Força Aérea do Peru inicia programas de apoio a populações vulneráveis

A Força Aérea do Peru se une às Plataformas Itinerantes de Ação Social com voos de apoio.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 6 junho 2018

Resposta Rápida

A Força Aérea e a Marinha de Guerra do Peru efetuam uma evacuação fluvial e aérea de um menino de Puerto Alegría, Loreto, até o Hospital Regional de Iquitos, para receber cuidados médicos de urgência. (Foto: Força Aérea do Peru)

A Força Aérea do Peru (FAP) dedica parte de seu trabalho ao desenvolvimento social no país. Um convênio com o Ministério de Desenvolvimento e Inclusão Social (MIDIS) possibilita que centenas de moradores de zonas distantes e vulneráveis na Amazônia peruana possam receber serviços de assistência médica.

Em 20 de abril de 2018, um menino de dois anos de idade, com tumores em ambos os olhos, foi evacuado em regime de urgência da comunidade de Puerto Alegría, Loreto, por via fluvial, aérea e terrestre, para receber assistência médica de urgência no Hospital Regional de Iquitos, no noroeste peruano. O voo de assistência humanitária, sob os cuidados da FAP, faz parte das Plataformas Itinerantes de Ação Social (PIAS) aéreas, iniciadas como parte do convênio interagências de 02 de março de 2018.

Aceitabilidade e confiança

“Essa iniciativa apoia a estratégia das PIAS fluviais e impulsiona a visão de integração do Estado que, com o envio de aviões às áreas onde os navios da Marinha de Guerra do Peru não conseguem chegar, fortalecerá [sua] presença, para melhorar a qualidade de vida dos moradores das comunidades rurais nas diferentes bacias dos rios da Amazônia”, informou à Diálogo o Brigadeiro da FAP Roder Bravo, comandante-geral da Asa Aérea Nº 5 em Iquitos. “A região amazônica é um cenário difícil, onde o meio aéreo é uma ferramenta chave para prestar assistência e apoio a todas as localidades necessitadas.”

A FAP colocou à disposição do MIDIS 500 horas de voo em 12 aviões Twin Otter, para que as PIAS aéreas possam abranger áreas inacessíveis pelas PIAS fluviais e, assim, ajudar cerca de 39.000 habitantes nas 151 comunidades dessa região, informou a força em um comunicado. As PIAS fluviais da Marinha prestam ajuda médica, oferecem programas de saúde, educação e segurança, visando promover o desenvolvimento e a inclusão em regiões remotas às margens dos rios do Peru.

“A FAP responde onde a aviação comercial ou quaisquer outros transportes fluviais não possam chegar. A complexidade do território amazônico é um fator limitante para a conectividade da região com o centro do país. Os rios servem de vias de comunicação. São necessários entre 15 e 45 dias para se deslocar aos pontos mais distantes, [porém] a FAP pode fazê-lo em menos de duas horas para [qualquer] ponto da Amazônia”, explicou o Brig Bravo. “Até o dia 23 de abril, fizemos quase 40 horas de voo, cumprindo o novo programa.”

Com voos de ajuda, a Força Aérea do Peru apoia o Ministério de Desenvolvimento e Inclusão Social, para melhorar a qualidade de vida dos moradores menos favorecidos da Amazônia. (Foto: Ministério de Desenvolvimento e Inclusão Social do Peru)

As aeronaves da Asa Aérea Nº 5 e o Grupo Aéreo Nº 42 da FAP estão sempre alertas para levar medicamentos, médicos especialistas e materiais de apoio, os quais as PIAS fluviais possam necessitar durante todo seu percurso. Estão prontas para realizar missões interagências e conjuntas, envolvendo o transporte de pacientes em estado crítico para hospitais e centros médicos da região.

“A bordo de uma lancha, [a Marinha] transportou o garoto [de dois anos], com dores intensas e perda de visão por causa dos tumores, até o hidroavião [da FAP], para sua evacuação. A vida não tem preço”, expressou à Diálogo o 1º Tenente da FAP Javier Maldonado, membro da tripulação da aeronave Twin Otter do Grupo Aéreo Nº 42, que resgatou o menino. Depois, a Companhia de Bombeiros Belén Nº 41 de Iquitos transportou o garoto até o Hospital Regional.

“O tipo de missões ajuda muito a aumentar a aceitabilidade e, principalmente, a confiança dos moradores do país, porque são comunidades onde o Estado não tem muita presença”, asseverou o 1º Ten Maldonado. “A FAP leva apoio a todos os cantos de difícil acesso do território nacional. Ela está comprometida em contribuir para o desenvolvimento dessas comunidades e fornecer-lhes todo o apoio necessário.”

Os aviadores da FAP não só estão qualificados e prontos para responder a situações de defesa, mas para as de inclusão social e desenvolvimento socioeconômico do país. “Todos os pilotos estamos em contínua capacitação, para enfrentar qualquer tipo de adversidade possível, ao ter como campo [de trabalho] toda a região da Amazônia. Seu clima tão variado em época de cheia dos rios e os ventos dificultam a operação, mas não é impossível ajudar”, destacou o 1º Ten Maldonado.

Integração

Desde 1926, a FAP trabalha na Amazônia com voos de ação social e cívica. A partir de então, é uma integradora dessa área do país em colaboração com o MIDIS e as autoridades de Loreto. “A interoperabilidade possibilita reduzir a mortalidade dos recém-nascidos e das gestantes, a qual alcançava um índice [preocupante]”, assinalou o Brig Bravo.

“A FAP promoverá a aproximação com todas as entidades do Estado, em especial com os ministérios e as entidades que incluírem em seus projetos temas sociais”, finalizou o Brig Bravo. “A Força Aérea coloca à disposição todos os [seus] meios aéreos não só na Amazônia, mas também de transporte ou helicópteros que possuímos em nível nacional, com o objetivo de levar o Estado a todos os peruanos.”

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