Exército do Peru promove ciência e tecnologia

O Exército do Peru reúne a comunidade científica do país em uma feira inédita para fomentar a inovação.
Gonzalo Silva Infante/Diálogo | 7 setembro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Durante a feira Innova Ejército del Perú 2018, a IV Divisão do Exército do Peru expôs um protótipo de drone para a luta contra o narcotráfico e o terrorismo no Valle dos rios Apurímac, Ene e Mantaro. (Foto: Exército do Peru)

O Exército do Peru, através da Direção de Ciência e Tecnologia (DICITECE), realizou a feira inédita Innova Ejército del Perú 2018 no Quartel-General do Exército, localizado em Lima, entre os dias 4 e 8 de julho. Dezenas de empresas privadas e públicas, além de universidades locais, exibiram seus produtos e serviços lado a lado com as instituições militares do Peru, para promover o avanço científico e tecnológico do país.

A feira de cinco dias atraiu a atenção de mais de 20.000 pessoas que descobriram a tecnologia de ponta militar e civil nacional, através de várias exposições de veículos aéreos, terrestres e marítimos. Além disso, a feira realizou debates com especialistas em ciência e tecnologia, para enfatizar a importância da pesquisa. “Temos o propósito básico de desenvolver a ciência e a tecnologia no Exército, mas para servir ao país”, disse o General-de-Exército César Augusto Astudillo Salcedo, comandante geral do Exército do Peru, durante a cerimônia de inauguração.

O evento se tornou um ponto de encontro da comunidade científica peruana e serviu para exibir o potencial dos participantes e despertar o interesse da população no assunto. A feira possibilitou ainda que as Forças Armadas do Peru compartilhassem com os visitantes os esforços institucionais para promover o desenvolvimento do país e manter a segurança.

“[A feira] tem um duplo impacto: o primeiro é despertar em outras escolas o interesse pela pesquisa e pela inovação, ou seja, estamos estimulando a competitividade e uma constante melhora em termos de inovação”, disse à Diálogo o General-de-Brigada do Exército Marcos de la Vega Polanco, diretor da DICITECE. “Em segundo lugar, conseguimos despertar nos jovens o interesse pela inovação, que não é nada além de se aplicar uma ideia e criar valor para a sociedade.”

Última tecnologia do Peru

A feira permitiu que o público descobrisse os produtos nacionais de última tecnologia desenvolvidos para o uso militar e policial, como os sistemas de vigilância e de comunicação; inteligência virtual e robôs; armas, munições e explosivos, entre outros. Os avanços tecnológicos na área médica, como próteses de mão, bem como os aplicativos de informática e os equipamentos para resposta a desastres, também ocuparam um lugar de destaque no evento.

Entre os produtos militares expostos, destacou-se um protótipo de drone desenvolvido pela IV Divisão do Exército, para apoiar a luta contra o narcotráfico e o terrorismo no Valle dos rios Apurímac, Ene e Mantaro. Segundo a IV Divisão, o drone, aparelhado com câmeras infravermelhas, tem capacidade de transmitir a inteligência recolhida, fotos e vídeos, em tempo real, e pode disparar granadas de guerra ou de fumaça.

A Escola de Engenharia do Exército do Peru, localizada em Lima, baseou suas apresentações na engenharia desenvolvida para as operações militares e de ajuda humanitária, como modelos virtuais para apoiar os esforços de busca e resgate em edifícios desmoronados. Ela também demonstrou a importância do avanço tecnológico em operações complexas como as tarefas dos anfíbios militares e as retiradas humanitárias de minas.

A feira inédita Innova Ejército del Perú 2018 foi realizada entre os dias 4 e 8 de julho e reuniu dezenas de empresas privadas e públicas com enfoque na ciência e na tecnologia. (Foto: Exército do Peru)

“De acordo com as cifras econômicas divulgadas pelas entidades correspondentes, o crescimento econômico será um pouco lento, o que fará com que nossas aquisições militares sejam limitadas”, explicou o Gen Bda De la Vega. “É ali que a pesquisa em ciência e tecnologia e a inovação serão nossas ferramentas para atualizar nossos armamentos atuais.”

Os militares também puseram à disposição alguns de seus equipamentos em uma exposição física com veículos blindados, helicópteros, veículos aéreos não tripulados e satélites, entre outros. Por outro lado, uma exposição virtual permitiu que as pessoas fizessem uma viagem curta a bordo de veículos, como uma aeronave interceptora.

Especialistas em ciência e tecnologia deram palestras informativas para o público sobre temas como a pesquisa estratégica, a aplicação da tecnologia nuclear no campo da defesa e a importância da pesquisa científica e tecnológica para o desenvolvimento das capacidades operacionais das forças armadas do país. “Fizemos uma combinação de diversos temas para que o público entendesse a importância da pesquisa nas forças armadas. Ainda que ela tenha um papel preponderante no desenvolvimento socioeconômico, com a pesquisa podemos melhorar a organização para que ela tenha uma participação mais eficaz e que possa contribuir para os objetivos do governo”, disse o Gen Bda De la Vega.

Agentes multiplicadores 

Os concursos em ciência e tecnologia que o Exército realiza desde 2012 em nível nacional com várias instituições e universidades motivaram a criação da feira. O plano se concretizou no início de 2018 e em maio o Exército já havia confirmado mais de uma centena de exibições.

“Começamos a trabalhar com o Coronel [do Exéricto] Ángel Gómez Límaco [subdiretor de Transferência Tecnológica da DICITECE]”, disse à Diálogo a Tenente-Coronel do Exército Gladys Rojas Cangahuala, subdiretora de Gestão do Conhecimento da DICITECE. “Fizemos um planejamento e entramos em contato com universidades, escolas e empresas.”

Para a DICITECE, a feira foi um grande sucesso. O Exército planeja realizá-la em âmbito regional em 2019, contar com mais expositores e poder compartilhar com ainda mais pessoas, para que as mesmas se tornem agentes multiplicadores.

“Quando entram na Escola Militar [de Chorrillos do Exército], os cadetes visitam todos os pontos do país, incluindo os lugares afastados”, concluiu o Gen Bda De la Vega. “Eles levam a semente da pesquisa e da inovação às cidades onde esses conceitos não existem; essa é uma maneira de contribuir.”

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