Gonzalo Silva Infante/Diálogo | 7 janeiro 2019

Capacitação e Desenvolvimento

O Coronel do Exército do Peru Ernesto Castillo Fuerman, comandante do Comando de Ciberdefesa (de pé), dá instruções aos membros da novíssima entidade. (Foto: Gonzalo Silva Infante, Diálogo)

No final de 2018, o Exército do Peru inaugurou o Comando de Ciberdefesa no Quartel General do Exército, em Lima. As modernas instalações contam com tecnologia e sistemas computadorizados de ponta, além de unidades altamente treinadas para tarefas de monitoramento e segurança do espaço cibernético.

O objetivo da criação do comando especializado é proteger os ativos da instituição militar, como os sistemas de armas e dados, contra possíveis ataques cibernéticos. Além disso, o comando contribuirá para a defesa dos recursos das Forças Armadas do Peru e do país, entre outras funções.

“Os sistemas de armas e os sistemas de comando e controle têm plataformas informáticas”, disse o Coronel do Exército do Peru Ernesto Castillo Fuerman, comandante do Comando de Ciberdefesa. “Se as plataformas se tornarem imprestáveis, o Estado não poderá se manter ante operações críticas; as forças não poderão comandar nem usar seus sistemas de armas. Quem conquistar o espaço cibernético poderá vencer o inimigo sem batalha física, mas sim com a batalha no ciberespaço.”

Capacitação e tecnologia modernas

O comando, inaugurado oficialmente no dia 29 de outubro de 2018, tem um protocolo de ingresso rigoroso. O primeiro indício do uso da tecnologia de ponta aparece na porta de entrada, que só permite que alguém entre através do reconhecimento facial.

Aproximadamente 50 oficiais e suboficiais trabalham diariamente no comando, aplicando três capacidades: proteger, explorar – que consiste em monitorar eventos no ciberespaço – e atuar. Todos os membros do comando passaram por capacitações em temas de defesa cibernética, segurança cibernética e crime cibernético com o Exército e no exterior, principalmente na Alemanha, na Argentina, no Brasil, na Espanha e nos Estados Unidos.

“Fiz um curso de ciberdefesa na Escola de Comunicações [do Exército], e continuamos nos capacitando”, disse à Diálogo a Capitão do Exército Carmen Asencios, que atua na área de exploração do comando. “Eu verifico no ciberespaço as ameaças que possam surgir para o comando. No dia a dia, monitoramos os sistemas do Exército. É um exercício de prática que realizamos, como um trabalho interno, para depois podermos trabalhar com outras instituições.”

Segundo o Cel Castillo, a formação do pessoal é um dos principais insumos para o desenvolvimento e o avanço do comando. Estamos preparando convênios com a Universidade Nacional de Engenharia e com a Escola Superior de Guerra do Exército, ambas localizadas em Lima, para criar um curso de mestrado em Ciberdefesa.

O Cel Castillo entra no Comando de Ciberdefesa através do reconhecimento facial. (Foto: Gonzalo Silva Infante, Diálogo)

“Desde 2013, nos preocupamos com algo muito importante: o homem”, explicou o Cel Castillo. “Começamos com dois seminários e nove oficiais que enviamos para estudar mestrado em segurança cibernética. Mantemos uma aliança estratégica com o Exército Brasileiro, que lidera a defesa cibernética [na região], porque as estruturas críticas informáticas não estão no ar e sim na terra.”

Experiência regional

Para o Comando de Ciberdefesa, a experiência do Brasil em eventos internacionais, como a Copa do Mundo da FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro de 2016 são uma referência. A instituição peruana espera poder aplicar esses conhecimentos em dois grandes eventos que serão realizados no país em 2019: os Jogos Pan-americanos Lima 2019, entre julho e agosto, e a Copa do Mundo de Futebol Sub-17, em outubro.

“Nós nos reuniremos com o chefe de Tecnologia dos [Jogos] Pan-americanos”, disse o Cel Castillo. “A ideia é dar segurança cibernética às atividades esportivas desde o âmbito terrestre. Quero demonstrar nossas capacidades para proporcionar a segurança adequada.”

A ideia da criação do Comando de Ciberdefesa surgiu em 2010, quando foi criado o Centro de Treinamento Tático Computadorizado do Exército. Com a aquisição de um programa francês, as autoridades do Exército do Peru descobriram o potencial de seus membros.

“Por exemplo, os franceses demoravam três semanas para montar um cenário virtual de guerra, [enquanto] nós precisávamos de dois dias, porque entramos na linguagem de programação, trabalhamos em diferentes computadores e montamos como se fosse um quebra-cabeças”, disse o Cel Castillo. “Tenho muita fé na capacidade de inovação e de solucionar problemas dos oficiais peruanos.”

De acordo com o relatório de 2017 do Índice Global de Cibersegurança – entidade da União Internacional de Comunicações das Nações Unidas que mede o preparo dos países ante as ameaças cibernéticas – o Peru consta como um país em amadurecimento, ou seja, que vem desenvolvendo compromissos complexos e que participa de várias iniciativas e programas de segurança cibernética. O relatório também informa que o Peru ocupa o 78º lugar entre os 193 países membros.

A defesa cibernética ocupa um espaço cada vez mais relevante na agenda dos países da América Latina e de suas instituições militares. Para o Exército do Peru, avançar nesse tema cibernético significa seguir adiante com sua missão de defender o território nacional e os interesses do Estado.

“Venceremos esse desafio com os quatro valores que temos no Exército do Peru: disciplina, integridade, vocação de serviço e compromisso com a excelência”, concluiu o Cel Castillo. “Na medida em que enfrentemos com brio esses valores, venceremos o desafio ao qual nos propusemos.”

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