México captura líder da Mara Salvatrucha

O gângster estava no México, onde tinha uma estrutura criminosa com membros da gangue MS-13 sob a fachada de venda de carros.
Lorena Baires/Diálogo | 8 maio 2018

Ameaças Transnacionais

Herbert William Meléndez Barrientos (centro) é acusado de ser um dos líderes máximos da Mara Salvatrucha em El Salvador. Ele criou uma rede de narcotráfico para distribuir drogas no México, na Guatemala e em El Salvador. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

A Polícia Federal do México capturou Herbert William Meléndez Barrientos, em colaboração com a Polícia Nacional Civil (PNC) de El Salvador, em 12 de abril de 2018. O gângster era um dos membros da Ranfla Nacional, liderança máxima da Mara Salvatrucha (MS-13), especializada na distribuição de drogas em El Salvador.

“Esse [delinquente] estava na lista dos 100 mais procurados [pela organização Crime Stoppers El Salvador] e foi detido no Valle de Chalco, Estado do México, onde estava morando havia três anos com sua esposa e dois filhos. Quando a polícia o localizou, ele entregou documentos de identidade mexicanos falsos em nome de Gilberto Inclán Carmona”, disse à Diálogo o comissário Howard Cotto, diretor da PNC de El Salvador.

Meléndez tinha três prédios urbanos onde comercializava veículos no México, a mesma modalidade da MS-13 em El Salvador, para financiar suas atividades criminosas e a lavagem de dinheiro, de acordo com a PNC. A detenção do gângster foi possível graças ao intercâmbio de informações entre a Polícia Federal do México, o Centro Antiquadrilhas Transnacional (CAT) e a PNC em El Salvador, no âmbito dos acordos do Grupo de Alto Nível de Segurança (GANSEG), México-El Salvador.

O GANSEG, criado em 2014 entre o México e El Salvador, tem como missão institucionalizar os mecanismos de cooperação em segurança e no combate à delinquência organizada transnacional. O grupo combinado é composto por seis equipes de peritos em inspeção alfandegária, delinquência organizada, inteligência, migração, narcotráfico, prevenção social e segurança pública.

“Há algumas semanas prestamos informações cruciais à Polícia Federal do México para localizá-lo”, sublinhou o comissário Cotto. “Esses dados e o acompanhamento que fizemos em conjunto nos permitiram capturá-lo.”

O CAT em El Salvador é um organismo financiado pelos EUA, por meio do Escritório Federal de Investigação. O escritório administra uma ampla base de dados de gângsteres que delinquem em ambos os países; mais da metade está na cadeia.

Graças ao CAT, Napoleón Eduardo Castro foi capturado em janeiro de 2018 em El Salvador. Castro era procurado por um juiz da Califórnia, acusado de haver torturado e assassinado sua esposa nos Estados Unidos.

Ambição de poder

Meléndez também é conhecido como El Tiburón de San Coco, por ser o fundador de um subgrupo dentro da MS-13, conhecido como San Coco Locos Salvatruchos, que opera no município salvadorenho de Sonsonate. O relatório policial detalha que o delinquente abandonou o país em 2016 em companhia de outros gângsteres, por problemas com os chefes da quadrilha relacionados com ambições de poder. “Como consequência das contradições com o resto da liderança da quadrilha, esse sujeito fugiu em direção ao México”, acrescentou o comissário Cotto.

A Polícia Nacional Civil e as forças-tarefa especializadas da Força Armada de El Salvador executam operações conjuntas em busca dos delinquentes mais procurados no país. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

Estabelecido no México, ele montou uma estrutura criminosa com membros da MS-13. Assim, eles entraram no tráfico de drogas; a célula em El Salvador era responsável pela distribuição da droga ao longo da costa pela rodovia El Litoral. Meléndez é procurado em seu país pelos delitos de narcotráfico, homicídio com agravante, posse e porte de armas de fogo e terrorismo.

As autoridades afirmam que, em 25 de novembro de 2014, o suposto assassino organizou o massacre de um grupo de oito pessoas que participavam de uma festa de 15 anos no Estado de Sonsonate. Nessa oportunidade, homens armados entraram no lugar com a ordem de matar o namorado da aniversariante, um dos líderes da quadrilha.

Sem abandonar sua posição na liderança da MS-13 e sua célula criminosa, Meléndez construiu uma imagem de benfeitor durante os últimos dois anos em que permaneceu em El Salvador. Durante as eleições municipais e legislativas de 2015, estava inscrito como candidato a vereador pelo município de Sonsonate e formou a Associação para o Desenvolvimento Comunitário “Unidos pela Paz”, com a qual promoveu projetos comunitários.

Em 2016, seu nome foi novamente ouvido entre as autoridades policiais salvadorenhas quando realizaram a Operação Jaque, que descobriu uma complexa rede de negócios da MS-13, financiada com recursos ilícitos obtidos principalmente por extorsão. Meléndez era responsável por alguns desses negócios desmantelados.

O gângster foi deportado do México em 13 de abril de 2018. Apresentado perante os meios de comunicação em El Salvador, aceitou sua liderança dentro da quadrilha e negou qualquer vínculo com a política. “Não temos relações com políticos; nós nos desenvolvemos com inteligência própria e não nos relacionamos com ninguém. Fui ao México para escapar e fugir das autoridades”, declarou Meléndez.

Recompensas por informações

Na nova lista dos 100 mais procurados, atualizada em janeiro de 2018 pela Crime Stoppers El Salvador, 65 delinquentes pertencem à MS-13 e 35 à Mara Barrio 18. Os acusados acumulam 364 delitos entre homicídios, atos terroristas, extorsões e associação delituosa, entre outros.

“Na nova lista de delinquentes todos pertencem a estruturas terroristas”, indicou à Diálogo o comissário José Luis Mancilla Valle, chefe da Divisão de Cumprimento de Disposições Judiciais da PNC de El Salvador. “Como no caso de Meléndez, o intercâmbio de informações com países da região é crucial para capturá-los.”

Na lista de 2017, 82 dos 100 foram capturados e só 18 foram abatidos em confrontos com autoridades de segurança. A Crime Stoppers El Salvador oferece em 2018 diversas recompensas monetárias e em espécie, em troca de informações que permitam capturá-los, sob total sigilo para quem os denunciar.

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