Exercício contra armas químicas reúne militares da América Latina e do Caribe

Nelza Oliveira/Diálogo | 3 outubro 2017

Capacitação e Desenvolvimento

Autoridades, militares e representantes de agências de resposta a emergências químicas do Brasil e de 18 países da América Latina e do Caribe estiveram presentes na abertura do ExBRALC II na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro. (Foto: Nelza Oliveira, Diálogo)

O Exercício Regional em Assistência e Proteção para Estados Partes da Região da América Latina e do Caribe reuniu militares e representantes de agências de resposta a emergências químicas do Brasil e de 18 países da América Latina e do Caribe, e marcou o lançamento oficial do Centro Regional de Assistência e Proteção de Armas Químicas para América Latina e Caribe.

Roupas de proteção contra agentes nuclear, biológico, químico e radiológico foram apresentadas no ExBRALC II. (Foto: Nelza Oliveira, Diálogo)

O Rio de Janeiro recebeu, de 28 de agosto a 1º de setembro, 15 militares e representantes de agências de resposta a emergências químicas do Brasil e 22 representantes de 18 países da América Latina e do Caribe para o Exercício Regional em Assistência e Proteção para Estados Parte da Região da América Latina e do Caribe (ExBRALC II). O exercício fechou um ciclo de treinamentos regionais realizados anteriormente no Uruguai e na Argentina com o objetivo de desenvolver capacidades para a proteção da sociedade contra ameaças com produtos químicos.

O General-de-Exército César Augusto Nardi de Souza, chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Brasil, afirmou durante a abertura do evento na Escola Superior de Guerra (ESG), na Fortaleza de São João, zona sul do Rio de Janeiro, que o ExBRALC II coloca em prática e padroniza nos países da região conhecimentos adquiridos nos cursos básicos e avançados das outras edições. “Além da proteção num caso de combate, de guerra, as técnicas e os meios utilizados se prestam também para apoio na defesa civil em caso de acidentes químicos. Nós não estamos livres de ter acidentes com produtos químicos de grandes proporções”, disse o Gen Ex Nardi. “Além da ameaça do terrorismo, nós hoje em dia temos a indústria química, com forte parque petroquímico, que pode por algum motivo ter acidentes, não com a letalidade às vezes de um ataque com agentes tóxicos específicos, mas que exigem capacidade como a que temos nas Forças Armadas e Defesa Civil para fazer face a uma emergência nessa área”, acrescentou.

Expertise brasileira

O Gen Ex Nardi aproveitou a cerimônia de abertura para enaltecer a experiência brasileira adquirida nos últimos anos na área. “A atividade do segmento de defesa, particularmente da área de defesa química, biológica, radiológica e nuclear, tem sido intensa no que se refere aos grandes eventos desde o ano de 2007, dos Jogos Pan-Americanos no Brasil”, explicou. “Com a escolha do Brasil para sediar os grandes eventos como a Copa das Confederações, Rio + 20, Copa do Mundo, Jornada Mundial da Juventude e Jogos Olímpicos e Paraolímpicos 2016, a expertise dessa atuação tem sido aprimorada, fruto do legado material remanescente do aprendizado colhido na prática ao longo desse tempo, especialmente em parceria com outras agências e entidades”, destacou o Gen Ex Nardi.

As atividades do ExBRALC II foram desenvolvidas em diferentes unidades militares do Rio de Janeiro, como o Centro de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica da Marinha do Brasil, a Escola de Instrução Especializada e o 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear do Exército e no Instituto de Medicina Aeroespacial da Força Aérea Brasileira (FAB). Todos os instrutores são militares brasileiros, com exceção de um do Paraguai. O treinamento tratou de temas como prevenção, detecção, varreduras, descontaminação, triagem médica, preparação para transporte e evacuação com assistência especializada no caso de acidentes com substâncias químicas, empregando equipamentos de última geração para monitoramento e identificação de agentes desse tipo.

Barraca Inflável para Descontaminação da Companhia de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica, do Batalhão de Engenharia de Fuzileiros Navais, em exposição na abertura do ExBRALC II. (Foto: Nelza Oliveira, Diálogo)

Centro brasileiro para assistência e proteção de armas químicas

Durante a abertura do ExBRALC II foi lançado oficialmente o Centro Regional de Assistência e Proteção de Armas Químicas para América Latina e Caribe (CAPAQ-BRASIL), que reúne todos os equipamentos e recursos humanos da Marinha, do Exército e da FAB no combate a armas químicas. O centro irá organizar, planejar e coordenar cursos, estágios, exercícios, atividades laboratoriais, inspeções e outras que se fizerem necessárias no combate a armas químicas, além de atuar com outras agências governamentais para otimizar procedimentos e cooperar para o atendimento às convenções internacionais. A criação do CAPAQ-BRASIL atende a uma solicitação da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

“Nesse formato, as pessoas especializadas em qualificar de cada força, suas instalações e seus equipamentos serão os protagonistas para a realização de exercícios, cursos, que forem demandados pela OPAQ”, detalhou o Gen Ex Nardi.

“Assim o Brasil espera ter dado um grande passo a fim de somar com outros países, contribuindo significativamente para a assistência e proteção contra armas químicas, conforme estabelece o Artigo 10 da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas (CPAQ)”, continuou. A sede do CAPAQ no Brasil fica no Ministério da Defesa, em Brasília, e conta com a parceria dos ministérios da Ciência, Tecnologia, de Inovações e Comunicações e das Relações Exteriores, em cooperação com a OPAQ.

“Como nós sabemos, a ciência, a tecnologia e a inovação dependem muito do que vem sendo feito nas áreas militares, não importa em que modalidade. Na área de proibição de armas químicas, nós temos desenvolvido não só os produtos que são utilizados nas emergências, nas atividades de combate, mas também no próprio processo de destruição das armas”, explicou Luís Felipe Silvério Fortuna, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério brasileiro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. “Externo mais uma vez o interesse do Brasil em cooperar tecnicamente com o grupo de países da América Latina e do Caribe no sentido de criar e implementar uma legislação específica e mecanismos administrativos e de controle, bem como aprimorar a capacidade dos profissionais que atuam no âmbito das autoridades nacionais para aplicação dos dispositivos da CPAQ”, acrescentou.

Para o embaixador Eduardo Prisco Paraíso Ramos, chefe do escritório de representação do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro, a criação do centro permite ampliar ainda mais a cooperação do Brasil com a OPAQ e com outros países em desenvolvimento. “Reiteramos o contínuo e firme apoio do Brasil ao fortalecimento do regime de desarmamento e não proliferação de armas químicas e a busca do ideal de um mundo livre das armas de destruição em massa”, disse. “Para nós é fundamental trazer os outros países da América Latina para discutir um pouco esse tipo de problema, para treiná-los na solução no caso de uso de emergências químicas. Para nós, ter uma função, um papel protagônico é muito importante”, concluiu Ramos. A abertura do ExBRALC II contou também com uma exposição, nas dependências da ESG, de equipamentos militares usados para procedimentos em defesa química.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 9
Carregando conversa