Destaque: Uma conversa com nossos líderes

JTF-Bravo fortalece parcerias com América Central

A Força-Tarefa Conjunta Bravo cria parcerias em toda a América Central com exercícios multinacionais, assistência humanitária, ajuda em desastres e apoio de transporte aéreo.
Geraldine Cook/ Diálogo | 15 abril 2019

O Coronel do Exército dos EUA Kevin Russell, comandante da Força-Tarefa Conjunta Bravo, trabalha para fortalecer os relacionamentos com as nações parceiras da América Central. (Foto: Cabo da Força Aérea dos EUA Destinee Sweeney)

O Coronel do Exército dos EUA Kevin Russell, comandante da Força-Tarefa Conjunta Bravo (JTF-Bravo, em inglês), tem como objetivo criar fortes parcerias com as nações parceiras centro-americanas, para promover a segurança regional. Para tanto, ele conduz diversos esforços para combater o crime organizado transnacional, responder aos desastres naturais e ajudar a aumentar as capacidades dos parceiros regionais. 

Diálogo conversou com o Cel Russell em Honduras sobre seus engajamentos com as nações centro-americanas e seus esforços combinados para combater as organizações criminosas.

Diálogo: Como comandante da JTF-Bravo, quais são as suas principais prioridades?

Coronel do Exército dos EUA Kevin Russell, comandante da Força-Tarefa Conjunta Bravo: Nossa principal prioridade são os laços que temos com os nossos parceiros da América Central e da América do Sul. Nós nos concentramos principalmente na assistência humanitária e na ajuda em desastres. Quando nossa missão principal não é desse tipo , fortalecemos as capacidades dos nossos parceiros. Temos diversas capacidades na Base Aérea de Soto Cano, especialmente com nossas unidades de aviação e com o Elemento Médico (MEDEL, em inglês), que nos ajudam a responder aos eventos de desastres. Podemos oferecer nossas capacidades a todos os nossos parceiros em Honduras, na América Central, e até mesmo na América do Sul. Trabalhamos também com o desenvolvimento pessoal e profissional do nosso pessoal dos EUA, para garantir que quando eles regressem às suas unidades ou sejam novamente destacados a outras partes do mundo, sejam militares com um treinamento melhor.

Diálogo: A JTF-Bravo foi criada em 1984 na Base Aérea de Soto Cano, em Honduras. Como isso beneficiou os relacionamentos da JTF-Bravo e, mais amplamente, do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) com o governo hondurenho?

Cel Russell: O relacionamento que estabelecemos há mais de 36 anos é muito sólido. Somos quase 600 militares dos EUA em Soto Cano. Além disso, temos 700 funcionários do governo americano, empreiteiros e civis hondurenhos. Há mais de 1.200 pessoas dentro e fora de Soto Cano diariamente. Com essa base em Honduras, nosso relacionamento é mais forte porque somos capazes de manter parcerias dia após dia. Na medida em que continuamos construindo a Base Aérea de Soto Cano e fortalecendo nossos relacionamentos, permaneceremos aqui durante muitos anos. Meu chefe, o Almirante de Esquadra da Marinha dos EUA Craig S. Faller, comandante do SOUTHCOM, acredita em parcerias sólidas. Não há um dia em que a JTF-Bravo não interaja de uma forma ou de outra com nossos parceiros hondurenhos.

Diálogo: Como os esforços conjuntos, como os Exercícios de Treinamento de Prontidão Médica (MEDRETEs, em inglês) e os programas de assistência médica, ajudam a fortalecer os laços e beneficiam as relações cooperativas entre Estados Unidos e Honduras?

Cel Russell: O impacto imediato e direto da assistência médica é uma capacidade única. Nós realizamos os MEDRETEs principalmente em Honduras, pois queremos ser bons vizinhos. Temos um relacionamento bom e caloroso com todos os nossos parceiros locais, seja em Tegucigalpa, San Pedro Sula ou outras áreas do país. Pelo menos a cada trimestre, nós saímos de Honduras e vamos para outros países da América Central. Já realizamos MEDRETEs com uma certa capacidade na América do Sul, quando fomos ao Peru e à Colômbia, como parte da missão do USNS Comfort. Quando não fazemos MEDRETEs, mantemos todas as capacidades e potenciais com nosso MEDEL, para apoiar nossos parceiros locais semanalmente. Não há nada melhor do que poder prestar assistência médica de alto nível às pessoas necessitadas. Assim, os residentes locais podem comentar com os demais sobre os cuidados recebidos, divulgando nossa mensagem: “Os EUA estão aqui e querem ajudar”.

