Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Nova era para a Força Aérea Guatemalteca

O desenvolvimento de novas capacidades da Força Aérea Guatemalteca permitirá beneficiar diretamente a população em situações de assistência humanitária, busca e resgate e combate de incêndios florestais, entre outros.
Geraldine Cook/Diálogo | 30 abril 2018

Para o Brigadeiro Timo Hernández Duarte, comandante geral da Força Aérea Guatemalteca, o treinamento, a aquisição de novas aeronaves e equipamentos permitirão otimizar a missão da força para ajudar a população guatemalteca e coadjuvar no combate ao narcotráfico. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

A Força Aérea Guatemalteca está em processo de desenvolvimento e evolução. Seu comandante geral, o Brigadeiro Timo Hernández Duarte, está comprometido com a transformação institucional.

Novas capacidades, treinamento, equipamentos e infraestrutura e uma doutrina voltada para a ajuda à população guatemalteca são os passos que consolidam o novo rumo da organização militar. As missões de ajuda humanitária frente a desastres naturais, as operações nacionais e internacionais no combate ao narcotráfico e às organizações regionais são de suma importância para que a Força Aérea Guatemalteca enfrente os desafios do mundo moderno.

O Brig Hernández conversou com Diálogo durante o Simpósio de Intercâmbio do Hemisfério Ocidental, que transcorreu no marco da comemoração do 75º aniversário da Academia Interamericana das Forças Aéreas (IAAFA, em inglês) em San Antonio, Texas, de 14 a 16 de março. O oficial nos falou sobre o novo rumo da Força Aérea Guatemalteca, entre outros temas.

Diálogo: Qual é a importância da participação da Força Aérea Guatemalteca neste simpósio internacional?

Brigadeiro Timo Hernández Duarte, comandante geral da Força Aérea Guatemalteca: Este simpósio é de importância transcendental para nós, já que estamos em um processo de aprendizado e de transformação do nosso sistema de logística, de manutenção e operação, e neste evento temos a oportunidade de compartilhar novas experiências e aprender com outras forças aéreas da região.

Diálogo: O simpósio faz parte da comemoração dos 75 anos da IAAFA. Em sua opinião, qual é o aporte da IAAFA para as forças aéreas da região?

Brig Hernández: A IAAFA tem tido um percurso muito árduo com desafios nesses 75 anos, mas deu o fruto que seus fundadores e seguidores esperavam ao longo de sua história. Seu apoio tem sido fundamental, principalmente para os países centro-americanos, os quais recebemos capacitação e colaboração em diferentes temas. Espero que a IAAFA continue tendo esse espírito de ajuda, de fomentar irmandade, fraternidade e confiança entre todas as forças aéreas das Américas para que juntas cresçamos e nos fortaleçamos.

Diálogo: Como aluno egresso da IAAFA, o que o senhor pode nos dizer de sua experiência?

Brig Hernández: Fiz o curso de liderança em 1997 e foi uma experiência muito enriquecedora que me ajudou muito em minha carreira militar e no aspecto pessoal. Ainda que seja egresso, e agradeça à IAAFA pelo ensino, quero hoje demonstrar toda a minha gratidão à academia na qualidade de comandante, não só pelo que recebi em termos pessoais, mas também pelo que agora recebo em benefício da minha instituição. Hoje represento a voz de todos os técnicos aéreos e oficiais da Força Aérea Guatemalteca que vieram a esta academia e, do ponto de vista dessa perspectiva, agradeço muito mais à IAAFA. Espero que todos os integrantes da minha força aérea possam desfrutar desta experiência acadêmica e de camaradagem.

Diálogo: A ajuda humanitária e a assistência a desastres formam um dos principais enfoques de coordenação das forças aéreas. Que tipo de esforços a Força Aérea Guatemalteca faz nesse campo?

