Guatemala recebe apoio de forças armadas vizinhas

As forças armadas são essenciais nas tarefas de resposta em casos de emergência decorrentes do vulcão de Fogo.
Jennyfer Hernández/Diálogo | 26 junho 2018

Resposta Rápida

O Comando Sul dos EUA mobilizou um avião C-17 da Força Aérea para resgatar seis meninas guatemaltecas, vítimas de queimaduras pelo desastre do vulcão de Fogo, na Guatemala. (Foto: Segundo-Sargento da Guarda Aérea Nacional dos EUA Edward Staton)

A poucos dias da erupção do vulcão de Fogo, em 3 de junho, nas regiões guatemaltecas de Sacatepéquez, Chimaltenango e Escuintla, as forças armadas das nações parceiras intervieram para oferecer apoio ao governo da Guatemala. O objetivo era o de transportar uma dúzia de feridos que precisavam de tratamento intensivo e especializado.

Aeronaves da Força Aérea dos EUA e da Secretaria da Marinha do México decolaram do Aeroporto Internacional La Aurora, na Cidade da Guatemala, entre os dias 6 e 10 de junho, com crianças e adultos vítimas de queimaduras sérias, algumas em quase 80 por cento do corpo. Os feridos estão recebendo o cuidado necessário em seus centros de reabilitação de destino.

“Estamos muito contentes e gratos pelas mensagens de apoio que muitos países da região estão demonstrando”, disse à Diálogo Sergio Cabañas, secretário geral da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres (CONRED). “A ajuda que recebemos depois da tragédia foi um gesto imenso de amor para quem perdeu tudo.”

Transporte até o Texas

Em 6 de junho, um avião C-17 Globemaster III da Força Aérea dos EUA levou seis meninas guatemaltecas para Galveston, no Texas. O Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) despachou a aeronave da Ala de Transporte Nº 172, localizada em Jackson, Mississipi, com uma tripulação de resgate aeromédico do Centro Médico Brooke do Exército dos EUA em Fort Sam Houston, Texas.

Membros especializados em cuidados intensivos de menores e profissionais dedicados ao tratamento de queimaduras participaram do esforço. As meninas recebem atendimento em um centro pediátrico da cadeia de hospitais infantis Shriners, em Galveston. Shriners é uma organização sem fins lucrativos do estado da Flórida, com 22 instalações médicas em todos os Estados Unidos.

“Os hospitais Shriners estão preparados de forma singular para agir em casos de tragédias dessa proporção, pois contam com hospitais especializados em queimaduras por todo o país”, declarou John McCabe, vice-presidente executivo dos hospitais infantis Shriners. “Temos uma longa história de mobilização em várias partes do mundo e nos dedicamos a ajudar essas crianças.”

As operações de transporte foram coordenadas por meio do SOUTHCOM e do Ministério da Saúde da Guatemala dois dias depois do desastre, destacou Cabañas. Além disso, a Força Aérea da Guatemala prestou apoio logístico para a missão.

“Eles [os EUA] levaram crianças pequenas [e adolescentes] entre um e 16 anos de idade”, disse à Diálogo Carlos Soto Menegazzo, ministro da Saúde da Guatemala. “Rogamos a Deus que os seis retornem ao país.”

A Secretaria da Marinha do México contribuiu com ambulâncias aéreas para transportar para a Cidade do México crianças e adultos feridos pelo vulcão de Fogo, na Guatemala. (Foto: AFP)

Apoio urgente

Por sua parte, a Secretaria da Marinha do México, em coordenação com a Embaixada do México na Guatemala, contribuiu com ambulâncias aéreas para transportar crianças e adultos feridos durante vários dias. Segundo destacou Soto, as vítimas foram levadas ao Instituto Nacional de Reabilitação na Cidade do México, onde recebem atendimento que inclui cirurgia e apoio psicológico.

“Essas crianças têm idades entre oito e 14 anos [...] e foram atendidas nos primeiros dias nos hospitais Nacional Roosevelt, San Juan de Dios [na cidade da Guatemala] e [no hospital de] Escuintla”, explicou Soto. “Devido à sua situação clínica, solicitamos à Embaixada do México um apoio urgente para transportar, com suas ambulâncias móveis, sete crianças, que foram examinadas pelos médicos do Centro Nacional de Pesquisa e Atendimento de Queimados do México.”

Vários adultos com queimaduras de segundo e terceiro graus também foram levados para a Cidade do México, atenuando a carga dos hospitais da Cidade da Guatemala, que estão sobrecarregados. Helicópteros do Agrupamento Cóndor da Secretaria de Segurança Pública do México participaram dos esforços de transporte.

Além do transporte aéreo, o SOUTHCOM também contribuiu com um donativo de equipamentos para apoiar os socorristas guatemaltecos que continuam seu trabalho no lugar do desastre. A doação incluiu detectores de gases perigosos, ferramentas e equipamento de proteção pessoal.

O governo dos EUA também contribuiu com US$ 300.000 em ajuda humanitária. Além disso, membros do Escritório dos Estados Unidos de Assistência a Desastres no Exterior, da Agência do EUA para o Desenvolvimento Internacional, trabalham na Guatemala coordenando a assistência para fornecer água potável, serviços sanitários e artigos não alimentícios aos afetados.

Ações no marco zero

Na área do desastre, socorristas e unidades do Exército das Forças Armadas da Guatemala retomaram as ações de busca em 13 de junho. O vulcão continua registrando explosões que impedem as tarefas de localização e extração de corpos.

“Seu apoio [do Exército da Guatemala] é total e absoluto desde domingo, 3 de junho. Eles colaboraram diretamente no resgate de corpos no chamado marco zero”, disse Cabañas. “Os militares foram essenciais para responder à emergência e conseguir resgatar os moradores da área que ficaram presos no fluxo piroclástico que desceu. Eles nos apoiam com a logística e a segurança nos 20 albergues oficiais que temos.”

Segundo o último relatório da CONRED, publicado em 21 de junho, o vulcão tirou a vida de 112 pessoas. Quase 200 pessoas estão desaparecidas e mais de 12.800 habitantes de comunidades próximas ao vulcão foram evacuados.

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