Forças Armadas do México empregam contingente maciço para terremoto

Dezenas de milhares de militares, policiais e membros da sociedade civil apoiaram a população mexicana com trabalho coordenado interagencial e doações.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 13 outubro 2017

Resposta Rápida

Efetivos das Forças Armadas do México trabalham nas tarefas de busca e ajuda por causa do sismo de 19 de setembro. (Foto: Secretaria da Defesa Nacional do México)

Apenas alguns minutos depois que um terremoto abalou o Mexico em 19 de setembro, as Forças Militares do México utilizaram mais de 14.000 efetivos em apoio aos esforços de resgate e vigilância. O terremoto de magnitude 7.1 atingiu o centro do país, com graves consequências na Cidade do México.

“Os comandos navais não necessitam de autorização do comando central ou do governo federal para prestar apoio [frente a uma emergência] aos governos municipais ou estaduais”, esclareceu à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra Carlos Guerra Ortega, chefe da subseção de Proteção Civil e Contingências da Secretaria da Marinha do México (SEMAR). “Esses comandos, estabelecidos nos 17 estados costeiros, fazem parte dos conselhos de cada município e estado da república mexicana.”

O Serviço Sismológico Nacional do México localizou o epicentro do terremoto a 12 quilômetros a sudeste de Axochiapan, Morelos, a 120 km da Cidade do México e a uma profundidade de 57 km. O sismo, que sacudiu com especial força a capital do país, fez com que milhares de pessoas atemorizadas saíssem para as ruas.

As redes de comunicações caíram junto com 38 edifícios. Centenas de pessoas ficaram presas sob os escombros dos imóveis desmoronados. Um cenário semelhante ocorreu nos estados de Morelos e Puebla.

O governo federal respondeu de imediato e convocou o Comitê Nacional de Emergências. Com isso, foi ativado o “Plano MX”, que coordena e organiza os esforços do Plano DN-III-E do Exército, o Plano Marinha, o Plano de Apoio à População Civil da Polícia Federal e outros planos de resposta sob uma única autoridade, o Sistema Nacional de Proteção Civil, para atender a grande contingência.

O Plano MX é flexível e permite que instituições como a SEMAR ativem seus respectivos planos. Assim, as instituições podem oferecer o apoio exigido ao mesmo tempo em que se vive a emergência.

Mobilização imediata

A Marinha, o Exército e a Força Aérea mobilizaram imediatamente suas tropas, material e equipamentos para as zonas mais críticas para atender a contingência. O apoio das equipes civis mexicanas e internacionais de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC), fortaleceu a capacidade das equipes já mobilizadas e permitiu um trabalho mais ágil.

A Secretaria da Defesa Nacional (SEDENA), por meio do Exército e da Força Aérea, mobilizou 4.169 militares para a Cidade do México, 1.663 para Morelos e 1.185 para Guerrero e o Estado do México. Todos eles foram colocados de prontidão para proporcionar assistência humanitária, serviços médicos, ações de busca e salvamento e remoção de escombros.

A SEMAR, de forma imediata, mobilizou 4.125 elementos navais na capital do país. A ajuda veio em veículos de resgate, equipes de comunicação, duplas caninas e com o grupo de especialistas do BREC.

Forças Armadas e sociedade civil, em perfeita sincronia, deram apoio nas tarefas de busca e resgate de pessoas. (Foto: Secretaria da Marinha do México)

“Realizamos uma avaliação de danos, empregando unidades de asa móvel e terrestre, para conhecer o lugar mais afetado”, disse o CMG Guerra. “Noventa minutos após o sismo, um grupo do BREC já estava mobilizado e atendendo a população afetada na capital do país.”

Como parte do plano de resposta, a Polícia Federal (PF) participou com 3.000 agentes nas tarefas de resgate e vigilância. Os agentes de segurança estabeleceram um cerco perimetral nas zonas mais afetadas para evitar qualquer incidente. A PF também deu apoio, em Morelos e Puebla, com o traslado de feridos graves a bordo de suas unidades aéreas.

“Graças ao conhecimento dos planos de resposta, ações de preparação constante, aplicando a gestão integral de riscos e a coordenação institucional, não ocorreram maiores problemas”, ressaltou o CMG Guerra. “Realizamos, no menor tempo possível, as ações para apoiar a população civil.”

Capacidade, determinação e confiança

“A maturidade e organização da sociedade civil foi um reflexo claro do que se pode aprender dentro da SEMAR”, acrescentou o CMG Guerra. “Desde os primeiros minutos após o sismo, a população se uniu para dar o apoio necessário nas áreas de emergência.”

“Deve-se destacar a capacidade que tanto a Marinha como o Exército têm em ajudar a ordem para controlar os espaços pela mobilização social em favor das vítimas”, disse à Diálogo Yadira Gálvez, analista de temas de segurança e forças armadas da Universidade Nacional Autônoma do México, “em especial as tarefas designadas de busca e resgate”.

A maioria da população reconhece a participação das Forças Armadas em favor das pessoas. De acordo com Gálvez, o México não só tem forças empregadas praticamente todos os anos em apoio à população afetada por desastres naturais, mas também tem uma grande trajetória e uma ampla experiência em termos de desastres naturais. No momento em que ocorreu a contingência, as Forças Armadas do México se encontravam na missão de apoiar a população em consequência dos furacões que haviam afetado os estados de Baja California Sur, Veracruz, Tamaulipas e Guerrero. Ao mesmo tempo, trabalhavam nas zonas afetadas pelo sismo de 8,2 graus de 7 de setembro nos estados de Oaxaca, Chiapas, Tabasco e Guerrero.

“As relações entre civis e militares se consolidam, e avança-se em termos de confiança e certeza com relação ao reconhecimento da sociedade às Forças Armadas”, disse à Diálogo Javier Oliva, especialista em forças armadas e professor na Universidade Nacional Autônoma do México. “As forças Armadas têm a capacidade e a determinação necessárias para acompanhar a população em momentos difíceis.”

O México avança na prevenção de desastres

O México mudou sua visão, passando de ter um sistema reativo para contar com um sistema preventivo. “Por meio de uma gestão integral de riscos, aumenta-se a resiliência da população”, manifestou o CMG Guerra. “A nação mexicana entendeu que os riscos estão sempre presentes e que não se pode fazer nada contra eles [terremotos, furacões, chuvas, incêndios], contudo, para evitar que tais riscos se convertam em desastres, trabalha-se para reduzir a vulnerabilidade.”

“Uma vez mais, a força e as capacidades institucionais do México foram demonstradas, embora também seja preciso melhorar protocolos”, comentou Gálvez. “Apostar mais na prevenção permitiu reduzir as perdas humanas”, concluiu o CMG Guerra. O apoio ao sismo ainda se encontra ativo.

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