Jamaica desfere golpe contra tráfico de drogas

O componente naval da Força de Defesa da Jamaica desferiu um duro golpe contra o narcotráfico na costa oeste da ilha.
Renée Carnegie/Diálogo | 11 junho 2018

Ameaças Transnacionais

No dia 3 de maio de 2018, a Guarda Costeira da Força de Defesa da Jamaica interceptou uma embarcação e apreendeu 347 quilos de maconha. (Foto: Força de Defesa da Jamaica)

A Guarda Costeira da Força de Defesa da Jamaica (JDF, em inglês) continua em 2018 com um forte ataque frontal ao tráfico de drogas. No dia 3 de maio, autoridades interceptaram uma embarcação e apreenderam 347 quilos de maconha prensada ao largo da costa de Westmoreland, a comunidade mais ocidental do condado de Cornwall.

O ataque foi o resultado das patrulhas de rotina da Guarda Costeira da JDF a bordo do Navio Jamaicano de Sua Majestade (HMJS, em inglês) Cornwall. Três homens, sendo um haitiano e dois jamaicanos, foram detidos em conexão com a apreensão.

“A equipe de patrulha a bordo do HMJS Cornwall estava realizando uma operação de vigilância de rotina, quando detectou uma embarcação motorizada azul, que estava atuando de maneira suspeita, e se aproximou da mesma para efetuar uma abordagem de busca”, disse à Diálogo o Major Basil Jarret, oficial de cooperação civil-militar da JDF. “Foi aí que os três homens foram flagrados atirando uma série de pacotes ao mar.”

As unidades da Guarda Costeira recuperaram do mar cinco pacotes de maconha e encontraram mais 11 pacotes a bordo da embarcação. De acordo com um relatório de 2015 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, um quilo de maconha pode valer US$ 8.000 no mercado negro, estimando o valor potencial dessa apreensão em mais de US$ 3 milhões. As autoridades também apreenderam no barco recipientes com quase 600 litros de combustível.

“Os homens foram entregues à polícia antinarcóticos para o devido processo, e a maconha foi pesada e igualmente processada”, disse o Maj Jarrett. “Há forte suspeita de que a apreensão e a detenção estejam conectadas com a permuta atual de armas por drogas entre os criminosos jamaicanos e haitianos.”

Ampla área de responsabilidade

De acordo com o Relatório de Estratégia de Controle Internacional de Narcóticos de 2018 do Departamento de Estado dos EUA, a Jamaica continua sendo o maior fornecedor de maconha para os Estados Unidos e é um importante ponto de trânsito para a cocaína contrabandeada da América do Sul para a América do Norte. Os narcotraficantes também exportam a maconha cultivada na Jamaica por meio de embarcações e lanchas velozes para outras nações caribenhas, em troca de armas de fogo ilícitas e de contrabando, segundo o relatório.

As operações contra o tráfico de maconha e as organizações criminosas transnacionais deram frutos para as autoridades jamaicanas nos últimos anos. De acordo com o relatório anual de 2016 do Conselho de Controle de Narcóticos, a Jamaica erradicou 725 hectares de pés de maconha em 2015; o cultivo por toda a ilha é estimado atualmente em 15.000 hectares. Em seu Relatório Anual de 2016, a Força Policial da Jamaica relatou a apreensão de quase 48 toneladas de maconha.

A apreensão de drogas feita pela Guarda Costeira da JDF poderia alcançar até US$ 3 milhões no mercado internacional. (Foto: Força de Defesa da Jamaica)

As autoridades jamaicanas continuam a incrementar as operações no mar. Os 240.000 quilômetros quadrados de mar territorial, o qual é 25 vezes maior do que a sua área terrestre, estão sob a responsabilidade da Guarda Costeira da JDF e de seu contingente de quase 300 membros. A unidade naval recentemente incrementou a sua capacidade de segurança e proteção de fronteiras marítimas com a aquisição em 2017 de duas embarcações novas Stan Patrol 4207 de patrulha em alto-mar. As embarcações se juntaram a uma frota de oito embarcações de patrulha, patrulha litorânea e interceptação costeira.

A Guarda Costeira da JDF também está prestes a receber uma aeronave de patrulha marítima (MPA, em inglês) que complementará suas tarefas de segurança marítima a partir do ar. A compra da aeronave foi aprovada em 2017.

“A maioria das interceptações bem-sucedidas foram feitas em conjunto com o suporte aéreo, que nos ajudou a detectar ou colocar equipamentos de superfície no encalço do alvo específico”, disse a Capitão-de-Mar-e-Guerra Antonette Wemyss Gorman, oficial comandante da Guarda Costeira da JDF, a respeito dos esforços conjuntos com a Ala Aérea da JDF. “A MPA só chegará em outubro deste ano [2018]. É um King Air 350. Atualmente ele está sendo equipado com os equipamentos relevantes.”

Operações combinadas

No primeiro trimestre de 2018, a JDF, juntamente com as unidades da Guarda Costeira do Caribe Holandês, participou da operação combinada Riptide liderada pela Área Atlântica da Guarda Costeira dos EUA. O foco da operação foi a luta contra o tráfico de drogas no Caribe e o desmantelamento das redes criminosas transnacionais. A Riptide também estreitou os laços de amizade com nações parceiras e promoveu a coordenação operacional.

“A Jamaica é uma parceira essencial nos nossos esforços para combater as atividades das redes criminosas transnacionais que buscam explorar as águas territoriais”, disse a Capitão-de-Fragata da Marinha dos EUA Carmen DeGeorge, oficial comandante do navio USCGC Resolute, que participou da operação. “Os oficiais e a tripulação do Resolute se prontificaram a participar desse evento singular.”

No dia 17 de março, a Riptide interceptou duas embarcações suspeitas e apreendeu 1,3 toneladas de maconha. Foram detidos sete traficantes de drogas como parte da operação.

“Ao trabalharmos lado a lado com o Departamento de Segurança Interna dos EUA [DHS, em inglês] e a Jamaica, pudemos interceptar eficientemente 1,3 toneladas de maconha”, disse a CF DeGeorge em um comunicado, quando o USCGC Resolute retornou ao seu porto de origem em St. Petersburg, Flórida, no dia 28 de abril. “A operação de hoje representa um comprometimento contínuo dos EUA e dos parceiros internacionais para combater as redes criminosas transnacionais e promover a estabilidade por toda a região do Caribe.”

A Guarda Costeira da JDF mantém a luta contra o tráfico de drogas e protege suas águas, enquanto envia um forte recado aos criminosos. “Encaramos com seriedade a interceptação e usaremos todos os recursos disponíveis para dissuadir e combater as atividades ilegais”, concluiu a CMG Wemyss Gorman.

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