Olimpíadas: Usain Bolt corre para a glória

Após ganhar três ouros em Pequim em 2008, jamaicano quer acrescentar mais medalhas a sua coleção em Londres.
David_Carey | 19 julho 2012

WASHINGTON, D.C., EUA – Usain Bolt tentará fazer jus ao título de “O Homem mais Rápido do Mundo” vencendo os 100 m rasos nos Jogos de Londres, como fez há quatro anos nos Jogos de Pequim.

Mas, primeiro, ele terá que provar que é o homem mais rápido em seu próprio país.

O velocista e três vezes medalhista de ouro sofreu duas derrotas em três dias no Campeonato Nacional da Jamaica e nas eliminatórias olímpicas no Estádio Nacional, em Kingston. Bolt, que foi superado nos 100 m e 200 m rasos pelo colega de equipe Yohan Blake, não arrancou bem em nenhuma das provas. Hoje, Blake é o melhor corredor do mundo nas duas modalidades.

E, agora, Bolt terá que ultrapassá-lo.

“[Blake] provou que é um dos melhores e, para mim, é como voltar à estaca zero”, disse Bolt, 25 anos, aos jornalistas. “Não é que eu tenha ficado arrasado ou algo assim, mas sei o que preciso melhorar. Fiquei muito triste, foi horrível. Eu venho trabalhando mais nos 100 m rasos. Mas isso não é desculpa, tenho que me organizar e fazer o que tem que ser feito.”

O técnico de Bolt, Glen Mills, também não vê motivos para preocupação.

“[Bolt] pode estar um pouco fora de forma no momento”, disse Mills aos jornalistas. “Mas tenho certeza de que na hora certa, ele estará em sua melhor forma.”

Bolt é o atual detentor dos recordes mundial (9,58 s) e olímpico (9,69 s) nos 100 m rasos, além de recordista nos 200 m rasos (19,30) nas duas competições. No total, já ganhou três ouros em olimpíadas e cinco campeonatos mundiais. E, enquanto o nativo de Trelawny tem apenas quatro semanas para melhorar sua arrancada, um dos aspectos que ele não precisa melhorar é sua autoconfiança.

Ainda considerado por muitos o homem mais rápido do mundo, Bolt é conhecido pelas atitudes irreverentes, como quando usou um extintor de incêndio após cruzar a linha de chegada, sugerindo que tinha corrido tão rápido que seus pés estavam queimando.

“No final dos Jogos de Londres 2012, quero ir à entrevista coletiva e dizer, antes de mais nada, que ‘vocês estão olhando para uma lenda viva’”, afirmou o atleta aos jornalistas. “É isso que quero dizer antes da última entrevista coletiva após a final dos 200 m.”

Bolt também participa das mídias sociais, contando com cerca de 556.000 seguidores no Twitter. O velocista tuita desde fotos de suas refeições e imagens relaxando antes das corridas a fotos suas jogando videogames com os fãs.

É por isso que Bolt tem muito mais a perder nos jogos olímpicos do que um simples lugar no pódio – sua imagem mundial está em risco.

A revista Forbes informou que Bolt ganhou cerca de US$ 20,3 milhões (R$ 40,6 milhões) nos últimos 12 meses, pois conta com milhões de dólares em patrocínio de empresas como Puma e Nissan. Mas Bolt não guarda o dinheiro no banco, nem gasta levianamente. O astro das pistas de atletismo criou a Fundação Usain Bolt, que auxilia crianças carentes.

No mês passado, Bolt e a organização visitaram a casa de acolhimento “Dare to Care”, em Spanish Town. No local, ele interagiu com 68 crianças com HIV, doou US$ 100.000 (R$ 200.000), deu autógrafos e distribuiu bonés e tênis da PUMA.

“Dar é tão bom quanto receber”, disse Bolt aos jornalistas.

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