Peru participa da Conferência de Submarinos Ásia-Pacífico 2019

A Marinha do Peru intercambiou conhecimentos em manobras e avanços tecnológicos para a recuperação de submarinos avariados.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 10 abril 2019

Relações Internacionais

Os submarinos da Marinha Real Australiana HMAS Collins, HMAS Farncomb, HMAS Dechaineux e HMAS Sheean se uniram em formação nas águas australianas com o submarino USS Santa Fe, da Marinha dos Estados Unidos, no dia 18 de fevereiro de 2019. (Foto: Segundo-Sargento da Marinha dos EUA Ryan Litzenberg, Grupo Submarino Sete)

A convite do comando da Força de Submarinos da Frota do Pacífico dos Estados Unidos, oficiais da Força de Submarinos da Marinha de Guerra do Peru participaram da 18ª Conferência Anual de Submarinos Ásia-Pacífico (APSC, em inglês). O evento foi realizado de 12 a 15 de fevereiro de 2019 em San Diego, Califórnia.

A Marinha do Peru designou o Capitão de Mar e Guerra César Augusto Mauricio Jaramillo, comandante do Esquadrão de Submarinos, e o Capitão de Corveta Wilfredo Berto Muñoz, segundo comandante do Grupo de Salvamento, como seus representantes. “Fortalecemos os laços de colaboração em operações combinadas para o resgate de embarcações submarinas submersas no Oceano Pacífico”, disse à Diálogo o CMG Mauricio. “Além disso, adquirimos conhecimentos sobre os mais recentes avanços tecnológicos para emergências.”

A conferência foi criada pela força dos EUA em 2001 e reúne anualmente as marinhas operadoras de submarinos, como as da Argentina, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Indonésia, Japão, Peru e Reino Unido, entre outras, para intercambiar conhecimentos sobre sobrevivência e interoperabilidade dos recursos de resgate. O seu objetivo é fomentar o entendimento mútuo e abrir canais de cooperação internacional.

“Esses fóruns nos envolvem nos avanços tecnológicos, na padronização de procedimentos e na atualização de canais de cooperação internacional”, disse à Diálogo o CC Berto. “Embora a reunião tenha sido apenas Ásia-Pacífico, sabemos que há um interesse mundial e a conscientização do que poderia ocorrer com qualquer unidade, seja ela submarina ou de superfície, diante de uma catástrofe.”

A Força de Submarinos do Peru é a mais antiga da América do Sul. Ela possui seis unidades classe 209 e em 2017 começou a modernizá-la.

Tecnologia de ponta

O Comando de Resgate Submarino (URC, em inglês) da Marinha dos EUA mostrou seu Módulo de Resgate Pressurizado (PRM, em inglês). O minissubmarino desmontável tem capacidade de submersão de até 600 metros para se acoplar com um submarino no fundo do oceano, em um ângulo de até 45 graus, tanto de inclinação quanto de balanceamento. O PRM pode resgatar até 16 pessoas de cada vez.

“As buscas no mar sofrem influência das condições climatológicas e de batimetria. É essencial conhecer o módulo de resgate do URC, bem como o procedimento para deslocar o equipamento em caso de emergência”, garantiu o CMG Mauricio. “Os equipamentos de alta tecnologia da força naval americana são compatíveis com os submarinos e sistemas de resgate das marinhas do mundo inteiro.”

Os países participantes concordaram em investigar como podem apoiar o destacamento do PRM em sua jurisdição. A Marinha de Guerra do Peru analisa os recursos e as capacidades do país para mobilizar o minissubmarino por ar, mar ou terra, para salvar as equipes dos submarinos em perigo. “É importante que estejamos preparados em todos os lugares com a infraestrutura e as ferramentas especiais para receber a ajuda o mais rápido possível”, acrescentou o CC Berto.

A Conferência de Submarinos Ásia-Pacífico 2019 permitiu conhecer a tecnologia de resgate submarino da Marinha dos Estados Unidos. (Foto: Capitão de Mar e Guerra da Marinha de Guerra do Peru César Augusto Mauricio Jaramillo, comandante do Esquadrão de Submarinos)

Outro equipamento apresentado pela Marinha dos EUA foi a Câmara de Resgate Submarino, projetada durante a Segunda Guerra Mundial. Ela é capaz de resgatar até seis pessoas de cada vez e alcançar um submarino encalhado a uma profundidade de 250 m. Foram exibidos também os Veículos Operados à Distância, robôs exploradores submarinos que enviam dados em tempo real sobre os veículos danificados.

“Foi muito importante conhecer os ativos do URC, trocar informações e garantir a colaboração com os diversos organismos internacionais, como o Gabinete Internacional de Conexão de Escape e Resgate Submarino”, destacou o CMG Maurício. “A abertura de canais de comunicação com o Comando de Resgate Submarino dos EUA é crucial para a Marinha de Guerra do Peru.” 

A esperança diminui

A delegação da Marinha Argentina fez uma exposição técnica da situação do submersível ARA San Juan, desaparecido em novembro de 2017 no Oceano Atlântico com 44 pessoas a bordo. Uma empresa americana encontrou os restos do ARA a 907 m de profundidade na Patagônia argentina no final de 2018, mas não foi possível trazê-lo à superfície.

Um caso similar ocorreu no Peru em 1988, quando o submarino BAP Pacocha naufragou após um acidente com um navio japonês, no qual morreram oito marinheiros peruanos. Uma equipe de 150 homens, 70 deles mergulhadores do Serviço de Salvamento da Marinha peruana, trabalhou durante mais de um ano para trazer à tona a embarcação. A proa do submarino emergiu em julho de 1989, informou a Marinha no seu website.

“Os submarinos têm profundidades de prova, operação e colapso. Quando uma das embarcações cai em uma profundidade superior à sua profundidade de colapso, a esperança diminui”, explicou o CMG Mauricio. “A ajuda pode chegar imediatamente, mas às vezes as consequências podem ser nefastas, como ocorreu na tragédia do ARA San Juan.”​​​​​​​ 

Interoperabilidade e organização

A questão da interoperabilidade entre os países participantes de uma missão de busca e resgate atraiu a atenção dos participantes da conferência. Em uma emergência, oito marinhas do mundo unem seus esforços em diferentes áreas: o Reino Unida orienta a área técnica, o Canadá comanda a de medicina e os Estados Unidos lideram a operacional. Na parte aérea e de mobilidade atuam Suécia, Noruega, Japão, Austrália, França e Estados Unidos.

A Marinha de Guerra do Peru se prepara para essas situações. A Força de Submarinos treina com o apoio do Centro de Aprendizado Submarino no controle de avarias, navegação, estações de primado (onde se equilibra o submarino para que ele volte à superfície) e manobras táticas de superfície.

“Há mais de 15 anos enviamos unidades submarinas aos Estados Unidos para sua capacitação. Cada unidade leva 45 homens”, disse o CMG Mauricio. “Em novembro de 2019, haverá um exercício multinacional de resgate realizado pela Marinha Real Australiana; será proveitoso se pudermos participar”, finalizou.

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