Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Serviço Aeronaval do Panamá será anfitrião das Cúpulas CABSEC/SAMSEC 2017

Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo | 27 fevereiro 2017

O Comissário Belsio González, diretor do Serviço Aeronaval do Panamá, falou com a Diálogo em 14 de fevereiro sobre as conquistas e os avanços da organização sob a sua responsabilidade. (Foto: Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo)

O Serviço Aeronaval (SENAN, por sua sigla em espanhol) do Panamá será o anfitrião da Cúpula de Vigilância Costeira e Segurança Marítima da Bacia do Caribe (CABSEC, por sua sigla em inglês) 2017 e da Cúpula de Segurança Sul-Americana (SAMSEC, por sua sigla em inglês) 2017, a serem realizadas conjuntamente de 21 a 23 de março, na Cidade do Panamá.

Cada edição do evento atrai centenas de representantes das áreas de segurança, defesa e empresas fabricantes de equipamentos de todo o mundo, motivo pelo qual o SENAN e o Panamá serão o centro de uma reunião de grande alcance regional, onde serão tratados temas como a importância da colaboração regional interagencial para solidificar a segurança da região.

Para falar mais detalhadamente sobre o evento e sua importância para o SENAN como anfitrião, a Diálogo reuniu-se com o Comissário Belsio González, diretor do SENAN no Panamá, em 14 de fevereiro.

Diálogo: Qual é a importância do Panamá como sede da cúpula CABSEC/SAMSEC 2017? Mais especificamente, qual é a importância do SENAN como seu coanfitrião?

Comissário Belsio González, diretor do Serviço Aeronaval do Panamá: Para nós, como país e como instituição, o fato de termos sido escolhidos como anfitriões é importante, pois os países da América Central e do Sul participarão com sua liderança sobre segurança, para que todos possamos trocar conhecimentos, principalmente na luta contra o crime organizado e o tráfico de drogas. Poder trocar ideias sobre nossos êxitos e fracassos ou lições aprendidas ao longo desses anos é muito importante para nós, assim como nos tornarmos conhecidos na região. Para nós, há uma grande relevância em poder ter a honra de sermos anfitriões da CABSEC/SAMSEC 2017.

Diálogo: Que expectativas o senhor tem sobre as conquistas e acordos assinados no encontro?

Comissário González: O Panamá, por ter um canal interoceânico e uma grande parte de sua economia relacionada com serviços, chama muito a atenção do crime organizado, utilizando essa economia de serviços para transportar drogas por mar. Nós, como país, conseguimos acordos importantes com a Costa Rica, a Colômbia, o Peru, o Chile e com praticamente todos os países onde temos essa afinidade de comércio.

Diálogo: Quais são os seus principais desafios como diretor do SENAN?

Comissário González: Esta é uma instituição relativamente nova. Ficamos responsáveis por seu desenvolvimento praticamente a partir do zero, pois a instituição nasceu da fusão do Serviço Marítimo Nacional e do Serviço Aéreo Nacional, cujo objetivo era potencializar as capacidades operacionais de cada uma dessas instituições. Ao uni-las, precisamos criar uma nova cultura organizacional. Oficiais navais, aéreos e também terrestres tiveram esse compromisso, principalmente o de lutar contra o tráfico de drogas pela responsabilidade que temos no espaço marítimo e aéreo. Temos somente oito anos de formados como instituição aeronaval dedicada precisamente à luta contra o crime organizado e o narcotráfico. Além disso, e não menos importante, levamos ajuda humanitária por todo o país.

Diálogo: Como o SENAN trabalha com seus colegas da Força Pública na segurança e na defesa nacional do Panamá?

Comissário González: Nossa relação com as demais forças parceiras, por assim dizer, ou nossos irmãos sob esse compêndio da Força Pública, que está amparado pelo Ministério da Segurança e liderado pelo ministro Alexis Bethancourt, tem uma sinergia excelente. A Polícia Nacional troca muitas informações de inteligência conosco e assim nos torna mais eficazes quando precisamos fazer a interceptação de alguma lancha com indivíduos que transportam drogas. Com o SENAFRONT [Serviço Nacional de Fronteiras], nossa relação é muito mais ampla, muito mais intrínseca. Somos nós que, em determinado momento, trocamos informações com o SENAFRONT, porque construímos uma relação de confiança com o governo da Colômbia com respeito às suas Forças Militares, especificamente a Marinha colombiana. Isso nos possibilitou trocar muitas informações sobre o que ocorre na fronteira entre Panamá e Colômbia e, de fato, trocamos essas informações com o SENAFRONT, contribuindo com esse intercâmbio que tem o único objetivo de lutar contra o crime organizado, contra todas as organizações que se dedicam a cometer crimes em nossas fronteiras e em nossos mares jurisdicionais.

Diálogo: Além do âmbito nacional, como é a sua relação com suas nações parceiras e com os Estados Unidos?

