México participa do Bold Alligator 2017

Forças navais de 11 nações parceiras fortalecem cooperação e confiança para executar operações de combate anfíbio.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 22 dezembro 2017

Capacitação e Desenvolvimento

Fuzileiros navais dos EUA, do Reino Unido e do México transportam um bote de borracha Zodíaco, durante o Bold Alligator 2017, no Campo Lejeune, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, na Carolina do Norte. (Foto: Soldado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Ashley McLaughlin)

A Secretaria da Marinha do México (SEMAR) finalizou sua participação no exercício de combate anfíbio Bold Alligator 2017 (BA17). O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos organiza o exercício anual desde 2011. Para a edição de 2017, as forças navais da Alemanha, do Brasil, Canadá, Chile, da Espanha, França, do México, da Noruega, Holanda, do Reino Unido e do anfitrião, os EUA, se reuniram na Base Naval de Norfolk, Virginia, de 10 de outubro a 5 de novembro.

“O fato de interoperar com nações parceiras da OTAN fortalece a cooperação e isso impacta positivamente na segurança”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra da Marinha do México Antonio Morales Hernández, diretor da Área de Capacitação e Adestramento da SEMAR. “Participar como membro integrante da coalizão representa o compromisso [do México] com a segurança regional.”

A SEMAR participou com mais de 400 membros formados por uma companhia do Corpo de Fuzileiros Navais, uma equipe de Forças Especiais, o Navio de Assalto Anfíbio ARM Papaloapan e um helicóptero. O México assistiu como observador no BA13 e BA14 e fez parte da equipe de organização no BA16. Os dois últimos exercícios foram simulados e serviram de planejamento para o BA17.

A SEMAR participou ativamente do planejamento e desenvolvimento de operações de combate convencionais no BA17. Em 2017, o exercício se focou em melhorar e homologar as capacidades de coalizão multinacional em uma operação conjunta, para responder a uma situação de crise internacional.

O BA17 foi modificado em seu tempo e forma devido aos furacões Harvey, Irma e María, que afetaram cidades costeiras do mar do Caribe e o Golfo do México, entre setembro e outubro de 2017. Contudo, ainda assim permitiu que as forças internacionais obtivessem capacidades e trabalhassem em conjunto para preparar o cenário de futuros exercícios anfíbios.

O “Bold Alligator 2017” proporcionou as oportunidades para desenvolver e atualizar novos conceitos em táticas, técnicas, procedimentos, equipamentos e tecnologia da guerra convencional”, indicou o CMG Morales. “As forças internacionais desenvolveram operações de embarque e desembarque de veículos anfíbios, combate urbano, sinalização com bandeiras, tática de patrulhas e de tiro real com armamento orgânico.”

Integração de forças

Forças Especiais das marinhas do México e do Chile realizaram planejamento tático no exercício multinacional Bold Alligator 2017. (Foto: Secretaria da Marinha do México)

Dentro das operações principais, fuzileiros navais do México, dos EUA e do Reino Unido realizaram operações nas quais Forças Especiais mexicanas inseriram efetivos militares no mar a partir de helicópteros sob condições de risco, para abordar um navio de combate e chegar à costa para alcançar seu objetivo. As operações anfíbias foram executadas na zona de Onslow Bay, Carolina do Norte.

A SEMAR também participou do desembarque anfíbio de 13 veículos. “A missão principal foi a tomada e o controle da zona de praia onde se realizaram os demais desembarques por parte dos navios dos Estados Unidos”, comentou à Diálogo a Capitão-de-Corveta da Marinha do México Ruth Peress Salvatori. “A capacidade e o tempo para fazer um desembarque é chave para realizar outro tipo de operações terrestres.”

A Marinha do México executou missões de combate em áreas urbanas, bem como inserções e remoções transportadas por helicópteros, em coordenação com as equipes de reconhecimento especial dos EUA e da Marinha do Chile. As unidades de elite da SEMAR realizaram manobras de pouso em navios e trabalharam lado a lado com os fuzileiros navais americanos em exercícios de inspeção aquática.

Trabalho constante

“Além de aumentar as capacidades de comando, controle e comunicações, o Bold Alligator fortaleceu os laços de cooperação e interoperabilidade”, enfatizou o CMG Morales. “Ele demonstrou ao mundo que há uma integração dos membros das forças navais da OTAN, as quais trabalham constantemente em conjunto, e que elas estão prontas para enfrentar diferentes desafios de segurança hemisférica, como emergências ou desastres naturais.”

As forças armadas assistentes avaliaram o alcance operacional que as forças especiais e as unidades regulares apresentam. “Foi muito importante ter obtido a confiança e o reconhecimento de nossas forças armadas aliadas ao demonstrar que nos encontramos no nível de alistamento e capacidades para realizar operações em conjunto”, expressou a CC Peress.

“É de importância vital que estejamos preparados para enfrentar as novas ameaças que atentam contra a segurança e a estabilidade”, acrescentou o CMG Morales. “A evolução da tecnologia provocou o aparecimento e desenvolvimento muito rápido das novas ameaças. O tempo de reação a elas é um fator determinante para a proteção das nações. A cooperação e a integração são condições fundamentais para o sucesso do controle desse tipo de ameaças”, finalizou.

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