Destaque: Uma conversa com nossos líderes

JIATF Sul, uma coalizão internacional entre agências com uma missão tática

Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo | 5 abril 2017

O Contra-Almirante Christopher J. Tomney, da Guarda Costeira dos EUA, lidera a JIATF Sul em operações de dissuasão e monitoramento para combater as redes de ameaças transregionais e transnacionais. (Foto: JIATF Sul)

A Força-Tarefa Conjunta Interagências Sul realiza operações de detecção e monitoramento por toda a área compartilhada pelos Estados Unidos e as nações parceiras da América Central, América do Sul e do Caribe, para facilitar a interdição de tráfico ilícito em apoio à segurança nacional e da nação parceira.

Localizada na Estação Aeronaval de Key West, na Flórida, a Força-Tarefa Conjunta Interagências Sul (JIATF Sul, por sua sigla em inglês), é uma das três forças-tarefa do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM, por sua sigla em inglês) em apoio à segurança nacional e da nação parceira. A agência coordena com os parceiros internacionais e de outras agências para expor redes transnacionais do crime organizado e dar apoio à interceptação e apreensão pelos Estados Unidos e agências de aplicação da lei da nação parceira. O Contra-Almirante Christopher J. Tomney da Guarda Costeira dos EUA, diretor da JIATF Sul, conversou com a Diálogo sobre as prioridades e o foco da força-tarefa e a importância do trabalho conjunto para dissuadir as organizações criminosas transnacionais e transregionais.

Diálogo: Qual é o foco principal da JIATF Sul em relação à nossa área de atuação (AOR, por sua sigla em inglês)?

Contra-Almirante Christopher J. Tomney da Guarda Costeira dos EUA, diretor da Força-Tarefa Conjunta Interagências Sul: O foco principal da JIATF Sul é a detecção e monitoramento do tráfico ilícito nos espaços aéreo e marítimo de toda a nossa Área de Operação Conjunta (JOA, por sua sigla em inglês) de 109 milhões de quilômetros quadrados. Na verdade, ela engloba a área de atuação do SOUTHCOM e também inclui partes das áreas de operação do Comando Norte dos EUA e do Comando do Pacífico dos EUA.

Diálogo: Qual é o foco dos seus esforços militares como comandante da JIATF Sul?

C Alte Tomney: Como diretor da JIATF Sul, minha energia está voltada para dar suporte aos esforços dos nossos parceiros internacionais e entre agências para interceptar e apreender traficantes ilícitos, para jogar mais luz sobre as redes maiores às quais eles pertencem. Como comandante componente do Comando Sul dos EUA, eu trabalho para promulgar a orientação e intenção do Almirante-de-Esquadra Tidd [comandante do SOUTHCOM], principalmente em relação a enfrentar as redes de ameaça transregionais e transnacionais (T3N, por sua sigla em inglês).

Diálogo: O que o senhor espera conseguir com cada país da AOR do SOUTHCOM com o qual trabalhar, seja por meio de exercícios, encontros com os principais líderes ou qualquer outra atividade?

C Alte Tomney: A JIATF Sul busca continuamente desenvolver relacionamentos mais próximos com todas as nossas nações parceiras, inclusive aquelas situadas dentro da área de atuação do SOUTHCOM, para facilitar duas metas básicas: 100 por cento de conscientização do domínio e um grau sem precedentes de coordenação de informações. Por meio de frequentes atividades com as nações parceiras, buscamos aumentar nossa conscientização sobre o tráfico ilícito e redes associadas através da JOA, bem como impulsionar o compartilhamento de informações a um tal nível de transparência que nossos parceiros, em conjunto com outros esforços do SOUTHCOM e do Departamento de Estado, possam executar de forma independente a missão de detecção e monitoramento.

Diálogo: Qual é a sua maior preocupação em termos de segurança regional na América Central, América do Sul e no Caribe?

C Alte Tomney: A maior preocupação da JIATF Sul é a corrupção e desestabilização de governos legítimos pelas T3N que estão interconectadas por toda a América Central, América do Sul e o Caribe. As redes não movimentam apenas drogas. Elas movimentam todo tipo de mercadorias ilegais, inclusive armas, dinheiro e pessoas. A maior preocupação da JIATF Sul é: se as nações e agências governamentais permitirem a existência de fendas e lacunas, essas redes ilícitas poderiam ser usadas também para movimentar terroristas – quer consciente ou inconscientemente. A luta contra essas redes criminosas exige uma frente unida.

Diálogo: Como o senhor alavanca os esforços dos países na AOR do SOUTHCOM para parar as T3N?

C Alte Tomney: A JIATF Sul trabalha para combater as atividades das T3N onde elas são mais vulneráveis: no espaço aéreo e nas águas internacionais. Detectamos e monitoramos traficantes ilícitos que saem da zona de origem da América do Sul, à medida que se movimentam pelas zonas de trânsito no leste do Pacífico e na área do Caribe, em direção às zonas de chegada nos países da América Central e do norte do Caribe. Ao dar apoio à interdição de cada operação de tráfico, a JIATF Sul contribui para as investigações de longo prazo realizadas por nossos parceiros interagências destinadas a desmantelar as T3N.

Diálogo: Como a sua perspectiva da área de atuação mudou desde que o senhor assumiu a direção da JIATF Sul em abril de 2015?