Comissário González: Ao longo desses sete anos em que fui responsável por essa instituição, vi como recebemos, durante esse período, a ajuda solidária do governo dos Estados Unidos e das diferentes agências que o compõem. Recebemos treinamentos nos quais nossos oficiais tiveram formação em cursos de liderança; nossas unidades subalternas se aperfeiçoaram no curso de motores de popa, liderança em barcos, ou seja, em vários treinamentos in situ recebidos do governo americano, que nos serviu para continuar aumentando nossas capacidades operacionais na luta contra o narcotráfico. Também recebemos apoio logístico para nossas embarcações Nor-Tech, lanchas rápidas de interceptação e muitas outras doações, durante esses últimos sete anos, para continuar lutando contra as organizações criminosas.

Diálogo: Como ocorre essa sinergia de colaboração e trabalho conjunto entre nações parceiras e entre as diferentes agências e qual é a importância desse trabalho conjunto?

Comissário González: Contamos com um oficial de ligação na JIATF-S; faz aproximadamente cinco anos que iniciamos esse trabalho, que nos ajudou a melhorar muito as coordenações que são feitas na parte operacional com os oficiais da Guarda Costeira e da Marinha norte-americana. O trabalho realizado foi excelente, integrando os demais oficiais que representam os diversos países da América Latina, todos unidos com um objetivo. O objetivo principal é o de lutar contra o narcotráfico e contra as organizações criminosas. Isto é o mais importante.

Além do treinamento e do compartilhamento com os diferentes organismos que fazem parte desses países que nos apoiam com seu treinamento, construímos confiança; essa confiança, hoje em dia, está dando frutos. O fato de um órgão de inteligência de uma nação parceira poder fornecer uma informação importante vale muito, mas nós, com muita humildade, trocamos as lições aprendidas. A experiência que um país como a Colômbia tem com suas Forças Armadas, especificamente a Marinha colombiana, assim como os treinamentos que recebemos do governo norte-americano, do Comando Sul e do JIATF-S, são muito importantes para nós.

Diálogo: Que estratégias o SENAN utiliza contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional?

Comissário González: A estratégia sempre é acompanhada de perto pela inovação no narcotráfico. Por isso, é muito importante manter as relações com os países sul-americanos, principalmente com a Colômbia, o Peru e o Chile, onde o narcotráfico sempre procura inovar nas técnicas para poder burlar os sistemas de segurança. Mas nossa estratégia baseia-se principalmente em manter uma instituição robusta, no sentido de ter unidades com um caráter de honra, que possam resistir, em dado momento, às tentativas de suborno por parte dessas organizações e fortalecer os recursos ou os meios navais para poder enfrentar esses traficantes com eficácia e eficiência quando eles invadirem nossos mares. Há uma grande quantidade de lanchas que entram a mais de 100 milhas náuticas de nosso mar territorial. Eles são praticamente obrigados a abandonar ou ampliar suas operações marítimas para fugir das nossas forças aeronavais que, em conjunto com os navios americanos com os quais interagimos em nosso mar territorial, conseguem afastar mar afora essas embarcações. Isto nos permitiu ser cada dia mais eficazes na aquisição de novos recursos; adquirimos aeronaves e mais lanchas rápidas. Adquirimos, recentemente, seis lanchas com versatilidade de 55 nós e apostamos que essas lanchas interceptadoras, juntamente com as Nor-Tech, serão preponderantes em impedir a entrada de embarcações ligadas ao narcotráfico.

Diálogo: Que conquistas/avanços o Panamá conseguiu com respeito à sua própria segurança nacional e da região nos últimos tempos?

Comissário González: Consolidar as forças de segurança. Como já mencionei antes, trabalhamos em conjunto, com uma só equipe: Polícia Nacional, SENAFRONT, Aeronaval. Acredito que a fusão dessas forças conseguiu maximizar os recursos para poder enfrentar o crime organizado. Devemos nos lembrar que o Panamá é um país neutro. Seu canal e sua economia fazem dele um país com as portas abertas ao mundo. Isto nos permite ser amigo de todos, mas inimigos do crime organizado transnacional e de qualquer organização que queira lucrar ilegalmente. Por isso, é necessário continuar mantendo essa estrutura unida como Força Pública, trabalho que o ministro de Segurança realiza muito bem, passando aos diretores e a todos os oficiais essa cultura de nos relacionarmos bem para conseguir alcançar nossos objetivos, porque o inimigo número um do Panamá e do mundo é o crime organizado, que se dedica a transportar ou contrabandear drogas ilicitamente ou qualquer outro tipo de crime.

Diálogo: Há algo que queira acrescentar aos leitores da Diálogo e aos participantes da cúpula no mês que vem?

Comissário González: Sim, sinto-me muito grato por terem pensado em nosso país e escolhido a Aeronaval como anfitriã deste evento, uma instituição que está sempre disposta a colaborar e apoiar tudo o que estiver relacionado a combater o crime organizado transnacional e o delito em geral, bem como construir relações de confiança com todos vocês.


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