OTAN revisa Sistema de Catalogação de Defesa na Colômbia

O sistema se consolida como uma ferramenta de transparência, controle de inventários e fortalecimento da interoperabilidade das forças militares dos países membros da OTAN.
Yolima Dussán/Diálogo | 4 janeiro 2019

Relações Internacionais

Cada país membro da OTAN utiliza o Sistema OTAN de Codificação para identificar, classificar e enumerar os artigos de abastecimento das forças armadas dos países membros da OTAN. (Foto: Denis Aslanov, AFP)

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) realizou a 14ª Reunião do Clube de Usuários do Sistema de Catalogação da Defesa (SICAD), na Colômbia, de 6 a 17 de novembro de 2018. A reunião possibilitou o intercâmbio de experiências entre os países que compartilham o mesmo software e levantou temas técnicos e tecnológicos para a utilização da plataforma. O encontro, liderado pela Colômbia, teve a participação de representantes da Espanha, país com mais de 1,5 milhão de artigos catalogados, além da Polônia, da Bélgica, do Peru e da Arábia Saudita.

“A consciência sobre o SICAD do Sistema OTAN de Catalogação (SOC) é cada vez maior. Avaliamos a importância que representa para as forças armadas poder selecionar os artigos com eficiência, reduzindo o tempo para decidir e adquirir um produto”, disse à Diálogo o Coronel reformado do Exército Nacional da Colômbia Hernando Narváez, subdiretor de Normas Técnicas do Ministério da Defesa. “A reunião permitiu que fossem analisados os benefícios do sistema; os produtos são mais fáceis de identificar e localizar para atender às necessidades logísticas das forças armadas de forma efetiva. 

Importância do banco de dados

O SOC é um conjunto de atividades e processos uniformes que permitem a identificação, classificação e enumeração dos artigos de abastecimento das forças armadas dos países da OTAN, para garantir que um mesmo artigo seja conhecido por uma denominação e um número únicos. Isso elimina a duplicidade, facilita o diálogo técnico, reduz os canais de distribuição e estabelece uma linguagem comum, entre outras vantagens.

O número, conhecido como Número OTAN de Classificação (NOC), é formado por 13 dígitos que identificam os artigos de abastecimento incluídos no SOC. Qualquer produto ou serviço adquirido pelas forças de defesa deve ficar registrado no SOC com seu respectivo NOC, cujos quatro primeiros dígitos são de série da OTAN, os dois seguintes correspondem ao código do país, e os sete restantes são os números sucessivos de cada país onde o produto esteja catalogado.

O sistema inclui a manutenção dos arquivos e o fornecimento dos dados de atualização de todos os países registrados como usuários dos respectivos artigos. Nenhum segmento é excluído: armamento, veículos, aeronaves, tecnologia, víveres, artigos de escritório, vestuário e todos os seus componentes e reposições. Em suma, é um banco de dados sobre cada um dos artigos e componentes comprados pelas forças armadas.

O SOC modifica por completo a forma pela qual são adquiridos os bens e serviços no universo militar. Isso significa trabalhar com normas definidas e aprovadas pelos países membros da OTAN, que garantem e padronizam o funcionamento do sistema de catalogação no âmbito nacional e internacional.

Militares de países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte inspecionam o equipamento no início de um exercício multinacional militar em 2018. O Sistema OTAN de Clasificação foi criado após a Segunda Guerra Mundial para classificar todo o equipamento utilizado pelos países membros. (Foto: Denis Aslanov, AFP)

Produto da Segunda Guerra Mundial

O SICAD nasceu depois da Segunda Guerra Mundial, como uma iniciativa da OTAN em resposta à necessidade de corrigir os problemas logísticos de abastecimento que os exércitos aliados enfrentaram. Em 1953, as nações membros da OTAN adotaram o sistema de identificação projetado e utilizado pelos Estados Unidos que, a partir desse momento, passou a usar a denominação SOC.

“Vários países que precisavam adquirir artigos de abastecimento descobriram que um mesmo item tinha diferentes códigos e isso dificultava o pedido”, lembrou Narváez. “O presidente Roosevelt sugeriu que se estabelecesse um sistema para que esse artigo recebesse um mesmo código mundialmente. Assim teve início a catalogação, um sistema de grande utilidade em tempos de paz e vital em tempos de conflitos.”

O caso colombiano

A Colômbia entrou no SICAD em novembro de 2013, após a assinatura de um acordo entre seu Ministério da Defesa e a OTAN, em um processo que começou com a escolha de um país patrocinador e a assinatura de um convênio de cooperação com cinco países selecionados pela OTAN. “O país patrocinador foi a Espanha e os países com os quais assinamos convênios foram os Estados Unidos, o Panamá, a Itália, a França e a Dinamarca”, disse à Diálogo a Tenente-Coronel do Exército Nacional da Colômbia Luz Amparo Betancur, diretora nacional de catalogação. “Após a criação da estrutura a partir do nosso Sistema de Informação Logística, nós capacitamos nosso pessoal.”

A Colômbia tem 83.359 produtos entre catalogados e identificados. “Catalogados são os que nós produzimos; identificados são os que compramos dos países do grupo. O trabalho ajuda a agilizar os pedidos efetuados”, explicou a Ten Cel Betancur. “Cada registro tem informação técnica detalhada que facilita sua identificação no momento de elaborar um orçamento ou um contrato, ou quando se quer fazer um inventário. O estoquista entra na página do SICAD e identifica as características desse produto com todas as informações necessárias para que a decisão da compra seja tomada.”

A Colômbia faz parte do grupo de países do hemisfério que são membros do SICAD. Argentina, Brasil e Peru estão no sistema e o Chile está em processo de entrada. O SOC é utilizado por 28 países membros e 30 países não membros da OTAN.

“Contamos agora com uma cláusula onde as empresas que ganhem um contrato devem fornecer ao Ministério da Defesa todas as informações técnicas desse produto”, finalizou Narváez. “Aquele que quiser trabalhar com transparência optará pelo SOC sem restrições porque, além de otimizar a logística geral das aquisições do sistema de defesa, o sistema é uma ferramenta que evita a corrupção e permite a transparência.”

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 12
Carregando conversa