Peak alça voo

Uma nova tecnologia coloca a assistência humanitária e de desastre perto de onde é necessária, antes que uma emergência ocorra
Print | 1 janeiro 2012

Acima: Um helicóptero Chinook CH-47 transporta um sistema modular PEAK da Base Aérea hondurenha Coronel José Enrique Soto Cano. A unidade pode funcionar como um sistema integrado ou como componentes individuais, tornando-se uma solução crítica no rescaldo de uma situação de emergência. [FORÇA TAREFA CONJUNTA BRAVO]

Se não fosse o movimento das pás do rotor, pareceria que o helicóptero CH-47 Chinook da Força Aérea dos EUA flutuava congelado em uma pose majestosa. Em terra, quatro militares fixam grossas correntes para suspender uma caixa de 3,26 toneladas a partir do corpo da aeronave. Os homens verificam os acoplamentos para se certificar que tudo está em ordem, e só depois o Chinook levanta voo com sua preciosa carga.

Desta vez, a viagem será breve. Em poucos minutos, a caixa irá retornar à Base Aérea Coronel José Enrique Soto Cano, sede da Força Aérea de Honduras, da Academia da Força Aérea do país e da Força Tarefa Conjunta Bravo (JTF-Bravo).

Essa é uma demonstração operacional dos Kits Pré-posicionados de Assistência Expedicionária (PEAK, por sua sigla em inglês), um sistema modular projetado para fornecer às equipes de resposta a desastres serviços essenciais e sustentáveis, como água potável, comunicações, energia elétrica, e que podem permitir um melhor entendimento da situação durante as 72 primeiras horas após um terremoto, um furacão, um deslizamento de terra ou qualquer outra emergência.

UMA IDEIA SE TORNA REALIDADE

O PEAK originou-se de uma iniciativa da Divisão de Ciência, Tecnologia e Experimentação do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) para criar um sistema que pudesse fortalecer a capacidade das nações parceiras da América Latina em responder a desastres naturais. A ideia se tornou realidade com o financiamento do Gabinete do Secretário de Defesa dos EUA (OSD, por sua sigla em inglês) e a assistência técnica do Centro de Tecnologia e Política de Segurança Nacional da Universidade de Defesa Nacional, com sede em Washington, DC.

Elmer L. Roman, o executivo de supervisão para construção de parcerias na Unidade de Rápido Provisionamento de Campo da OSD, explicou que o departamento apoia as agências civis que oferecem ajuda a outros países quando ocorrem desastres naturais. O PEAK permite que o Departamento de Defesa dos EUA auxilie de forma mais eficaz organismos como a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional e o Departamento de Estado quando recebem pedidos de colaboração de outros países.

O Exército de Honduras e o contingente militar dos EUA aprendem a operar o sistema Aspen 2000, que purifica água. [SANDRA JOHNSON/DIÁLOGO]

O conceito, lançado em março de 2010, centrava-se nas lições aprendidas durante o terremoto que atingiu o Haiti em 2010. O terremoto no Haiti inspirou a ideia de criar um sistema que possa ser pré-posicionado em regiões propensas a desastres naturais, como a América Central, ou possa ser enviado com antecedência quando, por exemplo, se verifica que um furacão violento vai atingir uma área específica.

ASSISTÊNCIA IMEDIATA

O PEAK pode fornecer assistência às equipes de resposta a desastres durante os primeiros três dias após um desastre natural. Durante este período crítico, ocorre uma série de fatores, como interrupção do serviço elétrico, contaminação do abastecimento de água e problemas de comunicação, entre outros. O PEAK pode fornecer smartphones e permitir que os socorristas tirem fotos, gravem clips de áudio, e escrevam mensagens de texto marcadas com coordenadas de posicionamento global, e as envie para um servidor centralizado em uma Rede de Área Global de Banda Larga. “O sistema permite que os primeiros socorristas coletem informações que servirão como um guia para uma resposta mais ampla”, afirmou Phil Stockdale, gerente técnico responsável pelo projeto, em nome da Universidade Nacional de Defesa.

De qualquer local do mundo, os usuários autorizados podem realizar pesquisas através da interface do Relatório de Campo Tático (TiGR, por sua sigla em inglês) de fácil assimilação e operação, desenvolvido pela Agência de Projeto e Pesquisa Avançada de Defesa, a mesma agência responsável pelo início da Internet há 40 anos. O TiGR marca a localização em um mapa de satélite onde os socorristas capturam a informação.

Em menos de um ano, a equipe dirigida por Stockdale projetou, construiu e testou o sistema PEAK em Honduras. A primeira versão foi submetida a testes rigorosos em fevereiro de 2011, na JTF-Bravo, graças ao interesse demonstrado pelos comandantes de base e do governo da nação, que enviou equipes com experiência em situações de emergência.

No final de agosto e início de setembro de 2011, após a implementação das modificações sugeridas pelos operadores do sistema, o grupo técnico voltou à JTF-Bravo para o teste de campo final. “O sistema PEAK pretende construir capacidades de nações parceiras”, afirmou o Tenente-Coronel John Ferrell, gerente de operações do projeto do SOUTHCOM, que descreveu a cooperação entre a JTF-Bravo, as Forças Armadas de Honduras, e a agência de gestão de emergência federal de Honduras como “primordial”.

Durante a demonstração do PEAK, no início de setembro de 2011, Roman anunciou que os dois primeiros kits do sistema serão posicionados na Base Aérea de Soto Cano. O PEAK suporta ajuda humanitária, socorro, combate ao narcotráfico e desenvolvimento de capacitação das nações parceiras da América Central. Ele será usado pela Equipe de Pesquisa e Avaliação da América Central da JTF-Bravo, quando as circunstâncias o exigirem e, quando qualquer um dos sete países da América Central solicitar assistência de acordo com o Tenente-Coronel Keith Pritchard, Comandante do Batalhão das Forças Armadas dos EUA da JTF-Bravo.

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