OTAN dá as boas-vindas à Colômbia

Ataques cibernéticos, retirada de minas e experiência em artefatos explosivos foram alguns dos temas abordados pelo secretário geral da OTAN e o presidente colombiano.
Yolima Dussán/Diálogo | 3 dezembro 2018

Relações Internacionais

Jens Stoltenberg, secretário geral da OTAN, deu as boas-vindas a Iván Duque, presidente da Colômbia, pela entrada da Colômbia na OTAN como parceira global, e expressou seu interesse de trabalhar juntos em temas de denominador comum. (Foto: Presidência da República da Colômbia)

O secretário geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) Jens Stoltenberg deu as boas-vindas ao presidente colombiano Iván Duque pela entrada da Colômbia na aliança. Esta foi a primeira visita do governante sul-americano à sede da organização em Bruxelas, no dia 23 de outubro de 2018.

“A cooperação criada entre ambas as partes, desde que a Colômbia se tornou parceira global da aliança, é boa para a Colômbia e é boa para a OTAN”, disse Stoltenberg à imprensa. “A relação se baseia nos nossos valores comuns e no nosso compromisso compartilhado com a paz internacional e a segurança.” 

Menos de três meses após a sua posse como presidente da Colômbia, Duque fez uma viagem pela Europa que incluiu a sua visita à organização como prioridade. “Quero agradecer ao secretário geral da OTAN por nos ter recebido com sua cordialidade e amabilidade e quero também declarar que a Colômbia está feliz por ser a primeira e única nação latino-americana em se tornar membro cooperante da OTAN”, disse Duque.

A OTAN foi criada em 1949, com a assinatura do Tratado de Washington, quando 10 países se comprometeram a defender-se mutuamente diante de qualquer conflito. A aliança é formada por 29 Estados membros: Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Montenegro, Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, România e Turquia. Além disso, nove países fazem parte do grupo de parceiros globais: Afeganistão, Austrália, Colômbia, Coreia do Sul, Iraque, Japão, Mongólia, Nova Zelândia e Paquistão. A Colômbia se tornou parceira global no dia 31 de maio de 2018, cujo status lhe permite participar de operações de treinamento, mas não de operações militares. Os acordos entre a Colômbia e a OTAN se concentram em compartilhar as boas práticas em temas como a retirada de minas, a integridade das forças militares, a formação militar e a participação da mulher na liderança das forças militares e nos programas de segurança.

A reunião de boas-vindas ao presidente da Colômbia incluiu uma mesa-redonda onde se decidiu iniciar um processo para ampliar os espaços de trabalho conjunto. “Acabamos de subscrever um acordo para acelerar a associação entre a Colômbia e a OTAN na questão da defesa cibernética; também avaliamos a experiência da Colômbia na luta contra os artefatos explosivos improvisados, para podermos compartilhá-la”, disse Stoltenberg. “A aliança também leva em consideração a experiência da Colômbia contra o narcotráfico para estendê-la aos países membros.”

Experiência em retirada de minas

Stoltenberg e Duque conversaram em Bruxelas sobre a possibilidade de incluir novos temas de cooperação como a experiência colombiana no controle de explosivos improvisados. (Foto: Presidência da República da Colômbia)

A retirada de minas foi um tema de especial interesse. Trata-se de um programa no qual a Colômbia obteve avanços importantes. De acordo com o Alto Conselho para o Pós-conflito do governo colombiano, o número de municípios declarados livres de suspeita ou de advertências sobre minas antipessoais subiu para 188 em abril de 2018. A Colômbia já limpou 5,2 milhões de metros quadrados de território minado, com um grande avanço nos últimos 18 meses, pois mais de 2,6 milhões de metros quadrados do território nacional já foram liberados graças às condições de segurança proporcionadas pelo acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em 2016.

“Devo agradecer a certificação outorgada pela OTAN às nossas capacidades militares no país”, disse Duque. “O apoio para que as nossas instalações para retirada de minas sejam certificadas nos permite compartilhar os nossos conhecimentos com outras nações parceiras da organização.” 

Participação combinada

Stoltenberg e Duque abordaram outros temas, como a participação da Colômbia em intervenções especiais. “Em 2015, a Colômbia participou da Operação Ocean Shield da OTAN, para combater a pirataria no golfo de Adén e no Corno da África. A experiência que a Colômbia adquiriu poderia apoiar no futuro a missão aliada no Afeganistão”, garantiu Stoltenberg.

No final da reunião, o presidente Duque ressaltou que o fato de fazer parte do grupo de países da aliança é muito importante para as Forças Militares da Colômbia em seu esforço para atingir os padrões internacionais. “Fico muito feliz em saber que a Colômbia tem o respaldo inequívoco da OTAN e também dos seus países membros. Esperamos fortalecer os laços de cooperação.”

Stoltenberg se despediu da delegação colombiana exortando-a a combater os desafios comuns. “A Colômbia é a nossa primeira parceira na América Latina. A parceria com este país tem um grande valor e esperamos reforçá-la e trabalhar juntos em muitos assuntos diferentes, nos quais tenhamos um denominador comum.”

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