Panamá golpeia narcotráfico com o apoio da Colômbia

O intercâmbio de inteligência Colômbia-Panamá facilita o confisco de toneladas de drogas no Panamá.
Roberto López Dubois/Diálogo | 9 agosto 2018

Ameaças Transnacionais

No decorrer de 2018, o Serviço Aeronaval do Panamá confiscou mais de 15 toneladas de drogas. (Foto: Serviço Nacional Aeronaval do Panamá)

Em uma operação conjunta com a Marinha Nacional da Colômbia, o Serviço Nacional Aeronaval do Panamá (SENAN) confiscou quase 450 quilos de cocaína no noroeste panamenho, no final de junho de 2018. A droga seria avaliada em cerca de US$ 14 milhões no mercado internacional.

Através de ações de patrulhamento e controle do tráfego marítimo ilícito no mar do Caribe, as unidades navais panamenhas e colombianas localizaram dois esconderijos subterrâneos na península Valiente, na comarca indígena Ngäbe-Buglé, na fronteira com a Costa Rica. No interior dos esconderijos, as autoridades localizaram e confiscaram 449 pacotes com substâncias ilícitas.

 Em outra operação combinada no final de abril, o SENAN, o Serviço Nacional de Fronteiras do Panamá (SENAFRONT) e a Marinha Nacional da Colômbia apreenderam mais de 200 kg de cocaína nas águas da comarca Guna Yala, no nordeste panamenho, na fronteira com a Colômbia. A droga, avaliada em mais de US$ 6 milhões no mercado internacional, havia sido lançada ao mar pelos tripulantes de uma lancha do tipo go-fast, perseguida pela Marinha da Colômbia.

 As autoridades acharam 10 sacos com 211 pacotes de cocaína e sete pacotes de maconha boiando na água. Os três fugitivos, de nacionalidade colombiana, foram capturados em águas territoriais da Colômbia.

 “Muitas operações que realizamos são fruto do excelente intercâmbio de informações e de inteligência com a Colômbia”, disse à Diálogo o Comissário Ramón Nonato López, diretor nacional de Operações Aeronavais do SENAN. “O importante é a confiança que os membros da Marinha da Colômbia têm nas equipes de inteligência [do SENAN], que é o que mantém essa comunicação direta.”

 Intercâmbio de inteligência

No decorrer do presente ano, o SENAN já realizou 41 apreensões, das quais 21 foram iniciadas graças às informações da Marinha da Colômbia, explicou o Comissário López. Nos primeiros seis meses de 2018, umas 15 toneladas de drogas foram apreendidas pela instituição em 12 operações no Pacífico e nove no Caribe.

 “Quando [oficiais da Marinha Nacional] recebem informações de algum movimento de substâncias ilícitas, eles nos passam essas informações”, explicou o Comissário López. “Muitas vezes são tão precisas que nos permitem atingir bons resultados.”

Nos primeiros seis meses de 2018, o Serviço Aeronaval do Panamá realizou 41 apreensões, a metade graças à inteligência da Marinha Nacional da Colômbia. (Foto: Serviço Nacional Aeronaval do Panamá)

 Todos os anos, oficiais da Marinha Nacional e da Força Aérea Colombiana e o SENAN promovem conferências de coordenação para facilitar o intercâmbio de informações entre as instituições. As reuniões, no âmbito de acordos bilaterais, fortalecem ainda os laços de amizade e consolidam a luta contra o narcotráfico.

 “Todos esses acordos giram em torno de um interesse comum, o de minimizar os efeitos do tráfico de substâncias ilícitas”, disse à Diálogo o Comissário Feliciano Benítez, chefe de Inteligência do SENAFRONT. “Nossas instituições garantem que essa comunicação cria uma relação interpessoal, apoiada na camaradagem, na lealdade e com um objetivo comum, que é a proteção de nossos cidadãos e de todos os Estados afetados por esse flagelo.”

 Entre outros convênios bilaterais, a Colômbia e o Panamá têm um mecanismo de intercâmbio de informações sob a Comissão Binacional Fronteiriça Colômbia-Panamá (COMBIFRON), criada no início de 2000. A COMBIFRON permite que se estabeleçam acordos em termos de segurança pública nas esferas terrestres, aéreas e navais de ambos os países. O objetivo é reforçar a cooperação e o intercâmbio de esforços para neutralizar as ameaças do narcotráfico, do tráfico de armas, do tráfico de pessoas e da lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

 “Essa interrelação [permite] o intercâmbio rápido de informações sobre os novos grupos armados organizados originários das denominadas organizações narcoterroristas, depois das negociações de paz entre a Colômbia e as FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia]”, explicou o Comissário Benítez. “Conhecer o desenvolvimento dessas organizações é vital para ambos os países, revelando novas tendências e formas de atuação em relação ao narcotráfico, tanto no meio marítimo como na utilização dos diferentes atalhos ou caminhos na vasta região de selva da província de Darién, no Panamá, e no Chocó colombiano.”

 Líder regional emergente

Devido à sua situação geográfica, o Panamá é uma ponte importante para o tráfico ilícito de drogas. Em sua trajetória em direção ao norte, as organizações transnacionais do narcotráfico levam a droga ao longo da costa panamenha e através da selva da região de Darién.

 No entanto, em seu Relatório da Estratégia Internacional de Controle de Narcóticos 2018, o Departamento de Estado dos EUA destaca o Panamá como um líder regional emergente na luta contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional. O país centro-americano, segundo o relatório, reforçou os trabalhos de interdição de drogas em 2017.

 Segundo o Ministério da Segurança Pública do Panamá, a Força Pública do país confiscou mais de 84 toneladas de drogas em 2017, 12 toneladas a mais do que em 2016. Até o momento, no decorrer de 2018, as autoridades panamenhas confiscaram mais de 35 toneladas de substâncias ilícitas.

 “A solidez que nossos estados [Panamá e Colômbia] mostram atualmente, através do intercâmbio de informações de nossas instituições, reflete esse compromisso com a segurança do continente, voltado para fortalecer essa confiança”, concluiu o Comissário Benítez. “Na medida em que nossas instituições mantêm um apoio em comum acordo, com base em estratégias e ações operacionais, e em que desferem golpes certeiros contra as estruturas do narcotráfico, a cultura de legalidade e do bem-estar de nossas comunidades fronteiriças e nossa contribuição para a segurança da América estarão fortalecidas.”

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