Peru se destaca na missão humanitária Associação do Pacífico

Dois oficiais peruanos se juntaram à maior missão de preparação e resposta a desastres do Indo-Pacífico.
Gonzalo Silva Infante/Diálogo | 29 maio 2019

Relações Internacionais

O Capitão-Tenente da Marinha de Guerra do Peru John Gamarra Bravo (esq.) recebe treinamento de resposta tática a bordo do USNS Brunswick, durante a missão Parceria do Pacífico 2019. (Foto: Segundo-Sargento da Marinha dos EUA Tyrell Morris)

Dois membros das Forças Armadas do Peru puseram suas capacidades à disposição da Frota do Pacífico da Marinha dos EUA para o exercício multinacional Parceria do Pacífico 2019 (Pacific Partnership, em inglês). O exercício anual de resposta às crises humanitárias foi realizado entre os dias 1º de março e 1º de junho na região do Indo-Pacífico.

Os oficiais da Marinha de Guerra do Peru, o Capitão-Tenente Omar Vicente García, chefe da Companhia de Intervenção Rápida para Riscos e Desastres do Batalhão de Engenharia e Infantaria, e o Capitão-Tenente John Gamarra Bravo, médico especializado em urologia, foram os únicos representantes militares da América Latina. Mais de 500 militares da Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Japão, Malásia, Peru, Reino Unido e Tailândia uniram seus esforços para a missão de três meses.

O objetivo do exercício é melhorar a interoperabilidade e as capacidades de resposta diante de catástrofes dos países da região do Indo-Pacífico. Além disso, a missão busca levar apoio humanitário aos países visitados – neste caso os Estados Federados da Micronésia, Filipinas, Ilhas Marshall, Malásia, Tailândia, Timor Leste e Vietnã – e permite oferecer estabilidade e segurança para a região.

“Durante as paradas, equipes especializadas em diversas áreas se baseiam nas experiências de cada um para configurar as habilidades, as capacidades e os conhecimentos para a preparação e resposta em situações de desastres”, disse à Diálogo o Capitão de Mar e Guerra da Marinha dos EUA Randy Van Rossum, comandante da missão Parceria do Pacífico 2019. “Quando nos entendemos, podemos ser mais efetivos quando ocorram desastres.”

Oferecendo apoio

Para a missão, a Frota do Pacífico destacou os navios de transporte expedicionário USNS Fall River (T-EPF 4) e USNS Brunswick (T-EPF 6) da Base Naval de Guam, no território dos EUA no Pacífico ocidental. Ao chegarem à ilha, os oficiais peruanos, que embarcaram cada um em um navio, receberam capacitação em ajuda humanitária, prevenção de ataques, tráfico de pessoas. Eles também aprenderam sobre as normas da operação e os critérios de segurança.

Em cada parada, os oficiais se reuniram com seus homólogos dos países anfitriões e com o pessoal das agências de segurança dos governos e organizações não governamentais. Membros da missão ofereceram seminários de resposta diante de catástrofes e sobre saúde, bem como treinamentos para a preparação ante desastres. Também participaram de vários projetos, de acordo com as necessidades dos países, tais como reformas de escolas e instalação de sistemas de água potável e filtragem, entre diversas outras atividades.

O Capitão-Tenente da Marinha de Guerra do Peru Omar Vicente García (dir.) foi um dos oficiais peruanos que participaram do exercício multinacional Parceria do Pacífico 2019, na região do Indo-Pacífico. (Foto: Arquivos pessoais do CT García)

“[No Peru] já participei de ações cívicas, campanhas médicas, odontológicas e de prevenção de doenças em áreas remotas. Isso nos capacitou para solucionar problemas utilizando o mínimo indispensável”, disse à Diálogo o CT Gamarra a bordo do USNS Brunswick. “Trabalhar com profissionais de saúde da Marinha dos EUA é impressionante devido à capacidade de resposta que eles têm diante de problemas tais como as doenças tropicais.”

Os participantes também realizaram exercícios no terreno para testar as suas capacidades de interoperabilidade. Por exemplo, em Tacloban, Filipinas, os militares enfrentaram a simulação de um terremoto de magnitude 8.5 na escala Richter, enquanto se submetiam a um exercício de evacuação médica, como parte de uma simulação com uma grande quantidade de vítimas em Kuching, na Malásia.

“Esse trabalho é muito útil para o Peru”, disse à Diálogo o CT Vicente no USNS Fall River. “Após observar como os outros países realizam seus trabalhos, poderei levar à Marinha [do Peru] um relatório sobre como poderemos melhorar, porque o país está passando por problemas similares.”

O CMG Van Rossum destacou a importância de se realizarem missões multinacionais tais como a Parceria do Pacífico para reforçar a cooperação regional. Além disso, o exercício permitiu reforçar os laços de amizade entre as forças participantes.

“Cada país tem diferentes experiências com desastres naturais, o que nos oferece diversas capacidades”, disse o CMG Van Rossum. “É importante para os nossos países amigos, como o Peru, estar envolvidos diretamente nas linhas de esforços específicas do exercício Parceria do Pacífico 2019. Temos a sorte de contar com dois oficiais peruanos que fazem parte de duas linhas de atividades: médica e de ajuda humanitária e em desastres.”

Mais fortes juntos

O exercício Parceria do Pacífico começou em 2006 e foi motivado pelo terremoto e tsunami de dezembro de 2004, que açoitaram a Indonésia e causaram a morte de mais de 200.000 pessoas. Na sua 14ª edição, o exercício já evoluiu, passando de uma missão de assistência direta para uma operação concentrada no fortalecimento da parceria.

O sucesso da iniciativa se dá pela participação de várias nações parceiras, as quais, ao receberem um convite da Frota do Pacífico, oferecem suas experiências e conhecimentos. “Contar com os países amigos da região latino-americana para aprender as melhores práticas e compartilhar experiências em diferentes campos de preparação para desastres e resposta [na ocorrência de desastres] aumenta a cooperação”, concluiu o CMG Van Rossum. “Somos mais fortes quando trabalhamos juntos.”

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