Diálogo: Quais são as iniciativas conjuntas que a JTF-Bravo realiza com as nações parceiras centro-americanas para combater as organizações do crime organizado transnacional?

Cel Russell: Nós sempre buscamos oportunidades de atuar com nossos parceiros. Trabalhamos com todas as embaixadas dos EUA nas nações parceiras da região e propomos algumas missões, porque temos capacidades específicas. Por exemplo, estamos realizando as operações Darien Lift, onde prestamos assistência em transporte aéreo ao governo panamenho e seu Serviço Nacional de Fronteiras, para ajudar a montar postos avançados na selva de Darien. Temos os helicópteros para transportar os equipamentos necessários para criar esses postos avançados. Esses projetos ajudam a fortalecer nossos parceiros para que eles possam combater e enfrentar as organizações criminosas transnacionais. Realizamos também intercâmbios entre especialistas, onde trocamos informações em diferentes áreas.

Diálogo: De que maneira a JTF-Bravo coopera com o Triângulo Norte [Guatemala, El Salvador e Honduras] no combate às organizações criminosas transnacionais?

Cel Russell: Temos o grupo de trabalho do setor norte, onde reunimos todos os nossos parceiros para intercambiar informações sobre as questões de segurança que afetam a região. Nós conversamos com eles sobre eventos, atividades e operações que eles estão realizando com os seus parceiros e explicamos como a JTF-Bravo pode lhes dar apoio nessas operações. Esse intercâmbio é feito duas vezes por ano para termos a certeza de que entendemos as suas necessidades e como podemos ajudar da melhor maneira possível.

Diálogo: A JTF-Bravo patrocina o programa de treinamento dos Corpos de Bombeiros centro-americanos, conhecido como exercício América Central Compartilhando Conhecimentos e Experiências Operacionais Mútuas (CENTAM SMOKE, em inglês). Como esse exercício contribui para desenvolver as capacidades regionais das brigadas de bombeiros? 

Cel Russell: O CENTAM SMOKE é um dos exercícios que nos dão maior orgulho. O exercício é realizado aqui em Soto Cano duas vezes por ano com parceiros de todos os países centro-americanos, para desenvolver as capacidades das brigadas de bombeiros, melhorar suas habilidades de combate ao fogo e padronizar as técnicas para promover esforços combinados contra os desastres naturais. Trata-se também de uma oportunidade para que Belize trabalhe frente a frente com o Panamá, ou para que Honduras treine com El Salvador com uma capacidade diferente. Ao trabalharmos juntos, compartilhamos táticas, técnicas e procedimentos. Criamos laços mais íntimos e mais fortes em toda a região e não apenas com os parceiros dos EUA, mas também em toda a região da América Central.

Diálogo: Como os MEDRETEs melhoram a interoperabilidade e a prontidão durante emergências?

Cel Russell: Os MEDRETEs são um grande recurso que nos permite cooperar e integrar nossas atividades e operações com nossos parceiros. Quando podemos realizar MEDRETEs em um nível multilateral, é ainda melhor. Por exemplo, a missão do USNS Comfort foi uma excelente oportunidade para encontrar nossos parceiros frente a frente e trabalhar com eles em diferentes níveis, fornecendo capacidades médicas. 

Diálogo: O senhor teria algo mais a dizer aos leitores da Diálogo?

Cel Russell: A JTF-Bravo está em Honduras há 36 anos com uma capacidade incrível. Mantemos parcerias com as organizações locais, regionais e internacionais e realizamos muitas missões para ajudar as pessoas e aumentar a segurança da região. Eu estou aqui desde julho de 2018 e vi coisas excelentes e encontrei pessoas maravilhosas. Estamos aqui para fornecer assistência humanitária e responder a desastres, para coordenar esforços de combate ao crime organizado transnacional e para construir capacidades com os nossos parceiros. Nossa mensagem diz ‘Os EUA estão aqui’, e as pessoas não precisam olhar mais além da JTF-Bravo na Base Aérea de Soto Cano para compreender que os EUA se preocupam com a região, nossa vizinhança e nossos parceiros.

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