Nações parceiras fortalecem defesa aérea contra narcotráfico

Oficiais da América Latina e do Caribe reforçam conhecimentos contra aeronaves a serviço do crime transnacional.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 24 abril 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A Força Aérea Colombiana ajuda países do Caribe e da América Central a fortalecer conhecimentos, táticas, técnicas e procedimentos de defesa aérea para combater o narcotráfico. (Foto: Força Aérea Colombiana)

A Força Aérea Colombiana (FAC), por meio da Escola do Sistema de Defesa Aérea Nacional (ESDAN) capacitou, nos últimos cinco anos, um total de 1.830 oficiais e suboficiais nacionais e internacionais com um programa de controle aéreo. A missão é a de fortalecer os sistemas de defesa e detectar de forma eficaz os voos ilícitos de drogas na América Central, no Caribe e na Colômbia. Os treinamentos são realizados no Comando Aéreo de Combate Nº 1 da FAC, em Cundinamarca.

“A Colômbia é uma referência mundial na luta contra o narcotráfico por seus resultados”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel da FAC Juan Diego Páez González, diretor da ESDAN. “Nossas forças militares possuem ampla experiência e conhecimentos, que compartilhamos com outros países, para que a ameaça não afete a segurança regional.”

A instituição realizará dez cursos, em 2018, para reforçar regionalmente os conhecimentos, as táticas, as técnicas e os procedimentos de defesa aérea. O programa de capacitação é parte do Plano de Ação de Cooperação em Segurança Regional Colômbia-Estados Unidos para a América Central e o Caribe, uma iniciativa do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) e do Ministério da Defesa da Colômbia.

“O governo dos Estados Unidos, por meio do SOUTHCOM, tornou-se o aliado estratégico da iniciativa”, garantiu o Ten Cel Páez. “Os EUA fornecem os recursos econômicos, enquanto a Colômbia oferece sua experiência e lições aprendidas com treinamentos aos países que precisarem.”

Programa de defesa aérea

Os militares e agentes de segurança da Colômbia, da Costa Rica, de El Salvador, da Guatemala, de Honduras, da Nicarágua, do Peru e da República Dominicana, capacitados entre 2013 e 2017, adquiriram conhecimento em doutrina operacional, defesa aérea, normatividade, controle do tráfico ilícito e contexto estratégico e legal. Eles também fizeram treinamento em segurança aérea, análise e acompanhamento do tráfico ilícito, cenários simulados, exercícios em terra e direito internacional.

“Há pouco tempo para bloquear o voo de uma aeronave ilícita”, disse o Ten Cel Páez ao explicar que o programa de defesa aérea é formado por diferentes cursos. “Os alunos aprendem a fazer cálculos no radar e a cumprir, passo a passo, todos os procedimentos de interceptação estabelecidos pela norma mundial OACI [Organização Internacional de Aviação Civil] para interceptar aeronaves civis com um avião militar.”

A Escola do Sistema de Defesa Aérea Nacional da Força Aérea Colombiana tem um programa de controle do espaço aéreo para treinar centenas de oficiais e suboficiais latino-americanos a lutarem contra as redes de tráfico de drogas. (Foto: Força Aérea Colombiana)

“Ficamos impressionados com os procedimentos de interdição aérea da FAC”, disse à Diálogo o agente Brayan Arrieta, operador de vigilância do Centro de Monitoramento Tático da Costa Rica, que participou do curso de defesa aérea realizado em outubro de 2017. “Tudo está estritamente regulamentado e controlado sobre como a operação deve ser realizada.”

Outros cursos que fazem parte do programa acadêmico de defesa aérea são: vigilância do espaço aéreo; rastreamento e análise de aeronaves; administração do espaço aéreo; e comando e controle. Do total de alunos capacitados nos últimos cinco anos, 200 eram estrangeiros.

“Graças ao treinamento, desenvolvemos habilidades primordiais de comunicação, análise [da informação], cooperação e coordenação”, destacou o agente Arrieta. “Aprendemos como direcionar nossos recursos ao objetivo, para facilitar o trabalho de rastreamento de aeronaves que transportam drogas ou violam as normas de voo vigentes em nossos países e na região.”

Alianças e convênios

“A instrução que a ESDAN oferece deve estar de acordo com a realidade regional. O narcotráfico muda, assim como todos os tipos de crimes. Durante todo o tempo, [os criminosos] modificam suas técnicas para evitar serem capturados ou neutralizados. Os voos ilegais mudam de país a país todos os meses”, destacou o Ten Cel Páez. “O narcotráfico, o tráfico ilícito aéreo e o crime transnacional são delitos que continuam vigentes.”

A região do Caribe e da América Central é a principal rota utilizada pelo narcotráfico para transportar cocaína para os Estados Unidos e a Europa, segundo o Relatório Mundial sobre as Drogas de 2016, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. Apesar da maioria dos carregamentos de drogas serem transportados por via terrestre e marítima, há uma porcentagem importante feita por aviões pequenos, que sobrevoam o céu centro-americano, destacou o relatório.

“O esforço conjunto entre os Estados Unidos e a Colômbia mostra à região como lutar contra as adversidades”, disse o Ten Cel Páez. “Quanto mais alianças e convênios tivermos com os países irmãos, maior será a redução da incidência de trajetos aéreos, não apenas nacionalmente, mas também na América Latina”, acrescentou o agente Arrieta.

A ESDAN busca o apoio de agências internacionais que lutam contra as drogas. “A Colômbia também quer compartilhar suas experiências com países da América do Sul, porque o problema dos voos ilegais continua igual”, disse o Ten Cel Páez. Essa ideia é compartilhada pelo agente Arrieta, para quem “a cooperação, a troca de informações e a convivência nos cursos é o mais importante para sermos contundentes nas operações de defesa aérea, com rigoroso respeito aos direitos humanos.”

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