C Alte Tomney: Uma das principais mudanças foi como a JIATF Sul, juntamente com o SOUTHCOM, alterou seu ponto de vista e mensagem sobre a missão. Não somos apenas uma força-tarefa focada em retirar cocaína da água, um barco de cada vez. Somos uma coalizão internacional e entre agências implementada por meio de uma missão tática, trabalhando para facilitar o desmantelamento final de grandes empresas criminosas voltadas para solapar a estabilidade e segurança no hemisfério ocidental.

Diálogo: Como o relacionamento que vocês ajudam a construir beneficia a colaboração entre a Guarda Costeira dos EUA (USCG, por sua sigla em inglês) e as das nossas nações parceiras regionais?

C Alte Tomney: As operações da JIATF Sul fornecem o palco para uma interação de alto nível entre a Guarda Costeira dos EUA e os parceiros regionais. Toda a abordagem pela USCG de uma embarcação envolvida em tráfico ilícito em nossa JOA é outra oportunidade para colaboração direta da USCG, seja diretamente com as forças marítimas de uma nação parceira ou com o país de origem da embarcação abordada. Em 2016, houve mais de 700 oportunidades de trabalho conjunto para desenvolver e testar procedimentos e, mais importante, para criar confiança.

Diálogo: Que tipo de resultados o senhor espera que surjam em 2017 e que resultados o senhor viu até agora nesse período trabalhando com esta área de atuação?

C Alte Tomney: A JIATF Sul testemunhou um aumento de 100 por cento na conscientização do tráfico ilícito em 2016. Esperamos que a nossa conscientização continue a aumentar, bem como a nossa capacidade de afetar as T3N por meio de abordagens inovadoras para combater as ameaças financeiras e do ciberespaço. Vimos também que a Guarda Costeira apoia o esforço ao fornecer recursos muito além das contribuições necessárias. Além disso, vimos um aumento importante nas capacitações e capacidades de nossas nações parceiras em responder – as nações parceiras contribuíram em mais de 40 por cento dos êxitos táticos contra os traficantes ilícitos em 2016. Esperamos que esse número aumente à medida que o SOUTHCOM e o Departamento de Estado dos EUA continuem a aumentar as capacitações de nossas nações parceiras e nós continuemos a engajá-las com oportunidades a serem executadas.

Diálogo: Como a sua experiência anterior o preparou para essa função? E que lições aprendidas o senhor trouxe consigo para essa função, principalmente servindo como diretor para a Força-Tarefa Conjunta Interagências do Oeste?

C Alte Tomney: Como oficial da Guarda Costeira dos Estados Unidos, aprendi durante minha carreira que, para ser bem-sucedido, a pessoa precisa colaborar e agir em rede para cumprir suas missões. Vindo de um serviço de múltiplas missões, a Guarda Costeira dos Estados Unidos frequentemente depende da cooperação, colaboração e integração com outras agências e governos. A exposição internacional de trabalhar com tantas nações da região Ásia-Pacífico como diretor da Força-Tarefa Conjunta Interagências Oeste ressaltou a necessidade de que o sucesso contra organizações criminosas internacionais exige uma coalização internacional dos interessados. Minhas experiências adicionais como oficial de inteligência e um defensor executivo do compartilhamento de informações em nível de agência ajudaram enormemente a expandir a conscientização geral do domínio da JIATF Sul e, ao mesmo tempo, reduzir as barreiras ao compartilhamento de informações, levando a parcerias internacionais mais diversificadas e mais fortes.

Diálogo: Quais são as suas prioridades e as da JIATF Sul para 2017?

C Alte Tomney: As prioridades da JIATF Sul para 2017 estão delineadas no nosso Plano Estratégico:

1. Detecção e Monitoramento – A JIATF Sul continuará a desempenhar seu conjunto fundamental de missões, alavancando a inteligência reunida para impulsionar nosso Centro de Operações Conjuntas 24 horas por dia, os 7 dias da semana.

2. Coordenação de Informações – A JIATF Sul continuará a elevar o nível, tanto nos protocolos de compartilhamento de inteligência quanto na coordenação operacional entre parceiros múltiplos e às vezes díspares.

3. Inovação – A JIATF Sul continuará a alavancar nossos relacionamentos no setor industrial, acadêmico e na comunidade mais ampla de pesquisa e desenvolvimento, para encontrar maneiras de se contrapor aos esforços criativos e bem financiados de nossos adversários para passarem despercebidos pela nossa JOA.

4. Ciberespaço – A JIATF Sul continuará a inovar ao encontrar formas de dar suporte à sua missão de dissuadir e monitorar no mundo cibernético.

5. Colaboração Externa – A JIATF Sul continuará a aumentar sua rede internacional e interagências voltada a desestruturar e expor as T3N que operam no Hemisfério Ocidental.

Diálogo: Há alguma coisa que o senhor gostaria de acrescentar para os nossos leitores regionais?

C Alte Tomney: Gostaria de concluir com estes pensamentos. Primeiramente, todos os líderes deveriam ser defensores da mudança dentro de suas organizações. À medida que o mundo em que vivemos evolui, as nossas organizações também deveriam evoluir. Nunca se conformem com o status quo e objetivem metas elevadas. Neste ambiente complexo e de múltiplas ameaças, os líderes devem movimentar as informações instantaneamente. Os líderes devem constantemente se perguntar: “Quem mais precisa saber?” A luta contra as redes de ameaças transregionais e transnacionais é uma luta global. Os líderes regionais devem trabalhar juntos e continuamente batalhar para derrubar barreiras às comunicações se quisermos ter sucesso nessa batalha.

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