Forças aéreas de nações parceiras compartilham conhecimentos de doutrina aérea

A Força Aérea Brasileira participou do 10º Seminário Internacional de Doutrina Aérea e Espacial promovido pela Força Aérea Colombiana.
Taciana Moury/Diálogo | 30 outubro 2018

Relações Internacionais

A Força Aérea Brasileira participou do 10º Seminário Internacional de Doutrina Aérea e Espacial promovido pela Força Aérea Colombiana.

A doutrina operacional desenvolvida pela Força Aérea Brasileira (FAB) foi apresentada para as forças aéreas de países da América Latina, do Canadá e da Espanha, durante o 10º Seminário Internacional de Doutrina Aérea e Espacial, realizado na cidade de Madrid, na Colômbia. O evento, que aconteceu entre 22 e 24 de agosto de 2018, foi organizado pela Escola de Suboficiais da Força Aérea Colombiana (FAC).

Representantes da Argentina, do Brasil, do Canadá, do Chile, da Colômbia, do Equador, da Espanha e da República Dominicana estiveram presentes. O objetivo do encontro foi difundir a doutrina de preparo e emprego do poder aeroespacial adotada pelos países participantes.

Para o Coronel Federico Bocanegra Bernal, diretor da Escola de Suboficiais da FAC, o evento reuniu participantes de alta qualidade técnica. O diretor destacou ainda a importância de se conhecer as doutrinas operativas das forças aéreas de nações parceiras para estabelecer canais de entendimento e cooperação entre elas. “A integração contribui inclusive para a interoperabilidade entre as forças, o que auxilia no combate às ameaças transnacionais que afetam o continente”, disse à Diálogo.

Foi a primeira vez que o Brasil participou do seminário internacional de doutrina. Segundo o Coronel Aviador da FAB Luiz Guilherme da Silva Magarão, adido aeronáutico do Brasil na Colômbia, o convite foi motivado pela parceria estratégica na região mantida entre os dois países. “A FAB tem sido convidada para participar de vários eventos operacionais, doutrinários e acadêmicos, sempre com presença destacada”, enfatizou o Cel Magarão. “O intercâmbio de conhecimento entre países amigos é muito positivo e tem motivado um incremento significativo das atividades bilaterais entre os dois países.”

Durante o seminário, os países participantes apresentaram as variações doutrinárias utilizadas, bem como as particularidades de cada doutrina e como se adequam às legislações específicas de cada país. Foi possível também estabelecer um diálogo acerca das adaptações necessárias do poder aéreo às novidades tecnológicas, tanto na área aeroespacial, como cibernética. “O emprego de aeronaves remotamente pilotadas ainda gera polêmica em praticamente todas as forças aéreas”, exemplificou o Cel Magarão.

Os militares discutiram ainda sobre a necessidade de adaptação das doutrinas das forças aéreas ao novo cenário de emprego no ciberespaço. O poder aéreo deve ser considerado como poder aeroespacial ou poder ciberaeroespacial. 

Reestruturação da FAB é apresentada

A FAB apresentou no seminário o seu novo processo de preparo operacional, bem como a reestruturação da força, iniciada em 2016, e seus significativos impactos positivos no cumprimento da missão constitucional. O Coronel Aviador da FAB Pedro Henrique Cavalcanti de Almeida, do Comando de Preparo (COMPREP), explicou durante a palestra como estão organizadas as áreas de preparo e emprego dentro da nova estrutura organizacional da FAB, após a reengenharia organizacional. 

O Coronel Federico Bocanegra Bernal, diretor da Escola de Suboficiais da Força Aérea Colombiana, dirigiu-se aos participantes do seminário, durante a abertura do evento. (Foto: Escola de Suboficiais da Força Aérea Colombiana)

Anteriormente, essas duas áreas de atuação estavam sob a responsabilidade do Comando Geral de Operações Aéreas (COMGAR), que foi extinto. Atualmente, o Comando de Operações Aeroespaciais é o responsável pelo emprego dos meios da FAB e o COMPREP define o preparo desses meios. Ambos foram recém-criados.

“O COMPREP não se limitou em herdar os processos antes geridos pelo COMGAR. Houve uma reestruturação e um realinhamento institucionais, de forma a otimizar o treinamento operacional e o desenvolvimento de doutrina, que constituem as duas atividades-fim do Comando de Preparo”, disse o Cel Pedro em sua apresentação. “O Comando de Preparo redesenhou seu modelo de negócio, tornando-o ainda mais moderno, ágil e totalmente focado na entrega de meios aéreos capacitados a assegurar a soberania de nosso espaço aéreo e a integridade do território brasileiro”, acrescentou.

“A reestruturação da FAB já é um exemplo de sucesso e falar sobre este novo processo foi muito importante para confirmar o pioneirismo, a vanguarda e o permanente processo de inovação de nossa força. O feedback recebido durante o próprio evento não poderia ter sido melhor, no sentido de que estamos no caminho certo e de que faremos escola nesse tema”, reforçou o Cel Pedro.​​​​​​​ 

Interoperabilidade

As doutrinas conjuntas e combinadas e a importância da interoperabilidade no emprego também foram temas abordados pelos países participantes durante o encontro na Colômbia. A FAB aproveitou o seminário para explicar o modelo operacional do novo exercício realizado pelo COMPREP, com o objetivo de preparar seus militares e os meios para uma atuação em missões de paz sob a égide da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Exercício Tápio, realizado em maio de 2018, simulou um cenário de guerra irregular com crise humanitária, utilizando características semelhantes às encontradas nas missões da ONU pelo mundo. A atividade mobilizou cerca de 700 militares das Forças Armadas Brasileiras. 

Segundo o Cel Pedro, o seminário contribuiu para o aperfeiçoamento da doutrina de cada país, no momento em que possibilitou conhecer como funcionam as demais forças aéreas. “Saber o que é feito na América Latina, no Canadá e na Espanha foi de enorme valia para validar nossos processos e permitir uma avaliação de referência em muitas áreas em que buscamos avançar ainda mais na qualidade da doutrina adotada”, enfatizou.

O Cel Magarão destacou que a participação do Brasil no evento da Colômbia foi muito positiva, principalmente quanto ao processo de reestruturação vigente e suas consequências no desenvolvimento e atualização do processo doutrinário. O tema gerou grande interesse das forças aéreas presentes, principalmente da FAC que também está promovendo mudanças na sua estrutura organizacional.

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