MARFORSOUTH adestrará o Batalhão de Fuzileiros Navais de El Salvador

A Força do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Sul (MARFORSOUTH) ampliará o seu programa de adestramentos para o Batalhão de Fuzileiros Navais (BIM, em espanhol) da Força Naval de El Salvador (FNES), para incrementar as habilidades táticas e operacionais do grupo de elite na luta contra as redes do narcotráfico e os grupos criminosos transnacionais, como as gangues Mara Salvatrucha e Barrio 18.
Lorena Baires / Diálogo | 15 julho 2019

Capacitação e Desenvolvimento

Membros da Força Naval Tridente e do Grupo Conjunto Cuscatlán vigiam o território marítimo de El Salvador. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

Essa cooperação surgiu durante uma visita aos fuzileiros navais salvadorenhos realizada pelo Contra-Almirante do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos Michael F. Fahey III, comandante da MARFORSOUTH, no dia 13 de maio de 2019.

“Os adestramentos são dirigidos para que nosso pessoal seja mais profissional e eficiente no terreno. Reforçaremos as unidades de elite que combatem o crime”, explicou o Capitão de Corveta da FNES David Jiménez, comandante do BIM. “Sempre contamos com a cooperação dos fuzileiros navais americanos para nossa formação na luta contra as ameaças emergentes.”

O BIM reforça a Força-Tarefa Neptuno, uma equipe de intervenção rápida contra as gangues; a Força Naval Tridente, que é o grupo de elite contra o narcotráfico; e o Grupo Conjunto Cuscatlán, que é uma equipe interagencial que combate o tráfico de grandes carregamentos de drogas. “Os adestramentos elevam nosso nível de prontidão operacional, porque são atualizados de acordo com as transformações pelas quais passa a criminalidade”, disse à Diálogo o Capitão-Tenente Miguel Luna, instrutor do BIM. “Os fuzileiros navais enfrentam cenários que mudam, tanto no combate às gangues como ao narcotráfico. Por isso, é importante que nos atualizemos em movimentos e táticas de combate próximo e infiltrações.”

As estruturas das gangues são complexas, funcionam com beligerância e em cenários cujas fachadas parecem lícitas. “As gangues mudam sua forma de atuação; mostram sua força e o que são capazes de fazer”, enfatizou o Capitão de Mar e Guerra DEM René Merino, ministro da Defesa de El Salvador. “Não vamos esperar que as quadrilhas cresçam; por isso nos atualizamos e operamos com dinamismo, de acordo com a realidade que nos é apresentada.”

A FNES se destaca pelos seus resultados na região. Entre 2015 e 2018, os militares confiscaram cerca de 25.000 quilos de drogas. Esse nível de eficiência se deve, em grande parte, à capacitação e ao adestramento constante fornecidos pela MARFORSOUTH.

O Contra-Almirante do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos Michael F. Fahey III, comandante da MARFORSOUTH (à esq.), visitou a FNES para conhecer as necessidades de adestramento e instrução na luta regional contra as ameaças emergentes. (Foto: MARFORSOUTH)

“Todo o nosso pessoal recebe cursos básicos e avançados sobre fuzileiros navais, liderados pelos militares americanos, porque somos a força de choque da FNES frente às ameaças emergentes”, garantiu o CT Luna. “As capacitações que recebemos fazem com que os fuzileiros navais se especializem. Daí seus excelentes resultados.”

“O que nos fortalece são as táticas contra a criminalidade utilizadas no terreno. Por exemplo, como libertar reféns, como entrar em casas ocupadas por criminosos, como infiltrar embarcações em alto mar”, acrescentou o CC Jiménez. “Somos um batalhão em crescimento e a capacitação da MARFORSOUTH é indispensável nesse processo.”

A assistência das diversas agências americanas que lutam contra o tráfico de entorpecentes é essencial para melhorar os resultados obtidos, diz o Relatório de Estratégia Internacional para o Controle de Narcóticos 2019 do Departamento de Estado dos Estados Unidos. “As apreensões de cocaína em 2018 [12,4 toneladas] aumentaram 120 por cento em comparação com o mesmo período em 2017 [4,4 toneladas], devido à maior cooperação e às operações realizadas pela inteligência da Força Armada de El Salvador com as autoridades marítimas dos EUA”, ressalta o documento.

A presença constante dos fuzileiros navais salvadorenhos obriga os narcotraficantes a se deslocarem em águas internacionais no Oceano Pacífico em semissubmersíveis de baixo perfil. Por isso a FNES criou um escudo de vigilância permanente, que se estende além das 200 milhas náuticas. A vigilância funciona os sete dias da semana, as 24 horas do dia, com equipes especializadas em alerta constante.

Apesar de contar com recursos limitados, o trabalho do BIM nos diferentes grupos de elite é reconhecido. “Os resultados obtidos são contundentes. Somos considerados uma das marinhas mais eficientes na luta contra o narcotráfico”, enfatizou o CMG Merino. “No ano passado [2018], confiscamos 6.380 kg de drogas em somente uma operação, e foi uma das 15 maiores apreensões realizadas no oceano em todo o mundo. O nível profissional e a capacidade operacional do nosso pessoal são altos, bem como a nossa própria capacidade operacional. Somos gratos à cooperação permanente que recebemos para proteger nossa região contra as ameaças emergentes”, concluiu o CC Jiménez.

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