Peru treina no exercício virtual ECODEX VII

A Força Aérea do Peru realiza tarefas em cenários simulados de busca e resgate no treinamento de diversas capacidades operacionais.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 13 agosto 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Militares da Força Aérea do Peru realizaram operações virtuais de controle aeroespacial, voos contra o tráfico ilícito de drogas, de busca e resgate e transporte de ajuda humanitária, no exercício ECODEX VII. (Foto: Força Aérea do Peru)

O Centro de Treinamento Virtual de Combate da Força Aérea do Peru (FAP) pôs à prova suas capacidades operacionais simuladas no exercício ECODEX VII. Trinta aeronaves de combate e transporte e mais de 500 militares participaram de diversas manobras fictícias de treinamento entre os dias 21 de maio e 1º de junho de 2018 em Iquitos, San Ramón e Puerto Maldonado, no Peru.

“Pela primeira vez, o centro de combate, que busca maximizar as horas de voo, treinamento e operações reais, participou da parte virtual desse exercício tão importante”, disse à Diálogo o Coronel Augusto Jesús Patrón, diretor do Centro Virtual de Combate da FAP. “[Procuramos] melhorar as capacidades do pessoal, obedecer a todos os requisitos do Estado e estar à altura dos exercícios virtuais latino-americanos mais importantes.” 

O ECODEX, o treinamento mais importante da FAP, teve início em 2015 e é realizado a cada dois anos. A simulação é uma ferramenta para instruir e treinar os membros da Força Aérea nas tarefas que têm alto custo, como as de combate aéreo com plataformas diferentes. “O exercício diferenciado mantém as tripulações capacitadas em táticas, técnicas e procedimentos padronizados para o cumprimento das operações”, garantiu o Cel Patrón.

O centro virtual participou de missões simuladas ofensivas sob o controle aberto de um oficial diretor de bloqueio, de defesa frente a um ataque com aviões de combate e de uma operação simulada contra o tráfico de drogas em suas bases em Lima, Chiclayo e Arequipa. O exercício também incluiu operações de assalto e ocupação de bases, salto em paraquedismo militar, manobras com veículos aéreos não-tripulados, luta contra a mineração ilegal, busca e resgate, evacuações aeromédicas, transporte de ajuda humanitária e uso de imagens de satélites.

“Dentro do treinamento de combate realizamos ataques em bloco, ou seja, ataques de grande magnitude de força com diferentes tipos de aeronaves; elas voaram juntas até um alvo onde cada aeronave desempenhou um papel diferente”, disse à Diálogo o Major da FAP Ernesto Portugal, oficial diretor do Grupo de Defesa Aérea. “Como tudo está interligado, pudemos realizar o exercício com sucesso a muitos quilômetros de distância.”

O Centro de Treinamento Virtual de Combate, a cargo do Esquadrão de Instrução e Treinamento subordinado ao Grupo de Defesa Aérea da Força Aérea do Peru, está capacitado com aparelhos de tecnologia de última geração, como um simulador de jogos de guerra. Ele abriga ainda os centros de combate e de mísseis portáteis.

Pela primeira vez o Centro de Treinamento Virtual de Combate da Força Aérea do Peru testou suas capacidades operacionais no exercício simulado ECODEX VII. (Foto: Força Aérea do Peru)

Grandes ensinamentos

“Os militares tiveram grandes ensinamentos”, disse o Maj Portugal. “O primeiro [ensinamento] é a facilidade para se simular a magnitude de exercícios com o uso da simulação da realidade virtual. Outro ensinamento é o aprimoramento da conectividade da comunicação entre as unidades de combate, para evitar a perda de conexão.”

A necessidade de ter um maior número de pessoas envolvidas nos exercícios do centro se soma às lições aprendidas. “Devemos crescer um pouco mais e realizar operações reais junto com as simuladas”, assegurou o Cel Patrón. “Vimos que os exercícios ECODEX são uma iniciativa extraordinária para dar um treinamento melhor em doutrina a nossos jovens oficiais.”

O exercício permitiu a interoperacionalidade entre pilotos e oficiais de defesa aérea encarregados dos radares nas diversas unidades. “Não basta que cada unidade se mantenha treinada; é preciso que todos nós estejamos interconectados. Conseguimos isso através desse tipo de exercício”, disse o Maj Portugal. “Como primeira iniciativa e prática simulada em um exercício dessa envergadura atingimos os objetivos, portanto considero nossa participação um sucesso”, acrescentou o Cel Patrón.

 Contra o narcotráfico

A simulação militar é uma técnica que envolve engenharias de software, mecânica e eletrônica, além da capacidade para reproduzir os exercícios. “A capacidade faz com que os militares envolvidos no [combate] ao crime organizado internacional na região sejam mais efetivos”, disse o Cel Patrón. “Nosso simulador é tão versátil que nos permite realizar operações que sejam diferentes das de guerra, como enfrentar o tráfico ilícito de drogas, uma de nossas maiores ameaças depois da corrupção.”

A Força Aérea do Peru trabalha para reunir as forças armadas do país com exercícios virtuais combinados e conjuntos, em um teatro de operações real. “Queremos elevar o conjunto de componentes aéreo, terrestre e naval”, finalizou o Maj Portugal. “Calcula-se que no final de 2019 a iniciativa esteja concretizada, e que mais adiante [se realize] com outras forças armadas de outros países.”

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