Forças navais da Área Marítima do Atlântico Sul realizam exercício conjunto

Aproximadamente 350 militares das marinhas do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai participaram do exercício simulado de controle de tráfego marítimo.
Taciana Moury/Diálogo | 17 agosto 2017

Capacitação e Desenvolvimento

O exercício simulado reuniu 157 militares da Marinha do Brasil, atuando simultaneamente com militares das marinhas da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. (Foto: Marinha do Brasil)

Os militares das marinhas do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai participaram em junho de um exercício simulado de Controle Naval de Tráfego Marítimo (CNTM), intitulado COAMAS. As forças navais compõem a chamada Área Marítima do Atlântico Sul (AMAS) e realizam anualmente o COAMAS desde a década de 1970. O exercício é conduzido pelo Coordenador da Área Marítima do Atlântico Sul (CAMAS), cargo exercido atualmente pelo Contra-Almirante da Marinha da Argentina Osvaldo Andrés Vernazza, e tem o objetivo de contribuir para a capacitação dos integrantes das Organizações de Controle Naval do Tráfego Marítimo (ORGACONTRAM), da Direção Civil de Transporte Marítimo, da Direção Civil de Pesca e dos países participantes.

A edição 2017 contou com a participação de 157 militares brasileiros, que atuaram remotamente de vários pontos do país. “Tivemos representantes de quatro distritos navais, 13 capitanias dos portos e uma delegacia de capitania dos portos sediados em vários estados do Brasil, além de militares do Comando de Controle Naval do Tráfego Marítimo”, disse o Contra-Almirante Flávio Augusto Viana Rocha, diretor do Centro de Comunicação Social da Marinha do Brasil.

Aproximadamente 350 militares dos quatro países participaram do exercício simulado de forma simultânea e combinada, segundo informações publicadas no site oficial do COAMAS. O C Alte Rocha explicou que o exercício é fundamental para incrementar a interoperabilidade entre as organizações dos países da AMAS. ”Os conceitos trabalhados durante o exercício são aplicados nas atividades diárias de cada força, atuando conjuntamente com as demais organizações congêneres internacionais no intercâmbio de informações sobre o tráfego marítimo de interesse dos países da AMAS”, enfatizou.

Simulação integrada

Segundo o Capitão-de-Mar-e-Guerra da Marinha do Brasil Paulo Renato Rohwer Santos, comandante do CNTM, durante o exercício é utilizado um sistema de compilação de panorama geral da área de operações e de apoio à decisão, onde é representado graficamente o tráfego marítimo, tanto o real quanto o fictício, para que se possa criar a situação inicial do exercício. “Isso permite estabelecer as ações que serão realizadas para se contrapor às ameaças fictícias geradas pela arbitragem do exercício. A partir disso, é acionada a estrutura de CNTM que tem como tarefa a aplicação da doutrina de CNTM”, explicou o CMG Rohwer.

Durante duas semanas de atividades foram criados cenários ligados à poluição ambiental (hidrocarbonetos, radioativo), às doenças infectocontagiosas, ao terrorismo, à imigração ilegal e à pirataria, entre outros. “Nas atividades são treinados os procedimentos de localização, identificação e classificação de ameaça, que servirão de subsídios para a reação da força naval, bem como orientação do tráfego marítimo por meio de emprego de medidas de CNTM”, disse o oficial.

“Um dos cenários criados durante o exercício, por exemplo, foi o levantamento de informações para o CNTM sobre trânsito nas Águas Jurisdicionais Brasileiras de navio mercante transportando dejetos de material radioativo. Na simulação, o navio foi localizado, identificado e classificado conforme o nível de ameaça compatível com sua carga. Ao solicitar atracação em porto nacional, foi lhe determinado fundear em área segura, a fim de se proceder a uma inspeção rigorosa de sua carga pelas autoridades competentes”, contou o CMG Rohwer.

A simulação de um cenário de tráfego marítimo fictício foi utilizada para direcionar as ações dos militares durante o exercício. (Foto: COAMAS)

Para o C Alte Rocha, o adestramento da ORGACONTRAM de todos os países que compõem a AMAS, alcançado por meio do emprego da doutrina de CNTM é fundamental para se contrapor às novas ameaças. A atividade anual também possibilita a integração entre as marinhas do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai.

O exercício simulado de CNTM está na 47ª edição, sendo realizado a cada dois anos, por meio de rodízio, entre os países que compõem a AMAS, segundo explicou o C Alte Rocha. “Neste biênio 2016/2017, a atividade foi conduzida pelo CAMAS de Buenos Aires. Para o biênio 2018/2019, será a partir de Montevidéu, enquanto que, em 2020/2021, a partir do Rio de Janeiro”, disse.

Área Marítima do Sul

O surgimento da organização da AMAS ganhou força na década de 1960, após a aproximação das marinhas dos Estados Unidos e da América Latina, durante a Segunda Guerra Mundial, em consequência da integração da vigilância naval nas Américas. Em agosto de 1964, foi criado o Comitê Interamericano para a Defesa do Tráfego Marítimo. Na época, foi formado um Subcomitê Regional do Atlântico Sul.

Dessa aproximação foi criada a Reunião dos Comandantes das Marinhas da Área Marítima do Atlântico Sul e definido um coordenador para essa área, o CAMAS, em tempo de paz. Em 1966 aconteceu a primeira reunião dos comandantes das marinhas da AMAS e foi criada a atual estrutura do CAMAS. Foram estabelecidas as missões e atividades a serem realizadas, sempre buscando a melhoria e a segurança do tráfego aéreo marítimo na região. Em 18 de agosto de 1967, foi estabelecido em Buenos Aires o primeiro coordenador da AMAS.

Exercícios de tráfego marítimo

Segundo informações da Marinha do Brasil, além do COAMAS, outros dois exercícios são realizados para o aperfeiçoamento do tráfego marítimo. Um deles é o Transamérica, atividade que envolve as marinhas do sistema interamericano: Argentina, Brasil, Chile, Equador, Estados Unidos, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O exercício acontece a cada dois anos. No Transamérica, o CAMAS assume as funções de Oficial Condutor do Exercício Regional (ROCE, por sua sigla em inglês). O exercício vai acontecer no período de 28 de agosto a 8 de setembro de 2017. O outro é o Transoceanic, exercício anual, cujo ROCE é o CAMAS, em que participam, nesta edição, as marinhas da Argentina, do Brasil, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e México.

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