Peru participa do exercício multinacional anfíbio Dawn Blitz

Os Fuzileiros Navais e a unidade de superfície da Marinha de Guerra do Peru estarão no exercício multinacional anfíbio DB-17.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 14 março 2017

Relações Internacionais

A Marinha de Guerra do Peru treinará no Dawn Blitz 2017 para participar de forma ativa da edição de 2019. (Foto: MGP)

Devido ao convite da Terceira Frota da Marinha dos Estados Unidos, a Marinha de Guerra do Peru (MGP) assistirá ao exercício multinacional anfíbio Dawn Blitz 2017 (DB-17) como observadora, com o objetivo de consolidar sua participação ativa.

Por sua complexidade, o exercício anfíbio exige uma atividade elaborada de planejamento e coordenação. Neste contexto, as autoridades norte-americanas projetaram três conferências prévias ao desenvolvimento do treinamento naval. A conferência inicial ocorreu entre 11 e 13 de janeiro. A segunda conferência será de 13 a 17 de março e a conferência final está programada para 22 a 24 de agosto. O exercício naval bienal ocorrerá de 16 a 30 de outubro em San Diego, na Califórnia.

Na primeira conferência de preparação, os militares formaram as diversas unidades navais e de fuzileiros navais que participarão do evento. Os participantes delinearam o possível cenário do encontro naval internacional e as tarefas e atividades a serem desenvolvidas no treinamento, além dos meios e necessidades logísticas para realizar o treinamento mútuo entre as nações participantes. Por exemplo, o México chegará com dois navios e várias aeronaves.

Durante a conferência, as forças norte-americanas comunicaram às marinhas participantes sobre “a utilização da aeronave F-35 em apoio aos fuzileiros navais durante o exercício de desembarque anfíbio para conseguir os objetivos propostos”, disse à Diálogo o Capitão-de-Fragata Hanna Eduardo Samaan de la Torre, chefe de operações da Força de Infantaria da MGP. A aeronave F-35 pode realizar aterrissagens e decolagens verticais em espaços com pouco espaço para manobras.

“Do ponto de vista do desenvolvimento, o uso desta tecnologia é bem-vinda. As novas ameaças não são apenas o terrorismo, o narcotráfico ou outro tipo de pirataria que se realize na região. Também são novas ameaças o desenvolvimento da tecnologia que as organizações criminosas utilizam”, comentou à Diálogo o Almirante-de-Esquadra (R) Jorge Montoya Manrique, integrante do Conselho Consultivo do Comandante Geral da Marinha peruana. “Estes agrupamentos têm muito dinheiro para investir em tecnologia de ponta e transformar o Pacífico em uma fogueira. É importante não perder isto de vista.”

O exercício patrocinado pela Marinha dos Estados Unidos tem o objetivo de treinar sua Marinha e seu Corpo de Fuzileiros Navais, enquanto constroem as capacidades de reação e resposta operacional das forças marítimas parceiras participantes. O DB-17 colocará as unidades militares à prova no planejamento e na execução de operações anfíbias.

Nações parceiras

As unidades navais e de fuzileiros navais dos EUA e do México contribuirão com uma ampla gama de embarcações, aeronaves e pessoal, que utilizarão as últimas tecnologias e técnicas de exercícios para conseguir um bom treinamento no mar e em terra. Devido à participação das marinhas do Chile e da Colômbia no Dawn Blitz 2015, observadores do Peru, da Colômbia e do Chile também participarão da edição 2017 do evento.

O Ministério da Defesa peruano aprovou a participação de três fuzileiros navais e dois oficiais qualificados em superfície da MGP. Os oficiais serão integrados ao Estado-Maior Conjunto da Força Multinacional do exercício naval. Eles participarão das seções de operações, logística e aviação, “para contribuir com nossa experiência no planejamento conjunto e com detalhes sobre todas as atividades ou ações concretizadas durante e depois de um desembarque anfíbio”, informou o CF De la Torre, que participou da conferência inicial de planejamento.

Os oficiais peruanos terão a oportunidade de conhecer a logística sobre como realizar um desembarque anfíbio multinacional. (Foto: MGP)

Desde que a Dawn Blitz começou, em 2010, a Marinha peruana participa de forma intermitente como observadora. “O convite do Comando Sul dos EUA para participar do exercício multinacional tem o objetivo de colaborar no futuro. Possivelmente, vamos começar a participar da força de desembarque e das comunidades de superfície na versão 2019”, comentou o CF De la Torre.

“Com o tempo, a MGP aumentará suas participações, passando de observador a ativo. É essencial que a instituição naval mantenha seu desempenho no campo internacional como vem fazendo”, disse o Alte Esq Montoya.

As práticas de operações anfíbias complexas e de interoperabilidade são desenvolvidas em um ambiente estressante e difícil, que proporciona aos participantes peruanos a oportunidade de conhecer táticas, técnicas e procedimentos sobre a realização de um desembarque anfíbio multinacional, para compartilhar o que foi aprendido com outros oficiais em suas unidades.

A doutrina e a interação serão os desafios imediatos durante o desenvolvimento do DB-17. “Conseguir ter uma doutrina comum e enriquecê-la com as experiências de cada um dos países participantes do exercício não é fácil”, comentou o Alte Esq Montoya. “O grande desafio dentro de um desembarque anfíbio sempre é interagir conjuntamente com as forças de superfície e com os fuzileiros navais”, acrescentou o CF De la Torre.

Preparação contínua

Em outubro de 2016, uma equipe do recém-formado Batalhão de Engenharia do Corpo de Fuzileiros Navais da MGP participou do exercício Koa Moa 2016, como parte da preparação do batalhão para o exercício multinacional UNITAS 2017, o exercício de maior trajetória da Marinha dos EUA, que tem o objetivo de capacitar e aumentar a interoperabilidade das marinhas latino-americanas.

Além disso, pela primeira vez, o Peru esteve no comando do componente marítimo do exercício PANAMAX 2016, um exercício multinacional anual organizado pelo SOUTHCOM, cuja missão é proteger a segurança do canal do Panamá e as áreas ao redor.

“Dawn Blitz, UNITAS e PANAMAX são como um canal de transferência para realizar operações reais com muita segurança e convicção”, disse o CF De la Torre. “Também ajudam a fazer uma América maior no final”, acrescentou o Alte Esq Montoya.

O Peru constrói dois navios multipropósitos para o apoio à tropa. “O desenvolvimento das nossas capacidades acompanha o desenvolvimento desses exercícios multinacionais”, comentou o CF De la Torre. “Em alguns anos, a MGP poderá participar com este tipo de unidade [na Dawn Blitz 2019]. Todos queremos a paz, mas ela é construída com passos decididos”, concluiu o Alte Esq Montoya.

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