Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Força Aérea Mexicana em processo de modernização

A Força Aérea Mexicana renova sua frota de aeronaves e cria novas estratégias para combater as organizações criminosas transnacionais.
Geraldine Cook, Diálogo | 6 agosto 2018

Para o Brigadeiro Miguel Enrique Vallín Osuna, comandante da Força Aérea Mexicana, o intercâmbio de informações, de experiências e de conhecimentos é fundamental para as forças aéreas da região. (Foto: Capitão Stephanie Schonberger, 12ª Força Aérea das Forças Aéreas Sul dos EUA)

O objetivo do Brigadeiro Miguel Enrique Vallín Osuna, comandante da Força Aérea Mexicana (FAM), é construir uma organização com uma grande capacidade estratégica e de resposta imediata, além de mobilidade tática. Para isso, ele prepara a FAM com capacitação e ampliação de pessoal, modernização da frota aérea e da infraestrutura e estratégias que lhe permitirão cumprir integralmente a sua função de defender a integridade, a independência e a soberania nacional.

O Brig Vallín participou da LVIII Conferência de Chefes das Forças Aéreas Americanas (CONJEFAMER, em espanhol), realizada na Cidade do Panamá, Panamá, entre os dias 19 e 21 de junho de 2018. O líder militar conversou com Diálogo sobre sua participação no evento, a cooperação internacional e os avanços do Plano 2030, entre outros temas.

Diálogo: Qual é a importância da participação do México na LVIII CONJEFAMER?

Brigadeiro Miguel Enrique Vallín Osuna, comandante da Força Aérea do México: Como membro ativo do Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA), é importante estar na CONJEFAMER para ter uma participação – tal como a dos demais membros – com voz e voto em todas as resoluções tomadas. Aqui são decididos os trabalhos e as atividades do próximo ciclo anual, que começará a partir dessa junta de comandantes de forças aéreas.

Diálogo: Por que é importante que a FAM pertença ao SICOFAA? Quais são os benefícios?

Brig Vallín: Para a FAM é fundamental pertencer ao SICOFAA – tal como para os demais países membros – devido ao intercâmbio de informações, experiências e conhecimentos. Devemos estar preparados nos diversos âmbitos que nos interessam, desde as conferências de medicina aeroespacial e a ajuda humanitária, até a realização de operações aéreas combinadas, especialmente nos aspectos de planejamento operacional e de logística, para estarmos prontos antes de realizar determinada atividade ou evento.

Diálogo: No final de 2018, a FAM prevê encerrar a primeira das três etapas de modernização previstas para o Plano 2030. Em que consiste essa primeira fase?

Brig Vallín: O Plano 2030 é uma estratégia interna da Secretaria de Defesa Nacional, na qual intervêm diversas dependências do Estado-Maior. Para esse plano foram previstas três etapas principais. A primeira delas é realizar uma reestruturação da força aérea em nível de pessoal como, por exemplo, ter uma participação maior de membros femininos nos plantéis e instituições militares. A segunda se refere à parte de material para a modernização da frota aérea e a terceira se refere à infraestrutura. Nessa primeira etapa, sob a administração do presidente Enrique Peña Nieto, foram adquiridas 41 aeronaves de asa rotativa Black Hawk, EC-725 Cougar e Bell 407GX, bem como 102 aeronaves de asa fixa T-6C Texan, C-295M/W, C-27J Spartan, Grop G120TP e Boeing 737-800, além de dois sistemas aéreos não-tripulados. 

Diálogo: Como a FAM se prepara para a assistência humanitária e a ajuda em desastres naturais?

Brig Vallín: Preparamos os integrantes da FAM de diferentes formas. Nós fazemos isso através de exercícios simulados em coordenação com o Exército Mexicano. Temos o Centro de Adestramento do Exército e a Força Aérea, onde nossos oficiais vão fazer cursos sobre proteção civil, para conseguir uma doutrinação e uma padronização dos procedimentos. Contamos também com a experiência própria que nos deixaram os mais de 50 anos do Plano DN-III-E (um plano de auxílio à população civil em casos de desastres). Esse plano, que é o instrumento operacional das orientações gerais do Exército e da Força Aérea para realizar atividades de ajuda à população em casos de desastres, nos permite pensar e atuar em uma mesma ordem dada a todos os integrantes das forças militares, desde os altos comandos e oficiais, para saber o que devemos fazer em casos de auxílio à comunidade e para estarmos capacitados para atuar imediatamente.

 Diálogo: A FAM desempenha um papel muito importante na luta contra o narcotráfico no México. Quais são as novas estratégias de combate criadas nesse aspecto?

Brig Vallín: Uma das estratégias é a implementação do deslocamento de esquadrilhas de dedetização nas áreas com alta incidência de maconha e papoula. Essas esquadrilhas entram em ação em dois períodos anuais, com base no ciclo vegetativo dos plantios de enervantes. As operações das esquadrilhas recebem o apoio de helicópteros que ajudam no reconhecimento do terreno e no transporte em áreas de difícil acesso aos membros militares.

 Diálogo: Que tipo de colaboração internacional existe entre a FAM e a Força Aérea dos Estados Unidos?

Brig Vallín: Existe uma relação bilateral de cooperação em todos os âmbitos entre nossas forças armadas e aéreas, a partir do aspecto operacional, logístico, de capacitação e de adestramento. Essa cooperação nos possibilita ter um bom entendimento para os dois países.

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