Brig Hernández: É uma das tarefas fundamentais na qual se concentra a Força Aérea Guatemalteca. Essa missão vem diretamente por desígnio do nosso presidente Jimmy Morales. As capacidades que temos destinam-se precisamente ao serviço à população em missões de ajuda humanitária, de busca e resgate e de proteção de nossos recursos naturais – que lamentavelmente sempre estão ameaçados pelos incêndios florestais em nossas selvas no norte do país. Queremos recuperar algumas de nossas capacidades para que possamos fortalecer nossa missão e beneficiar toda a população guatemalteca tanto de maneira direta, quando atuamos em ações de ajuda humanitária, quanto de maneira indireta, quando atuamos para proteger nossas florestas naturais.

Diálogo: A Guatemala pertence aos países do Triângulo Norte junto com El Salvador e Honduras. Como se integram as forças aéreas do Triângulo Norte para combater o narcotráfico e outras ameaças criminosas transnacionais?

Brig Hernández: Nossa relação com El Salvador e Honduras é excelente, mas já vínhamos trabalhando juntos anteriormente no marco da Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas – o que nos proporcionou a oportunidade de melhorar a comunicação e interagir em exercícios e atividades comuns aos países centro-americanos. Temos o Plano Aliança para a Prosperidade do Triângulo Norte da América Central, que é uma razão a mais para que essa comunicação e essa interatividade que mantemos entre nós continue se fortalecendo.

Diálogo: A colaboração das forças aéreas da região é chave para enfrentar as ameaças comuns, em especial o combate às organizações criminosas transnacionais. Como a Força Aérea Guatemalteca colabora com as forças aéreas da região para enfrentar esses flagelos?

Brig Hernández: Parte do que nos aflige em termos globais são as ameaças do crime transnacional e na Guatemala vimos desenvolvendo muitas atividades para combater esses flagelos, tanto de maneira interna como com os países da região. Temos excelente comunicação com nossos vizinhos de Honduras, El Salvador e México, com quem unimos esforços e compartilhamos um relacionamento muito estreito para prosseguir e fazer uma frente comum contra esses flagelos. Cooperamos também com outros países da área como com a Colômbia, com quem existe um relacionamento estreito de apoio para nos fortalecermos nessa luta regional.

A cooperação internacional é fundamental para enfrentar essas ameaças. Por exemplo, o fato de trabalhar com países como os Estados Unidos, que contam com tecnologia, conhecimentos e experiência, é fundamental. Toda a ajuda e a assistência que eles podem nos oferecer permite o nosso fortalecimento e a aquisição de capacidades para podermos enfrentar as ameaças transnacionais, já que não podemos enfrentá-las de forma individual.

Diálogo: Como a Força Aérea Guatemalteca apoia o papel da mulher dentro de suas fileiras?

Brig Hernández: O papel da mulher dentro das forças militares evoluiu. Desde 1995 se aceita a inclusão da mulher dentro das academias militares. Essa inclusão vem sendo encarada com bons olhos e tem sido de grande ajuda para o avanço das forças em geral. Na força aérea vemos isso de maneira positiva e as mulheres vêm se desenvolvendo profissionalmente para aportar muitos avanços para a instituição e para o país em geral.

Diálogo: Qual é a projeção da Força Aérea Guatemalteca?

Brig Hernández: Estamos em um processo de reformulação. Infelizmente, nas últimas décadas, perderam-se algumas capacidades, e os recursos têm sido muito escassos. Estamos iniciando uma nova era para a instituição. Nosso presidente Jimmy Morales quer dar um apoio fundamental à força aérea porque sabe o que se consegue obter com melhores capacidades, já que se tem o capital para adquirir algumas aeronaves pequenas. Não estamos falando de adquirir capacidades bélicas propriamente ditas, mas sim capacidades que vão beneficiar a população, como na ajuda humanitária, na busca e resgate e no combate de incêndios florestais.

Diálogo: Qual é a sua mensagem para as forças aéreas da região?

Brig Hernández: Temos que estar unidos trabalhando de mãos dadas porque as ameaças não são especificamente para um país em particular, mas sim para todos, e no decorrer deste simpósio ficou claro que, trabalhando juntos, tornamo-nos mais fortes.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 99
Carregando conversa