Peru reforça sua estratégia contra desastres naturais

A Marinha de Guerra do Peru responde a desastres naturais e oferece ajuda humanitária com bases modulares móveis.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 14 março 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A Marinha de Guerra do Peru instalou uma base modular para trabalhos de ajuda humanitária diante de qualquer desastre natural, na província de Huarochirí, Lima. (Foto: Marinha de Guerra do Peru).

Por sua localização geográfica, o território peruano está exposto ao impacto de vários fenômenos que causam desastres naturais. Por isso, a Marinha de Guerra do Peru instalou em 1º de fevereiro de 2018 uma Base Modular Móvel (BMM) no distrito Ricardo Palma, departamento de Lima, que funcionará como centro logístico e de serviços básicos para apoiar a população afetada perante qualquer desastre natural.

“A instalação das bases modulares responde ao objetivo principal de [poder] estabelecer-nos no menor tempo possível em qualquer ponto do território onde se apresente uma situação de desastre ou emergência”, disse à Diálogo o Contra-Almirante Manuel Bulnes Torres, comandante do Corpo de Fuzileiros Navais do Peru. “Contamos com instalações que podem abrigar pessoal capacitado em tarefas de resgate em estruturas desmoronadas, remoção de escombros, evacuação de feridos e qualquer outra atividade necessária.”

Além da unidade, a instituição naval conta com duas bases modulares adicionais. Uma está localizada na Estação Naval de Paita, na zona norte. A outra está na Base Naval do Callao e será posicionada na zona sul do país.

“Contaremos com as BMM distribuídas no norte, centro e sul do país”, informou à Diálogo o Capitão-de-Fragata da Marinha de Guerra do Peru Ricardo Ingunza, comandante do Batalhão de Engenharia e responsável pelo Sistema Nacional de Gestão de Desastres do Corpo de Fuzileiros Navais. “Assim, poderemos enfrentar possíveis emergências.”

As bases móveis destinadas ao Batalhão de Engenharia de Fuzileiros Navais 2º Tenente Juan José Jordán de Vivero participam de operações de apoio ao Sistema Nacional de Gestão de Risco de Desastres, transformando-se na unidade de primeira resposta. As unidades modulares podem ser complementares se a magnitude do desastre assim o exigir. A primeira vez que se instalou uma dessas unidades foi em 2017, no distrito de Chaclacayo, província de Lima.

“Graças às BMM, aprimoramos nossas capacidades de oferecer melhor habitabilidade ao nosso pessoal e, desta forma, estarmos prontos caso ocorra qualquer situação de desastre”, ressaltou o C Alte Bulnes. “Além disso, são um ponto de suporte logístico e centro de operações de onde é possível planejar as ações de forma coordenada com as autoridades locais na área do incidente.”

Os benefícios

A BMM de Huarochirí, a oeste de Lima, reúne as condições de bem-estar, segurança e serviços básicos; ela conta com um recipiente para tratamento de água doce e águas residuais, geladeiras e congeladores. Também tem duas estações de força que geram 50 quilowatts cada uma, um contêiner de água doce com capacidade para 5.000 galões e um tanque de combustível de 1.300 galões, além de um armazém e um posto de comando.

As bases modulares móveis da Marinha de Guerra do Peru oferecem uma habitabilidade melhor ao pessoal naval, que está pronto para qualquer emergência nas zonas norte, centro e sul do país. (Foto: Marinha de Guerra do Peru).

Ela conta, também, com um módulo para comunicações por voz e dados, com capacidade para conectar videoconferências em nível nacional. A área necessária para uma BMM é de 4.200 metros quadrados e os suprimentos e materiais podem ser movimentados com as duas máquinas elevadoras de carga tipo Bobcat que fazem parte do equipamento.

As bases modulares estão conectadas às empresas de intervenção rápida para desastres, criadas pelo Batalhão de Engenharia de Fuzileiros Navais. As empresas estão estruturadas por três elementos básicos: de comando, de manobra e logístico.

O primeiro é composto pelo pessoal necessário para o funcionamento e a operação do posto de comando, onde são realizadas funções parecidas com as de um estado-maior, tais como administração de pessoal, operações, monitoramento de desastres ou emergências, logística, comunicações e assuntos civis. O segundo, o elemento de manobra, é o encarregado de realizar as tarefas de apoio direto à população por meio de suas seções de segurança, busca e resgate, remoção de escombros e evacuação de feridos. No terceiro, estão as BMM, elementos de mobilidade atribuídos e pessoal responsável por oferecer suporte a toda a unidade mobilizada que, em conjunto, ultrapassam 100 militares.

“As BMMs são apenas uma parte dos recursos destinados para enfrentar os desastres”, acrescentou o C Alte Bulnes. “Por meio dos navios BAP Eten e BAP Tacna da Marinha de Guerra do Peru é realizada a mobilização da Força de Intervenção Rápida. As embarcações estão em condições de transportar ajuda humanitária a outros setores costeiros do país que necessitem.”

A partir da experiência

Historicamente, durante os meses de janeiro a abril, acontecem situações de perigo na área da bacia do rio Rímac, resultantes das chuvas na serra. “Estas condições poderiam gerar situações de desastre por deslizamento e a obstrução da estrada central, que é de vital importância para o abastecimento da capital”, disse o C Alte Bulnes.

A mobilização operacional frente aos desastres provocados pelo fenômeno climatológico El Niño Costero em 2017, “colocou em evidência a eficácia dos recursos humanos e materiais com os quais conta a Brigada Anfíbia do Corpo de Fuzileiros Navais”, explicou o C Alte Bulnes. “Ficou evidente a alta capacitação do pessoal em benefício da população afetada.”

Com a experiência de 2017 e devido aos prognósticos emitidos pelo Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Peru, decidiu-se mobilizar a terceira BMM e estabelecê-la na província de Huarochirí. A base está pronta para oferecer ajuda se a situação o exigir. Por enquanto, o pessoal executa trabalhos de prevenção em apoio à população local, em estreita coordenação com as autoridades locais.

“Os desastres naturais foram reconhecidos no âmbito internacional como uma ameaça ao Estado e à defesa nacional, dado seu grande poder destrutivo. Eles afetam o desenvolvimento da vida humana e a infraestrutura que sustenta o desenvolvimento econômico do país. [Assim] nasce a necessidade de emprego das forças armadas ante a ocorrência de situações de desastre”, finalizou o CF Ingunza”.

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