Marinhas de nações parceiras melhoram sua capacidade de segurança marítima

Oficiais navais de quatro países sul-americanos consolidam conhecimentos em segurança e defesa de trânsito marítimo no OCONTRAM 2018.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 30 maio 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Sete oficiais latino-americanos consolidaram conhecimentos de segurança marítima e relações entre instituições dedicadas ao mar, com o curso OCONTRAM 2018, na Escola Nacional de Náutica da Marinha Argentina. (Foto: Marinha Argentina).

Uma equipe integrada por sete oficiais das marinhas da Argentina, do Chile, da Colômbia, do Paraguai e da Prefeitura Naval Argentina reafirmou seus conhecimentos em segurança marítima para a realização de operações de controle naval. O Curso Internacional de Oficial de Controle Naval de Tráfego Marítimo (OCONTRAM) foi realizado entre 12 e 23 de março de 2018, na Escola Nacional de Náutica Manuel Belgrano, da Marinha Argentina, em Buenos Aires.

“Os oficiais foram treinados para guiar, apoiar e defender o tráfego marítimo, recebendo também educação em direito do mar e no entendimento do mundo da marinha mercante e pesqueira”, disse à Diálogo o Capitão-de-Fragata Sergio Daniel Hoj, chefe de operações do Comando Local de Controle Operacional da Marinha Argentina. “As aulas teóricas e práticas, ministradas a cada ano pelo Comando Naval de Tráfego Marítimo da Marinha, estão abertas a todos os países do mundo.”

Vantagens

A capacitação abrange os conceitos e procedimentos vigentes empregados para a condução de operações de proteção e segurança do trânsito marítimo, em tempos de crise ou de conflito armado. Além disso, ela faz parte da fase de preparação do Plano de Coordenação para a Defesa do Tráfego Marítimo Interamericano, ao qual pertence a maioria das marinhas do hemisfério ocidental, visando o desenvolvimento de cursos que possibilitem uma instrução padronizada entre as marinhas.

Durante duas semanas, os alunos se especializaram na preparação de mensagens; eles aprenderam a operar o sistema Atria de criptografia de mensagens, que possui um sistema de proteção e discrição no processamento da comunicação. Além disso, eles praticaram o sistema naval de informações de envio mercantil, para trabalhar em situações de crise, enquanto observam sua evolução em cada uma de suas áreas de responsabilidade.

Oficiais das marinhas da Argentina, do Chile, da Colômbia, do Paraguai e da Prefeitura Naval Argentina foram capacitados durante duas semanas no Curso Internacional de Oficial de Controle Naval de Tráfego Marítimo, oferecido pelo Comando Naval de Trânsito Marítimo da Marinha Argentina. (Foto: Marinha Argentina).

“Identificamos como é realizada a transferência de informações entre as diferentes entidades de Controle de Tráfego Marítimo e entre os países”, comentou à Diálogo o 2º Tenente da Marinha do Chile Alejandro León Solari, chefe do Departamento de Segurança e Operações Marítimas do Governo Marítimo de Iquique. “Todos os alunos apresentamos nossos sistemas de trabalho em nossas instituições, estabelecendo relações e comparações.”

Impacto direto

Os formados do curso adquiriram ferramentas para interagir no porto e em um Estado-Maior, entre a comunidade marítima e a força naval, para que possam oferecer segurança e defesa do tráfego marítimo em caso de ameaças regionais. “O conhecimento dessas habilidades permitirá que os oficiais concretizem o processo de informações sobre movimentos de navios no mar, vias navegáveis e portos [militares, mercantes, pesqueiros e científicos]”, afirmou o CF Hoj.

“A interação e o intercâmbio dos métodos de trabalho dos países no controle do tráfego marítimo nos ajuda a melhorar nossos processos e conseguir um desempenho melhor durante os exercícios internacionais”, expressou o 2º Ten León. “A chave para o sucesso no controle naval do tráfego marítimo é manter boas relações entre os países. Isso contribui para uma transferência de informações mais eficaz e, assim, para um controle positivo do panorama de superfície.”

O OCONTRAM é um pilar fundamental para as instituições que realizam tarefas de controle marítimo. “Sem dúvida, a coordenação e cooperação entre as diferentes organizações potencializam os resultados obtidos em matéria de segurança no Atlântico Sul e nas vias navegáveis interiores, que são de nossa responsabilidade”, manifestou o CF Hoj.

Além dos desafios acadêmicos para aprovar o curso, há outros desafios para assimilar tecnologias e tipos e formas diferentes de trabalho, que não são utilizados na realidade de cada país. “Desta forma, o esforço realizado por cada marinha é fortalecido e são solucionados os diferentes tipos de problemas que já não reconhecem fronteiras, deixando de ser nacionais para serem regionais, quando não globais”, concluiu o CF Hoj.

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