O VRAE depois da captura do “camarada Artemio”

A captura do criminoso terrorista e narcotraficante Florindo Eleuterio Flores Hala, mais conhecido como “camarada Artemio”, devolveu aos peruanos a esperança de um futuro melhor, e por isto é imprescindível que se esteja preparado para a vitória final.
WRITER-ID | 30 abril 2012

A captura do criminoso terrorista e narcotraficante Florindo Eleuterio Flores Hala, mais conhecido como “camarada Artemio”, devolveu aos peruanos a esperança de um futuro melhor, e por isto é imprescindível que se esteja preparado para a vitória final. Assim sendo, resta fazer algumas considerações:

O que nos espera depois desta captura? Para responder a esta pergunta é necessário que se entendam as condições que facilitaram sua prisão e explicar o motivo de sua demora.

Em julho de 2009, os remanescentes terroristas do Sendero Luminoso, especificamente os comandados pelo criminoso terrorista e narcotraficante Victor Quispe Palomino, o “camarada José”, traçaram dois objetivos políticos no Huallaga. Um deles foi conscientizar as massas; o outro, aniquilar o “camarada Artemio” para expandir o poder e o controle da região do Huallaga.

A missão de destruir o “camarada Artemio” no Vale dos Rios Apurímac e Ene (VRAE) foi delegada ao “camarada Roger”. Paralelamente, o “camarada William” foi designado para formar bases de apoio nas regiões povoadas [distritos localizados no centro do Peru] de Uchubamba – Monobamba – Cerro de Pasco (áreas de valor estratégico para ampliar sua zona de influência), coordenando estas ações com os narcotraficantes que atuavam com ele, os quais também começaram a captar informantes, agravando a corrupção e os conflitos sociais nesses centros populacionais.

Desta maneira, “José” se preparava para ampliar sua influência e unir o VRAE ao Huallaga, com o objetivo estratégico de mostrar à comunidade narcotraficante nacional e internacional que a aliança terrorismo-narcotráfico no Peru estava crescendo sob sua facção, e que havia se transformado em uma ameaça nas regiões geográficas onde o Estado, as Forças Armadas (FFAA) e a Polícia Nacional (PN) não tinham qualquer domínio.

Recordemos os ataques traiçoeiros de Tintaypunco e Sanabamba, onde as patrulhas militares foram surpreendidas. Este fato engrandeceu “José” a tal ponto que ele quis se transformar no senhor da coca no Peru.

A partir desse momento, a sorte de “Artemio” estava lançada. O “camarada Roger” não chegou a concretizar o assassinado do “camarada Artemio” porque os meios e a ajuda que ele havia solicitado não foram proporcionados e porque a estratégia elaborada pelo Comando Conjunto das Forças Armadas, em coordenação com a PN (agosto de 2009), conseguira cercar “Artemio”, entendendo-se que seria lógico primeiramente capturar o mais fraco para depois partir para a neutralização do criminoso terrorista “José”.

La captura de “Artemio” debió ocurrir desde setiembre de 2009 y no dos años después. ¿Qué ocurrió entonces? Esta es una pregunta a la que debe darse respuesta lo antes posible, de lo contrario, seguirá existiendo la posibilidad de que se repita.Desta vez, no entanto, é importante lembrar que a corrupção gerada pelo narcotráfico é muito grande e não se sabe com exatidão que níveis do Estado ela pode ter atingido.

Depois de “Artemio”

Concretizada a captura de “Artemio”, abriu-se na região do Huallaga uma lacuna de poder. Quem ocupará seu lugar? A respeito disto, podemos estabelecer três hipóteses:

Que a lacuna de poder possa ser preenchida por um criminoso terrorista da facção de “Artemio” é possível, porém pouco provável. “Artemio” não preparou um sucessor e, em contrapartida, os criminosos terroristas que poderiam ter esse perfil foram capturados ou mortos pelas forças de ordem.

Que a lacuna de poder seja ocupada pelo criminoso terrorista “José”. Esta possibilidade seria a pior que poderia acontecer ao país [Peru]. No entanto, em meu entender, esta hipótese pode ser a mais plausível.

