Novo comissário do SENAFRONT do Panamá quer aumentar sucesso do órgão

O comissário Cristian Hayer diz que o trabalho em cooperação com forças de segurança de países parceiros é um componente essencial da estratégia do SENAFRONT.
Por Roberto López Dubois | 1 março 2016

Ameaças Transnacionais

O novo comissário do SENAFRONT, Cristian Hayer, planeja ampliar o histórico de bons resultados do órgão na luta contra o crime organizado e o tráfico de drogas. [Foto: Víctor Arosemena]

O novo comissário do Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT) do Panamá, Cristian Hayer, está determinado a reforçar os bons resultados do órgão na luta contra o crime organizado, o narcotráfico e grupos guerrilheiros.

A primeira preocupação de Hayer, que tomou posse em 15 de fevereiro, é confrontar as novas ameaças representadas pela assinatura de acordos de paz na Colômbia e pelo uso – embora ainda em pequena escala – do território panamenho para o cultivo de coca, o principal ingrediente da cocaína. Um dos êxitos do SENAFRONT tem sido a Operação Candado, que Hayer já vinha ajudando a dirigir como vice-comissário sob o comando de Frank Ábrego. A iniciativa resultou na desarticulação de acampamentos que eram utilizados pela Companhia Ever Ortega das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), liderada por um guerrilheiro conhecido como “Silver”.

O trabalho em cooperação com as forças de seguranças de países parceiros é um componente essencial da estratégia do SENAFRONT e esse aspecto terá continuidade, segundo Hayer. O novo comissário afirma ter uma excelente relação com as Forças Armadas da Colômbia e que o Panamá e a Colômbia continuarão a trabalhar juntos para desenvolver as melhores abordagens de combate ao crime organizado, ao narcotráfico e a outras ameaças. O Panamá também manterá sua estreita relação com os Estados Unidos, que fornecem apoio, incluindo treinamento, ao país centro-americano.

Estratégia contra as FARC

No caso da Colômbia, o SENAFRONT avançou em uma estratégia contemplando um eventual cenário decorrente da assinatura de um acordo de paz entre o governo do país andino e as FARC. Após a desmobilização das FARC, é muito provável que o narcotráfico se fragmente em pequenos grupos, diz Hayer.

“[Por isso, é essencial] manter as patrulhas na fronteira com a Colômbia para evitar que nosso território seja usado para atividades ilícitas”, afirma. “Vamos ter muitos pequenos grupos de narcotraficantes trabalhando, pequenos 'capos'. Já estamos tomando medidas, porque vamos minimizar o tráfico de drogas no Panamá.” Os narcotraficantes costumam usar o Panamá como um ponto de transbordo de cocaína e outras drogas.

Uma das principais prioridades do SENAFRONT continua sendo a luta contra o crime organizado. “O sucesso do SENAFRONT foi resultado dos patrulhamentos constantes”, destaca Hayer. “Antes do SENAFRONT, apenas cuidávamos das populações locais. Os guerrilheiros chegavam à margem do posto [do órgão] e disparavam contra a gente. Nós, então, começamos a andar pelas trilhas, confiscando, destruindo os acampamentos e recuperando o território nacional.”

Como surgiu o SENAFRONT

Criado em 2008, o SENAFRONT supervisiona as fronteiras terrestres panamenhas com a Colômbia e a Costa Rica. Após a queda de Manuel Antonio Noriega, em 1989, as Forças Armadas que atuavam no istmo onde opera o Canal do Panamá foram reorganizadas. Várias de suas funções foram transferidas a instituições civis e o restante foi atribuído a quatro forças: a Polícia Nacional, o Serviço Aéreo Nacional, o Serviço Marítimo Nacional e o Serviço de Proteção Institucional.

Nos anos 1990, várias frentes das FARC entraram no território panamenho e realizaram ataques aos civis. Em resposta, as autoridades panamenhas traçaram uma estratégia para garantir a segurança dos moradores de Darién, província situada na fronteira com o departamento colombiano de Chocó e onde fica o chamado Tampão de Darién, uma das duas florestas tropicais ainda existentes nas Américas.

A Polícia Nacional mantinha uma zona policial em toda a área. Diante das incursões terroristas, o governo panamenho criou um órgão para unificar os esforços de proteção da população e do seu território, dando origem à Direção Nacional de Fronteiras (DINAFRONT). Posteriormente, as instituições de segurança foram reorganizadas e foi criado o SENAFRONT, inicialmente subordinado ao Ministério de Governo e Justiça e atualmente ao Ministério da Segurança.

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