Elogio de Maduro a indígenas venezuelanos soa falso

A afirmação de Nicolás Maduro de que os indígenas venezuelanos são seus aliados contradiz o tratamento que o regime dispensa a eles.
Olufemi Terry / ShareAmerica | 10 setembro 2019

Ameaças Transnacionais

O indígena Cheo Alexis, que foi ferido por um disparo de arma de fogo durante os protestos na Venezuela, descansa em um hospital em Boa Vista, Brasil, no dia 27 de fevereiro de 2019. (Foto: Bruno Kelly, Reuters)

Durante uma comemoração do Dia Mundial dos Povos Indígenas, em Caracas, Venezuela, no dia 9 de agosto, Maduro disse que os povos indígenas da Venezuela estão em “resistência ativa” contra os esforços que buscam isolar o seu regime. Essa visão ridiculariza a recente experiência dos pemons, uma comunidade indígena de 30.000 pessoas que vivem em uma região da Venezuela que potencialmente detém uma grande riqueza.

O regime de Maduro, pressionado por sanções e sua própria má gestão da produção de petróleo, está desesperado para obter rendimentos. Em 2016, o regime lançou o Projeto Arco de Mineração do Orinoco, a fim de explorar mais de 111.000 quilômetros quadrados de terras no cinturão da região central da Venezuela, a qual acredita-se que abrigue alguns dos maiores depósitos de ouro do mundo, bem como diamantes, coltan e bauxita.

Soldados venezuelanos agindo sob as ordens do regime, gangues armadas e militantes colombianos criaram uma atmosfera sem lei de mineração e extração de madeira ilegais na região, como resultado da corrupção desenfreada e do colapso do Estado de Direito.

Os pemons sofreram ataques do exército e de outros grupos armados, ao tentar defender suas terras contra mineiros e madeireiros ilegais, bem como contra soldados corruptos e brutais.

Em fevereiro, tropas do governo mataram dois indígenas pemons e feriram pelo menos outros 25 enquanto fechavam a fronteira, visando impedir a entrada de ajuda humanitária.

Desde então, cerca de 1.300 membros da comunidade pemon da Venezuela fugiram atravessando a fronteira para a aldeia de Tarauparu, no Brasil, onde vivem outros pemons, de acordo com um relatório da Agência das Nações Unidas para Refugiados*.

“Com o colapso da economia venezuelana e a consequente escassez de alimentos e remédios, a inflação devastadora e a agitação social generalizada”, diz o relatório, “não está claro quando – ou mesmo se – as centenas de pemons que encontraram segurança no Brasil voltarão à Venezuela”.

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