Forças aéreas parceiras dão assistência ao México após terremoto

Países integrantes do SICOFAA mostram seu apoio e solidariedade ao governo e ao povo do México após o terremoto.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 29 setembro 2017

Resposta Rápida

O Almirante-de-Esquadra da Marinha do México Vidal Soberón Sanz (à direita), titular da Secretaria da Marinha do México, cumprimenta elementos das delegações internacionais que ajudam o país depois do sismo. (Foto: Secretaria da Marinha do México)

As forças aéreas do Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA) ajudaram o México depois que um sismo com magnitude 7,1 na escala Richter sacudiu o país em 19 de setembro, com um saldo de centenas de vítimas fatais e milhares de feridos e desabrigados. Este novo movimento terrestre ocorreu exatamente 32 anos depois do terremoto que deixou milhares de mortos em 19 de setembro de 1985.

Ajuda humanitária dos EUA chega a bordo de um avião C-17 à Base Aérea Militar N.º 2 para ajudar o governo e o povo mexicano após o terremoto de 19 de setembro de 2017. (Foto: Secretaria da Marinha do México)

“Rapidamente, as nações integrantes do SICOFAA concordaram em cancelar o exercício aéreo ‘Cooperación V’ que seria realizado no Chile de 26 de setembro a 7 de outubro”, disse à Diálogo o Coronel Rodrigo Zapata, diretor do Centro Nacional de Recuperação de Pessoal e de Operações Especiais da Força Aérea da Colômbia. “As nações, que expressaram seu compromisso de participar, enviaram ajuda ao México.”

As forças aéreas da Colômbia, do Equador, de El Salvador e dos Estados Unidos foram as primeiras a proporcionar ajuda técnica especializada e humanitária oferecida ao governo e ao povo mexicano para reforçar as tarefas de busca e resgate após o terremoto. As Forças Armadas do México destacaram mais de 11.000 soldados para ajudar imediatamente.

“A ajuda estrangeira foi muito valiosa para os mexicanos. Tenham a certeza de que sempre estaremos gratos por isso”, informou nas redes sociais o Almirante-de-Esquadra Vidal Francisco Soberón Sanz, titular da Secretaria da Marinha do México(SEMAR). O secretário de governo do México Miguel Ángel Osorio Chong afirmou que “a cooperação nacional e internacional permitiu fundamentalmente salvar vidas”.

“SICOFAA, através de seus muitos eventos e exercícios anteriores, ajudou a criar uma sensação de unidade, camaradagem e apoio mútuo entre as forças aéreas das Américas, e isto foi claramente demonstrado nos esforços de assistência humanitária prestada por muitos países membros do SICOFAA, que enviaram ajuda para o México”, disse à Diálogo o Coronel da Força Aérea dos Estados Unidos Anthony G. Cook, secretário geral do SICOFAA. O sistema é uma organização voluntária apolítica dedicada à promoção da cooperação, unidade e interoperabilidade entre 20 forças aéreas de nações parceiras do continente americano.

Gestos de solidariedade

O terremoto causou danos nos estados de Guerrero, Estado do México, Morelos, Puebla e na capital do país. Várias áreas da Cidade do México foram declaradas zonas de desastre menos de duas semanas depois que outro sismo atingiu os estados de Chiapas e Oaxaca.

“As primeiras 72 horas são chave neste tipo de tragédia. Os níveis de organização e comunicação devem facilitar uma resposta rápida e oportuna para cumprir a missão”, destacou o Cel Zapata. “Ajudar nossos aliados quando eles precisam é uma das coisas mais importantes que fazemos como nação”, acrescentou o Capitão da Força Aérea dos EUA Kyle Brackett, do 21.º Esquadrão de Transporte Aéreo.

“Dois dias após o terremoto, com um grande gesto de solidariedade, a ajuda humanitária dos Estados Unidos chegou a bordo de um avião C-17 [da Força Aérea] à Base Aérea Militar N.º 2”, informou o Alte Esq Soberón. “A unidade aérea transportou um comando de elite da equipe de resposta para assistência em caso de desastres do departamento de bombeiros do condado de Los Angeles e 33 toneladas de equipamentos.”

O governo colombiano enviou um Boeing 727 Vulcano da Força Aérea da Colômbia, uma equipe de socorristas, 10 toneladas de carga com ajuda humanitária e dois militares com cães. Com estes elementos, eles apoiaram as autoridades mexicanas nos trabalhos de busca e salvamento.

A missão colombiana chegou ao Aeroporto Internacional da Cidade do México para ajudar a população após o terremoto de 19 de setembro. (Foto: Força Aérea da Colômbia)

No dia seguinte ao terremoto, a Força Aérea de El Salvador transportou 25 socorristas de elite do Grupo de Busca e Resgate Urbano de El Salvador em um avião C-47 turbo. A delegação viajou com suprimentos de alimentos e insumos para sua autossuficiência durante a permanência no México.

O Equador enviou um avião de transporte L-100-30 Hércules da Força Aérea do Equador. Sua missão de apoio, formada por 30 pessoas, com equipamento médico e de comunicações, ajudou no planejamento, busca e técnica com cães, pequenas quebras e perfuração, levantamento e movimentação de escombros.

A equipe da Costa Rica foi transportada por pilotos da Direção do Serviço de Vigilância Aérea do Ministério da Segurança Pública da Costa Rica em um avião Beechcraft King Air F90 da polícia da Costa Rica. O grupo era formado por especialistas em avaliação de danos estruturais em construções.

Chile, Guatemala, Honduras e Peru também enviaram seus melhores socorristas para ajudar as autoridades mexicanas nos trabalhos de busca e salvamento de pessoas presas entre os escombros. Outras nações do mundo, como Israel, Japão e Espanha se uniram ao apoio internacional e enviaram contingentes com toneladas de ajuda incondicional ao país asteca.

Os membros das delegações estrangeiras foram coordenados pela SEMAR, a Secretaria da Defesa Nacional, a Polícia Federal e por autoridades de proteção civil do México. As missões de resgate foram realizadas 24 horas por dia e ajudaram também a avaliar os danos causados pelo sismo.

Coordenação, sinergia e treinamento

“Apesar da ajuda ao México ter sido feita por diferentes canais diplomáticos de comunicação, sempre mantemos uma coordenação e comunicação com o SICOFAA quando se oferece esse tipo de apoio internacional”, informou o Cel Zapata. “Nenhuma nação está livre de catástrofes não desejadas.”

“É importante destacar a sinergia entre as forças parceiras para responderem juntas frente a uma emergência de grande magnitude e integrar seus esforços em benefício do país afetado, neste caso, o México”, disse à Diálogo Armando Rodríguez Luna, especialista em assuntos de segurança e forças armadas do Grupo de Análise da Segurança com Democracia, na Cidade do México. “Devido à grande frequência dos sismos no México e em outros países da região latino-americana, deve-se priorizar na agenda das Forças Armadas do México e da região este tipo de fenômeno para fortalecer e desenvolver novas capacidades em conjunto.”

“Toda essa experiência, além da oportunidade de participar de exercícios combinados de treinamento nacionais e internacionais, como o exercício multilateral ‘Cooperación’ (do SICOFAA), enriquecem nosso conhecimento e experiência para o planejamento, controle e realização de operações em casos de desastres naturais”, concluiu o Cel Zapata. “Sempre estaremos prontos e dispostos a ajudar as nações parceiras.”


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