Forças armadas de nações parceiras apoiam Peru em inundações

O fenômeno El Niño Costero, que afeta o Peru, é o resultado de fortes tempestades provocadas pelo choque entre ondas de ar frio que vão na direção sul e de ar quente que se dirigem ao norte.
Pedro Francisco Hurtado Cánepa/Diálogo | 28 abril 2017

Resposta Rápida

As Forças Armadas do Peru têm em Piura um trabalho árduo para resgatar dezenas de pessoas que foram vítimas das chuvas, huaicos e inundações. (Fotos: Força Aérea do Peru)

Chuvas intensas, huaicos (avalanches, em quechua) e inundações vêm afetando várias regiões do Peru desde janeiro de 2017, devido à presença do fenômeno El Niño Costero, que consiste no aquecimento anormal do oceano devido à diminuição das correntes de ar frio que percorrem o litoral do Pacífico do sul ao norte. Esse acontecimento permite que os ventos quentes, provenientes do Equador, entrem com maior intensidade, causando um aumento do aquecimento do mar, normalmente frio, a cerca de 21 graus Celsius. Isso causa a evaporação da água e, como consequência, fortes tempestades, de acordo com a página da internet do Estudo Nacional sobre o Fenômeno “El Niño”, um conjunto de instituições dedicadas à pesquisa científica dessa anormalidade atmosférica.

Os dois aviões C-130 Hércules da Força Aérea dos EUA ajudam no transporte de ajuda humanitária e pessoal para as áreas afetadas pelas inundações. (Foto: Relações Públicas do Comando Sul dos EUA)

Segundo o último boletim do Centro de Operações de Emergência Nacional correspondente à primeira semana de abril de 2017, o número de pessoas afetadas aumentou para quase 1,2 milhão. O relatório mostra que, no total, 106 pessoas morreram e 213.845 casas foram afetadas pelos desastres naturais no âmbito nacional.

As forças armadas da Argentina, da Bolívia, do Brasil, do Chile, da Colômbia, do Equador, dos Estados Unidos e do México, entre outros, apoiam o vizinho Peru nas tarefas de ajuda humanitária e resgate. “O apoio recebido é muito variado, desde a entrega de suprimentos alimentares, alimentos imperecíveis, água, material médico, tanques de água, barracas, hospitais móveis, alimentos enlatados, transporte de pessoal para proteção civil (membros da brigada), roupas, cobertores e colchões, entre outros”, disse à Diálogo o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Mario Raúl Contreras León Carty, da Força Aérea do Peru, segundo comandante do Comando Operacional Aéreo. O comando tem a missão de planejar, organizar, dirigir e conduzir as operações e ações militares conjuntas das forças para o cumprimento das tarefas atribuídas no âmbito externo e interno.

“No caso da Colômbia, recebeu-se o apoio de [quatro] helicópteros, registrando-se um total de 18 dias de operações em março de 2017. A Força Aérea da Argentina enviou o avião C-130H TC64, que operou durante 11 dias no Peru. Quanto ao Chile, recebeu-se o apoio da aeronave da Força Aérea C-130H 991, que operou durante 15 dias entre março e abril de 2017. O Brasil ofereceu seu apoio com as aeronaves da Força Aérea Brasileira C-130H 2474 e FAB C-130H 2475, com 22 dias de operações entre março e abril. A Força Aérea dos EUA também ofereceu seu apoio com duas aeronaves, a USAF C-130J 45791 e a USAF C-130J 46312, durante um total de 14 dias”, garantiu o Ten Brig Contreras.

A Força Aérea do Brasil apoiou, durante 22 dias, as tarefas de resgate e apoio à emergência causada pelo fenômeno El Niño Costero. (Fotos: Força Aérea do Peru)

“Para a ajuda humanitária, contou-se com aeronaves da Bolívia, da Colômbia, do Equador e do México. Elas apoiaram pontualmente em pontes aéreas, transporte de garrafas e tanques de água, equipes de salvamento, resgate, hospitais móveis, colchões e pessoal de resgate”, acrescentou o Ten Brig Contreras.

Aeronaves contra o narcotráfico somadas ao trabalho de apoio

Uma das primeiras ações realizadas ao se conhecer o impacto da emergência foi destinar seis helicópteros peruanos e dez dos Estados Unidos, que são utilizados na luta contra o narcotráfico, para apoiar os cidadãos em ações de resgate e entrega de mantimentos e água às regiões mais afetadas pelas inundações e huaicos no país. “Os helicópteros das Forças Armadas norte-americanas fazem parte das operações contra o tráfico ilegal de drogas na bacia dos vales dos rios Apurímac, Mantaro e Marañón, a principal região de cultivo e elaboração de drogas do país. Essas aeronaves são pilotadas por peruanos”, informou Carlos Basombrío, ministro do Interior do Peru, em declarações feitas para a imprensa.

A Força Aérea da Colômbia apoia os trabalhos de resgate e ajuda humanitária às famílias afetadas no Peru. (Fotos: Força Aérea do Peru)

“Outros quatro helicópteros do [Ministério do] Interior estão sobrevoando várias regiões para identificar danos e entregar produtos de primeira necessidade e água, além do resgate de pessoas. Soma-se a isso a ajuda prestada com um avião [de carga] e três aviões leves”, acrescentou o ministro Basombrío.

Ajuda do norte

Em março de 2017, Brian A. Nichols, embaixador dos EUA no Peru, anunciou uma ajuda inicial ao Peru de US$ 525.000 para abastecimento de água e saneamento nas cidades afetadas pelos desastres. Somam-se a essa ajuda 13 Centros de Operações de Emergência Regional no valor de US$ 20 milhões, financiados no Peru pelo Programa de Assistência Humanitária do Comando Sul dos Estados Unidos.

“Estamos trabalhando ombro a ombro com o Peru diante dessa situação de emergência humanitária. O Peru não está sozinho. Somos solidários com o povo e o Governo do Peru e nos comprometemos a cooperar com a resposta à emergência e na recuperação do Peru”, disse o embaixador Nichols.

Segundo informações da Embaixada dos EUA no Peru, o Departamento de Defesa do país também doou US$ 270.000 para a compra de sistemas de purificação de água, geradores solares portáteis e bombas de água, distribuídas nas áreas afetadas. O Ministério da Defesa do Peru declarou a inamovibilidade dos integrantes das Forças Armadas e conta com cerca de 25.000 soldados peruanos no apoio à emergência.

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