Mattis critica agressividade chinesa durante sua turnê pela América do Sul

O secretário de Defesa dos EUA James N. Mattis advertiu seus aliados sul-americanos contra a agressividade dos chineses, criticando o que ele denominou a “economia predatória” da China e a militarização de áreas de crescente importância, tanto no mar quanto no espaço.
Carla Babb/ Voz da América | 17 agosto 2018

Ameaças Transnacionais

O secretário de Defesa dos EUA James N. Mattis passou as tropas em revista e foi recebido com honras militares no Ministério da Defesa, antes de se reunir com Joaquim Silva e Luna, ministro da Defesa do Brasil. (Foto: AFP)

Falando a um grupo de alunos militares no Rio de Janeiro, Mattis pediu a parceria dos brasileiros para defender os recursos americanos no espaço, acrescentando que a decisão de criar uma Força Espacial dos EUA foi uma reação baseada na capacidade de ataque da China e da Rússia. Ele deu o exemplo de quando a China usou um míssil para destruir um de seus satélites no espaço em 2007.

“Entendemos a mensagem que a China estava enviando, de que seu país poderia lançar um satélite no espaço”, Mattis disse ao grupo. “Não pretendemos militarizar o espaço. Contudo, nos defenderemos no espaço, se for necessário.”

Os satélites dos EUA são usados para comunicações, previsão do tempo e GPS. Eles também trazem trilhões de dólares em produção econômica, segundo Paul Selva, vice-presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA.

A China demonstrou um interesse crescente em alavancar os esforços da América Latina no espaço, inclusive financiando e operando um centro espacial na Argentina.

As empresas espaciais americanas veem com entusiasmo a possibilidade de lançar satélites do novo centro espacial do Brasil na cidade de Alcântara, na costa atlântica ao norte do país. 

Mar do Sul da China

Mattis também criticou o envio de armas e outros recursos de defesa pelos chineses ao disputado Mar do Sul da China, palco de uma das mais importantes rotas de comércio mundial. “A China está destruindo a confiança das nações na região com sua massiva militarização”, disse Mattis.

No início deste ano, o secretário de Defesa dos EUA desconvidou a China para os exercícios navais bianuais Rim of the Pacific (RIMPAC), que envolveram mais de 20 países. Ele disse que tomou essa decisão depois que a China agiu contrariamente ao que seu presidente havia prometido publicamente, levando armas para as ilhas Spratly.

“Não há necessidade de militarização daquelas ilhas”, disse. “A China, no auge do seu crescimento econômico, se aproveitou da liberdade de navegação de que gozam todas as nações, grandes ou pequenas; então queremos restituir essas condições.”

Economia predatória’

Especialistas dizem que os chineses aumentaram seu interesse na América do Sul, principalmente por razões comerciais. No entanto Jason Marczak, diretor do Centro para a América Latina Adrienne Arsht, do Conselho do Atlântico, disse à VOA que Pequim também vem tentando desenvolver uma maior cooperação para a segurança, com o objetivo de “garantir a segurança de levar produtos ao mercado”.

Mais uma vez Mattis advertiu contra as transações da China nas Américas, citando que em dezembro passado o Sri Lanka precisou entregar um porto a Pequim por 99 anos, depois de não ter conseguido honrar os pagamentos de empréstimos feitos pela China.

“O respeito mútuo vem primeiro”, disse Mattis. “Não se pode usar a economia predatória e acumular dívidas massivas contra um país, para depois tirar sua soberania sobre um dos seus portos, como ocorreu no Sri Lanka.”

O Pentágono diz que as vendas de equipamentos militares dos EUA em todo o mundo aumentaram US$ 5 bilhões em relação ao 2017. As autoridades esperam que a concorrência da China não afete as vendas futuras dos EUA na América Latina.

*Este artigo for publicado inicialmente em VOA News: https://www.voanews.com/a/mattis-south-america-trip/4529266.html

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