Que a lacuna de poder seja ocupada pelo Estado. É importante que o governo seja aquele que assuma a autoridade e o controle econômico, social, político e militar da região do Huallaga e que ele imponha a vontade dos 30 milhões de peruanos e consolide uma paz e um desenvolvimento sustentável verdadeiros. Nesse caso, é preciso levar em consideração a ajuda que podemos obter dos países vizinhos e amigos como os Estados Unidos, a Colômbia e o Brasil, convencidos de que essa é uma luta nacional e internacional.

Pode o criminoso terrorista “José” ocupar a lacuna de poder no Huallaga? Com apoio do narcotráfico, isto poderia acontecer. Se o narcotráfico fora da região do VRAE crescer, crescerá o terrorismo, sempre e enquanto mantiverem essa aliança.

“José” conhece os procedimentos usados pelas forças de ordem para a captura de “Artemio”, e por este motivo os procedimentos de inteligência a serem utilizados devem ser mais engenhosos, criativos e audazes. Da mesma forma, a inteligência estratégica deve dedicar especial atenção ao aumento dos conflitos sociais (agravamento das contradições) nas regiões do Huallaga e do VRAE, visto que esta será uma pista a nos indicar que “José”, provavelmente, está controlando a região.

Como deve o estado peruano ocupar esta lacuna de poder?

Do ponto de vista econômico, o aparato estatal deve estar preparado para assumir o controle do Huallaga com uma economia legal sustentável, que demonstre à população que ela pode progredir economicamente sem depender da folha de coca.

Socialmente, deve-se dar ênfase à educação, especialmente dos mais pobres, para que eles possam participar ativamente da economia legal proposta pelo Estado. Além disto, é primordial elevar a qualidade de vida e trazer maior equilíbrio e inclusão social. Deve-se fomentar também os processos de migração da costa e da serra para o Huallaga, principalmente dos militares reformados, que devem previamente ser conscientizados sobre a segurança, a defesa e o desenvolvimento. A reconstrução da classe média é outro ponto de fundamental importância.

Politicamente, em curto prazo é preciso formar e designar líderes sociais que encabecem as grandes mudanças.Además, es preciso realizar en forma inmediata un estudio de las autoridades elegidas democráticamente y determinar si apoyaban al narcotráfico y el terrorismo.

Militarmente, as bases de apoio do camarada “Artemio” e dos narcotraficantes da região estão desorientadas. Existem criminosos terroristas que desejam entregar suas armas e fraquejar, e é preciso facilitar-lhes a rendição e esse desarmamento. Deve-se compreender que as Forças Armadas têm necessariamente que enfrentar o narcotráfico e que o criminoso terrorista nas regiões do Huallaga e do VRAE perdeu toda a sua ideologia e se transformou em um instrumento armado à disposição do narcotráfico.

No âmbito nacional, é preciso considerar até três tipos de narcotráfico: os que atuam em aliança estratégica com o terrorismo (VRAE, Huallaga), os que fazem aliança estratégica com as FARC (Iquitos, Putumayo) e os que atuam diretamente com as empresas e cartéis internacionais. É bastante provável que a intenção de “José” seja unificá-los nacionalmente.

Internacionalmente, a captura de “Artemio” devolveu e aumentou a confiança dos países vizinhos e amigos em nossa estabilidade. Não tomemos decisões em cenários de incerteza, enfoquemos cenários de risco e, porque não, de certeza.

A sociedade peruana deve entender que a segurança é inerente ao desenvolvimento e que a profissionalização e a modernização de suas Forças Armadas não são um gasto e sim um investimento, que dará ao país a capacidade de negociar em um mundo globalizado onde os pactos, acordos e convênios são o pão de cada dia e estes, por motivo algum, devem ser negociados assimetricamente. Precisamos ativar a formação imediata de profissionais de negociação.

Urge que se fortaleça o sistema de inteligência nacional para que ele não apenas informe as atividades do narcotráfico e do terrorismo, mas que também recomende alternativas de soluções políticas, sociais, econômicas, de segurança, ambientais e de contexto internacional; desta maneira estaremos contribuindo para a tomada de decisões no mais alto nível.

Além disto, é preciso estabelecer um sistema de planejamento estratégico nacional para o desenvolvimento, de maneira que seja o Estado quem investirá e conduzirá o desenvolvimento nos locais onde não há investimento privado.

É preciso que se entenda que à frente do terrorista está o narcotráfico, que financiará uma estratégia econômica (aumento da corrupção), política (marco legal não adequado), social (agravamento das contradições) e militar (emprego do terrorismo).

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