Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Participação do Paraguai em missões de paz serve de exemplo para outros países

Diálogo conversou com o General de Divisão Juan Ramón Benegas Ferreira, que é atualmente o Diretor Geral de Tecnologias de Informação e Comunicação das Forças Militares paraguaias, durante a Conferência Sul-Americana de Defesa (SOUTHDEC) 2016 celebrada em Montevidéu, Uruguai, de 16 a 19 de agosto.
Marcos Ommati/Diálogo | 2 setembro 2016

O General de Divisão Juan Ramón Benegas Ferreira, que é atualmente o Diretor Geral de Tecnologias de Informação e Comunicação das Forças Militares paraguaias, durante a Conferência Sul-Americana de Defesa (SOUTHDEC) 2016, celebrada em Montevidéu, Uruguai, de 16 a 19 de agosto. (Foto: Marcos Ommati/Diálogo)

O secretário geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, destacou em 2015, durante uma reunião com o presidente Horacio Cartes, a contribuição do Paraguai às missões de manutenção da paz, especialmente no Haiti. Com uma população de menos de sete milhões de habitantes, o Paraguai é um dos países que, proporcionalmente, mais contribuem com este tipo de missão no mundo.

Para falar sobre este e outros temas, Diálogo conversou com o General de Divisão Juan Ramón Benegas Ferreira, que é atualmente o Diretor Geral de Tecnologias de Informação e Comunicação das Forças Militares paraguaias, durante a Conferência Sul-Americana de Defesa (SOUTHDEC) 2016 celebrada em Montevidéu, Uruguai, de 16 a 19 de agosto deste ano.

Diálogo: Qual é a importância de uma conferência como a SOUTHDEC, que serve de fórum de discussão de alto nível militar na região?

General de Divisão Juan Ramón Benegas Ferreira: É neste tipo de fórum que geralmente se destacam todas as características próprias de cada nação e de cada força militar. São colocadas sobre a mesa as ameaças de cada país e o mais importante é que há uma intenção saudável de trabalhar a partir da identificação dos flagelos que ameaçam nossa região, de trabalhar de forma coordenada e integrada e, em alguns casos, compartilhando os recursos de que dispomos nas forças armadas de cada país.

Diálogo: O tema da Conferência Sul-Americana de Defesa de 2016 é a evolução do papel dos militares na América Latina nos anos mais recentes. Mas os militares paraguaios já cumprem há muitos anos este papel de ajuda humanitária e outros tipos de assistência, correto?

Gen Div Benegas: É isso mesmo. No Paraguai, graças a Deus, não temos grandes catástrofes naturais, mas temos também nossos próprios problemas que são as inundações, chuvas de granizo, algum tipo de tormenta, inclusive tornados atualmente, sendo que as Forças Armadas estão sempre presentes para ajudar nestes casos. Existe em nosso país uma pasta do governo que é um ministério da presidência da República, a Secretaria de Emergência Nacional, instituição encarregada de lidar com esses tipos de eventos. Mas as Forças Armadas são sempre a primeira instituição que está presente para mitigar os efeitos de qualquer tipo de catástrofe.

Diálogo: Isto é previsto pela constituição do país ou é algo que já faz parte da cultura dos militares?

Gen Div Benegas: Dentro de nossa missão constitucional já figura o apoio aos civis. De fato, os assuntos civis estão enquadrados dentro de nossa missão como Forças Armadas, e é a partir daí que prestamos a nossa colaboração. Mas não é somente em catástrofes. Na Direção Geral de Assuntos Civis do Comando das Forças Militares, em conjunto com outras agências governamentais como o Ministério da Saúde, são realizadas operações em áreas muito carentes do interior e que são chamadas por uma palavra guarani – ñipoanó – que quer dizer “curar”, “melhorar a saúde”. Então, as Forças Armadas levam para esses lugares seu pessoal militar, bem como seus médicos e dentistas, profissionais médicos de todas as especialidades, além de medicamentos para distribuir nessas áreas mais carentes, onde talvez o Estado não consiga chegar plenamente.

Diálogo: O Paraguai é um país que tem uma participação muito constante em missões de paz e muitas outras missões de ajuda humanitária pelo mundo afora. Poderia nos falar um pouco sobe isto?

Gen Div Benegas: Sim, temos pessoal militar mobilizado em áreas de missões de paz que são realizadas segundo o mandato das Nações Unidas. Neste sentido podemos dizer que temos observadores militares em vários países da África. Temos pessoal lotado sob a bandeira paraguaia nos países, como por exemplo uma companhia multitarefa, com o contingente do Batalhão Brasileiro no Haiti [BRABAT], e também um contingente paraguaio no Chipre, junto com o Exército argentino.

Diálogo: Por que é importante para as Forças Armadas do Paraguai participarem deste tipo de missão?

Gen Div Benegas: É muito importante, como estávamos discutindo neste evento [SOUTHDEC 2016], porque esta é uma das formas de nos integrarmos e de cooperarmos para o reestabelecimento da paz mundial naqueles países que necessitem, e o Paraguai tem a obrigação de ser partícipe, como membro das Nações Unidas, enviando seus recursos humanos a essas operações.

Diálogo: E com relação a outro papel dos militares na região que mudou com os anos, ou seja, a participação das forças armadas e o apoio da polícia nacional de cada país na luta contra o narcotráfico? Isto também ocorre no Paraguai?

Gen Div Benegas: No Paraguai, a instituição encarregada da luta contra o narcotráfico é a SENAD - Secretaria Nacional Antidrogas, que foi criada por lei e é a instituição encarregada de lutar contra este flagelo. Mesmo assim, ela está integrada por agentes especiais formados e capacitados que são também membros das três Forças Armadas: Força Aérea, Marinha e Exército. Este pessoal é treinado para participar e cooperar com essa instituição na luta contra as drogas.

Diálogo: Mas estas unidades são forças especiais?

Gen Div Benegas: São agentes treinados com este fim e, mais do que isto, quando a Secretaria Nacional Antidrogas necessita ou requer mais recursos humanos e mais meios materiais, também aí sempre estão presentes as Forças Armadas.

Diálogo: O problema do narcotráfico é uma preocupação constante em países como Honduras, El Salvador e Colômbia. As Forças Armadas do Paraguai já estão atentas a este problema ou isto não é ainda uma preocupação para vocês?

Gen Div Benegas: Realmente, o narcotráfico foi identificado como uma ameaça transnacional há muito tempo. A partir daí tornou-se então uma preocupação porque este crime não tem mais fronteiras e, além disso, o Paraguai não pode ficar parado esperando um convite de alguém para também responder à situação. Esta é uma obrigação, é uma missão que o país tem, a de combater qualquer flagelo que possa afetar a nação.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 230
Carregando conversa