Líderes das forças aéreas das Américas promovem a cooperação no Panamá

Em sua 58ª edição, a CONJEFAMER deu boas-vindas a um novo membro.
Diálogo | 23 julho 2018

Relações Internacionais

Líderes das forças aéreas americanas fortaleceram os laços de amizade na LVIII CONJEFAMER, realizada entre os dias 19 e 21 de junho de 2018 na Cidade do Panamá, Panamá. (Foto: Capitão da Força Aérea dos EUA Stephanie Schonberger)

Líderes das forças aéreas das Américas se reuniram na LVIII Conferência dos Chefes das Forças Aéreas Americanas (CONJEFAMER, em espanhol), realizada entre os dias 19 e 21 de junho de 2018, na Cidade do Panamá. A conferência, patrocinada pelo Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA), contou com delegações de países membros do SICOFAA e com observadores.

O objetivo do encontro anual foi fortalecer os laços de amizade entre as nações parceiras, examinar a missão coletiva do SICOFAA, aprovar exercícios conjuntos e compartilhar as lições aprendidas. Além disso, a conferência possibilita a atualização da capacidade operacional de cada força para responder da melhor maneira possível aos desafios regionais e ao enfoque operacional do SICOFAA: a ajuda humanitária em desastres.

“Trata-se de um sistema de cooperação entre amigos e vizinhos”, destacou o Major-Brigadeiro da Força Aérea dos EUA Mark D. Kelly, comandante das Forças Aéreas do Sul. “Quando nossos países estão preocupados com desastres naturais, inundações, incêndios, furacões, terremotos... não queremos nos reunir em tempos de crise, mas sim antes, muito antes da crise, para aprender como cada um trabalha, para que tudo funcione melhor quando esse dia chegar.”

Integração da Jamaica

O encontro, que por mais de meio século vem fortalecendo os laços dos líderes das forças aéreas das Américas, também facilita novas formas de cooperação. Na edição 2018 da CONJEFAMER, o SICOFAA aprovou a incorporação da Jamaica, que passou de país observador a país membro permanente.

“Acho que o SICOFFA é um sistema de cooperação muito importante para as forças aéreas, as quais podem encontrar meios de colaborar sem muitas diretivas políticas”, disse à Diálogo o General-de-Brigada Rocky Meade, chefe do Estado-Maior de Defesa da Força de Defesa da Jamaica. “São Estados-membros que se ajudam entre si, que se reúnem e analisam os problemas comuns, que buscam soluções que possam funcionar para todos os membros, que testam as soluções e que respondem quando há um problema real. Isto me parece muito impressionante.”

A integração da Jamaica permite que o SICOFAA se aproxime ainda mais do Caribe, e eleva o número de países membros nas Américas para 21. A decisão será mutuamente benéfica, visto que a Jamaica participa de operações humanitárias na região propensa a desastres naturais.

“Acho que podemos contribuir de alguma maneira”, disse o Gen Bda Meade. “Sem dúvida, podemos contribuir com muitas ideias porque temos grande experiência com furacões e outros desastres. Podemos contribuir com os planos e, se precisarmos ajudar a outro país, talvez não tenhamos uma grande aeronave, mas podemos contribuir com os poucos recursos de que dispomos. Espero ansiosamente que possamos contribuir com o sistema.”

Respostas efetivas

Durante a conferência, os participantes analisaram as respostas do SICOFAA e compartilharam as lições aprendidas face às emergências de 2017. Entre as operações realizadas, destacaram-se as operações combinadas de ajuda humanitária na América Central durante os furacões Irma e Maria, bem como as respostas aos incêndios florestais no Chile.

O General-de-Brigada Rocky Meady, chefe do Estado-Maior de Defesa da Força de Defesa da Jamaica, espera que a Jamaica possa contribuir com o SICOFAA como novo Estado-membro da associação. (Foto: Capitão da Força Aérea dos EUA Stephanie Schonberger)

“O SICOFAA tem um novo enfoque operacional de ajuda humanitária em desastres, iniciado no ano 2010”, disse à Diálogo o Coronel da Força Aérea do Peru Jorge Reategui Bartra, subsecretário geral do SICOFAA. “Isso vem surtindo resultados; estamos melhorando os sistemas de comunicação e proporcionando melhores ferramentas aos países, para que possamos nos comunicar e entender melhor a questão da ajuda humanitária.”

Além disso, destacaram-se as entregas de mais de 100 toneladas de equipamentos médicos e de busca e resgate ao Peru, devido às inundações causadas pelo fenômeno El Niño Costeiro, como também de mais de 40 toneladas de suprimentos ao México, quando o país sofreu o terremoto de setembro de 2017. As forças aéreas também prestaram assistência durante a evacuação de centenas de pessoas em ambos os países, entre outras operações regionais.

“O SICOFAA está dando ênfase às operações em casos de desastres por causas naturais ou causados pelo homem”, disse à Diálogo o Comissário Jeremías Urieta, diretor nacional do Grupo Aéreo do Serviço Aeronaval do Panamá. “Isso já se tornou evidente de forma pontual nas respostas rápidas, efetivas e eficientes que foram dadas [como] durante o terremoto do México.”

Por sua vez, o Brigadeiro Timo Hernández Duarte, comandante geral da Força Aérea da Guatemala, falou à Diálogo sobre a resposta do SICOFAA diante da explosão do vulcão de Fogo, no início de junho de 2018. “Tivemos uma pronta reação e uma pronta cooperação através do SICOFAA, o que nos fortaleceu e impressionou.”

Otimizar as capacidades

Para sintonizar suas capacidades de respostas conjuntas, o SICOFAA realiza exercícios multinacionais reais e virtuais com o nome de Cooperação. Os exercícios permitem que os países membros desenvolvam uma linguagem comum de operação e que avaliem os resultados. No encontro, os participantes examinaram a suspensão do exercício Cooperação V real e aprovaram o exercício Cooperação VI virtual, previsto para abril de 2019 em Mendoza, Argentina.

“Nesse ciclo [2017] se considerava a realização do exercício Cooperação V real, que aconteceria em Puerto Montt, no Chile”, explicou o Cel Reategui. “Devido ao terremoto no México, o exercício precisou ser cancelado já que todas as aeronaves, o sistema [SICOFAA] e as ajudas precisaram ser enviados ao México.”

Além de fazer um resumo das operações do ciclo anterior e de aprovar a realização de um exercício, os participantes analisaram vários sistemas tecnológicos para otimizar sua capacidade operacional. Destacou-se o programa informatizado Objetivos e Lições Aprendidas, que permite o registro de observações de experiências vividas e sua disseminação como lições aprendidas. Também foi mencionado o Sistema de Sala Virtual de Comunicações, que permite a transmissão em tempo real da ajuda solicitada e da forma como cada país pode responder.

“Através do SICOFAA, as forças aéreas de toda a região mantêm a capacidade de integrar suas comunicações”, disse o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Jorge Robles Mella, comandante da Força Aérea do Chile. “Desta forma, o pessoal pode priorizar as melhores maneiras de ajudar as pessoas mais necessitadas.”

O Panamá foi o país anfitrião da CONJEFAMER pela primeira vez. A CONJEFAMER 2019 será realizada em San Salvador, El Salvador.

“Para o Serviço Nacional Aeronaval e para o país, esse evento representa algo muito importante, considerando-se que temos a oportunidade de reunir os comandantes das forças aéreas do continente americano”, concluiu o Comissário Urieta. “Isso nos permite agradecer e retribuir tudo o que nós, como uma força de aviação, recebemos das forças aéreas ao longo de todos esses anos.”

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